terça-feira, 20 de maio de 2014

Maio 2014

A nossa ida à rua foi no dia seguinte à chegada de Fátima da celebração de mais um aniversário do início das aparições - 13 de Maio.
Como de costume preparámos tudo de modo a completarmos 120 sacos individuais. À parte levámos fruta e pão sobrante.
Não encontrámos as avalanches habituais nos bairros nem nas ruas e foi "às pinguinhas" que acabámos com os sacos no topo da Rua 31 de Janeiro.
Na Rua Júlio Dinis uma carrinha que terminara a sua distribuição acrescentou à nossa ementa alguns iogurtes que vieram reforçar a oferta.
Foi uma noite sem história, vulgar como todas as noites em que a monotonia só é interrompida por algum acontecimento que a diferencia, quando acontece. Mas nada aconteceu digno de nota e, por isso, foi uma noite igual a muitas noites.
Digno de nota o facto de termos connosco muitos jovens de Carregosa e do Porto que deram aos nossos encontros na rua um ar jovial e buliçoso. É bom que venham e sejam motivo de admiração e de exemplo para os que ainda têm possibilidade de arrepiar caminho e encontramos nas ruas.
No topo da Rua 31 de Janeiro voltámos a fazer a nossa oração final e a cantar à Virgem o nosso desejo de "boa noite" abraçando quantos encontrámos e quantos ali estávamos irmanados no mesmo ideal de servir.
 
Franjas Sociais

domingo, 27 de abril de 2014

Na rua, outra vez...

Abril...
 
A saída deste mês foi antecedida de interrogações. Primeiro foi a amiga Mª. de Lurdes que teve de ir apoiar a mãe, idosa e que deu uma queda. Esta senhora tem tido um papel decisivo no grupo desde a primeira hora, e é uma grande e activa colaboradora. Depois foram os escuteiros a dar conta que não poderiam ir por terem a sua peregrinação a Fátima...
O recurso foi contactar os jovens das paróquias de Carregosa, Vila Cova de Perrinho e Chave para saber se poderiam dar um esforço extra para colmatar aquelas faltas. A resposta foi rápida e afirmativa.
Redistribuiram-se as quantidades perfazendo 120 sacos individuais. Porém, à última hora, de Carregosa telefonem a dizer que só estavam dois voluntários para preparar as coisas...
De duas confeitarias disseram-nos que ninguém os tinha avisado!
Preparámo-nos para o que viesse...
À hora habitual começámos a reunir as contribuições dos voluntários e as surpresas começaram: sandes de um e outro lado, fruta, doces, salgados... Reforçámos os sacos com 4 sandes, fruta, doces e salgados, perfazendo 125! E dos 4 voluntários esperados acabaram por aparecer 16! Decididamente temos de CONFIAR.
 
E saímos, indo pelos Bairros e correndo a cidade. O trivial: droga e miséria nos bairros, carência e sem-abrigo nas ruas. Um dar e receber. Dar aqui uma palavra amiga e matar a fome, ouvir ali a fome de falar. Outra forma de carência: a de ser reconhecido como alguém que existe e ocupa um lugar único no mundo, e de se ver ouvido.
Desta noite e das muitas histórias que sempre aparecem ficou-nos a do Manuel, de Chaves, que se "colou" ao grupo na Batalha. Recebeu o seu farnel mas continuou ali, falando, falando, falando... No final, convidámo-lo a rezar connosco uma oração de agradecimento por aquela noite ao que acedeu com gosto. Compenetrado vi-o acompanhar o Pai-Nosso com seriedade, e, ao entoarmos o "Boa Noite, Boa Noite Maria..." via-se-lhe sair pela boca a comoção e dos olhos lágrimas que pareciam sair-lhe do fundo da alma!
Se aquela noite não tivesse valido por mais nada tinha valido a pena por aquele momento!
Ao menos naquele dia e naquela hora o Manuel sentiu-se gente, e sentiu vibrar o seu coração, talvez tocado com a graça de, além de gente, se sentir filho amado de Deus!
 
Franjas Sociais

Páscoa

Está a terminar a semana da Páscoa, que desejamos que tenha sido boa para todos os amigos e seguidores deste espaço.

Páscoa é tempo de conversão e de alegria. De conversão para corresponder ao sacrifício de Cristo, que se entregou pela nossa salvação; de alegria porque nos reabriu as portas do Céu e nos assegurou a ressurreição.

Pela Páscoa de Jesus o Céu é nosso destino, basta dizer-lhe SIM e segui-lo.

Por isso, cantemos ALELUIA! ALELUIA! ALELUIA!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

S. José de Anchieta

São José de Anchieta




Cidade do Vaticano (RV) – Anchieta é santo. Na manhã desta quinta-feira, 03 de abril, o Papa Francisco recebeu em audiência, no Vaticano, o Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato.

Depois de ouvir o relatório sobre a vida e a obra do “Apóstolo do Brasil”, o Pontífice assinou o decreto que reconhece a figura e a grandeza do missionário, colocando assim seu testemunho como exemplo para os cristãos de todo o mundo.

O primeiro pedido de canonização foi feito há exatos 417 anos. Já o último ocorreu em outubro passado, por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em dezembro, como revelou o Presidente da CNBB à Rádio Vaticano, o Card. Raymundo Damasceno Assis recebeu um telefonema pessoal do Santo Padre, respondendo positivamente ao pedido.

Trata-se do primeiro santo de 2014 e o segundo jesuíta a ser canonizado pelo Papa Francisco. Antes dele, em dezembro do ano passado foi a vez de Pedro Fabro.

“A santidade do grande homem de Deus foi reconhecida”, declarou logo após a assinatura do decreto o Vice-Postulador da Causa, Pe. Cesar Augusto dos Santos, que também é responsável pelo Programa Brasileiro da Rádio Vaticano.

No entanto, a canonização de José de Anchieta se insere num contexto mais amplo, de reconhecimento da santidade de outros dois evangelizadores da América: a Ir. Maria da Encarnação e o Bispo Francisco de Montmorency-Laval – dois franceses que viveram no Canadá.

Não se trata de um caso, pois os três novos santos foram beatificados juntos pelo Papa João Paulo II, em 22 de junho de 1980. Naquela mesma cerimônia, também foram beatificados Pedro de Betancur e jovem indígena Catarina Tekakwitha – ambos já canonizados. Portanto, faltava o reconhecimento dos outros três – o que aconteceu na manhã desta quinta-feira.

Anchieta e os Papas

A importância de Anchieta e seu papel fundamental para a evangelização do Brasil já eram conhecidos pelos Pontífices. Na sua cerimônia de beatificação, João Paulo II se referiu a Anchieta como “um incansável e genial missionário”:

“Seu zelo ardente o move a realizar inúmeras viagens, cobrindo distâncias imensas no meio de grandes perigos. Mas a oração contínua, a mortificação constante, a caridade fervente, a bondade paternal, a união íntima com Deus, a devoção filial à Virgem Santíssima — que ele celebra em um longo poema de elegantes versos latinos —, dão a este grande filho de Santo Inácio uma força sobre-humana, especialmente quando deve defender contras as injustiças dos colonizadores os seus irmãos indígenas. Para eles compõe um catecismo, adaptado à sua mentalidade e que contribuiu grandemente para a sua cristianização. Por tudo isto ele bem mereceu o título de «apóstolo do Brasil”.

Por sua vez, o Papa Bento XVI, na mensagem para a 28ª Jornada Mundial da Juventude, apresentou o sacerdote jesuíta como um modelo para os jovens: “Penso, por exemplo, no Beato José de Anchieta, jovem jesuíta espanhol do século XVI, que partiu em missão para o Brasil quando tinha menos de vinte anos e se tornou um grande apóstolo do Novo Mundo”.

Anteriormente, em discurso aos Bispos dos Regionais Norte 1 e Noroeste, em visita ad Limina Apostolorum em outubro de 2010, Bento XVI disse: “Ao pensar nos desafios que esta proposta de renovação missionária supõe para vós, Prelados brasileiros, vem-me à mente a figura do Beato José de Anchieta. Com efeito a sua incansável e generosíssima atividade apostólica, não isenta de graves perigos, que fez com que a Palavra de Deus se propagasse tanto entre os índios quanto entre os portugueses – razão pela qual desde o momento de sua morte recebeu o epíteto de Apóstolo do Brasil – pode servir de modelo para ajudar as vossas Igrejas particulares a encontrar os caminhos para empreender a formação dos discípulos missionários no espírito da Conferência de Aparecida”.

Já Francisco escolheu a praia de Copacabana, na missa pela 28ª JMJ no Rio de Janeiro, para falar do sacerdote jesuíta, com estas palavras: “A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o Bem-aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido por vocês!”.

(BF)


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/04/03/s%C3%A3o_jos%C3%A9_de_anchieta/bra-786800
do site da Rádio Vaticano

Abril: Nova saída

Caros amigos:

A próxima ida à rua será no dia 9 deste mês.

Por impedimento não podemos contar com a D. Maria de Lurdes nem com os escuteiros.
Por isso teremos de reforçar a contribuição dos que se encontram disponíveis.

Considerando que no passado mês de Março voltaram a verificar-se sobras e uma vez que estamos reduzidos, vamos preparar apenas 120 sacos que ficarão assim distribuídos:

C.F./Virgínia - 50 sacos + 1 termo de café
Sofia - 4 termos de café/café com leite
Paróquias de Carregosa/VCPerrinho/Chave - 70 sacos + x termos de café/café com leite.

O conteúdo-base mantém-se como do antecedente, não se enjeitando as demais contribuições que vierem.

Devido à falha dos escuteiros é de esperar que se verifique diminuição da quantidade de doces e salgados pelo que se apela a um esforço extra na recolha para colmatar aquela falta.

Boa preparação.

C.F.


domingo, 30 de março de 2014

Aprovado pela Santa Sé o Estatuto da Legio Mariae

Cidade do Vaticano (Quinta-feira, 27-03-2014, Gaudium Press) A Legião de Maria será reconhecida como "associação internacional de fiéis", segundo o decreto entregue nesta quinta-feira, 27, pelo Secretário do Pontifício Conselho para os Leigos, Dom Josef Clemens, o qual são aprovados os estatutos desta realidade eclesial.associacao_internacional_de_fieis.jpg
Dom Clemens destacou em sua mensagem que a "Legio Mariae" é um sinal de como o espírito missionário dos leigos, "pode caminhar junto com uma profunda compreensão do chamado à santidade recebido por meio do Baptismo".
"Toda a história da Legião de Maria é um maravilhoso testemunho de Fé na omnipotência de Deus, Fé na força da oração a Maria", afirmou.
Para o prelado, desde seu início, a Legião de Maria "foi um vivo testemunho do quanto Deus pode operar através de corações humildes".
Criada através de uma iniciativa de um grupo de pessoas guiadas pelo então funcionário do Ministério das Finanças, Frank Duff, no ano de 1921, em Dublin, na Irlanda, a Legião de Maria possui mais de 93 anos de história missionária pelo mundo, "levando Maria ao mundo e, por meio dela, o mundo a Jesus", segundo Dom Clemens.
A instituição, direcionada à formação de milhares de grupos em todos os continentes, propõe aos seus membros a santificação, bem como a participação na missão evangelizadora da Igreja por meio do apostolado social para com os mais necessitados e os que se encontram afastados da Fé. (LMI)


Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/57232-Vaticano-reconhece-Legiao-de-Maria-como--ldquo-associacao-internacional-de-fieis-rdquo-#ixzz2xTvV9tHo
Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.

quinta-feira, 13 de março de 2014

12 de Março. Mês da memória de S. João de Deus

Foi lembrando e procurando seguir o exemplo de S. João de Deus que organizámos esta nova ida ao encontro dos Sem-abrigo do Porto. Santo português foi o pioneiro na assistência aos doentes e desprotegidos que ia encontrando naquele tempo nas ruas de Granada, cidade onde acabou por ir parar e exerceu este seu apostolado. Podemos dizer que foi o primeiro que se dedicou a acolher e apoiar os sem-abrigo. Daí o têrmo-lo como um dos nossos patronos. A ele é dedicado o dia 8 de Março.
Porque verificámos no passado mês de Fevereiro que foi insuficiente o que levávamos decidimos aumentar as quantidades para 135 sacos.
Terminada a preparação dividimo-nos em dois grupos como de costume, indo um aos bairros e o outro à cidade.
Nos bairros não houve história de interesse para contar a não ser o facto de se não ter verificado a avalanche habitual e terem vindo "às pinguinhas".
Já na cidade as coisas foram um pouco diferentes. Muito do que levávamos ficou na Rua Júlio Dinis, e o resto distribuímo-lo na Câmara, na Rua de Camões, na Praça da República e na Praça D. João I.
Mas três dos nossos encontros merecem ser contados ainda que brevemente.
O primeiro aconteceu na Praça da República com o Ari, indiano de Díli que tem 20 anos de Europa, passados na Alemanha, Holanda, França, Itália, Espanha e Portugal. Há dez anos em Portugal e cinco no Porto encontrou no nosso país um acolhimento que o levou a preferi-lo aos demais. Não pelo dinheiro que aqui há bem menos e menos ou nenhum trabalho. Mas pela receptividade e pelo acolhimento. Do trabalho de anos o que tem está à vista: NADA! A rua por casa, um colchão e uns cobertores obtidos por caridade como mobília. Mas um coração cheio. Para desfazer dúvidas quanto às suas opções face à herança original foi dizendo e repetindo com certa insistência:
- Deus há só um! O que Deus fez, fez bem. Tudo é bom. Eu comer tudo, comer vaca, comer porco, comer sardinha, comer bacalhau...
Exibindo um ferimento recente resultante de uma navalhada que alguém lhe desferiu na palma da mão aconselhámo-lo a dirigir-se à igreja de Nossa Senhora da Conceição que dispõe de tratamento em enfermagem aos sem-abrigo.
Sentados em torno da sua cama, sobre os cobertores ali estivemos um grande bocado mais a ouvi-lo do que a falar.
- Eu falar onze línguas...
E ia-as enumerando. E não se esqueceu de acrescentar:
- Em Goa também se fala português!
Andou meio mundo para não ter nada, mas adquiriu a sabedoria suficiente para poder afirmar convictamente que "Deus há só um" e que tudo o que Ele fez é bom... Coisa que muita gente que se julga mais realizada e inteligente ainda não atingiu!
Descendo para a Rua de Camões vimos um indivíduo a tentar meter num contentor um saco de lixo que teimava em ficar meio de fora. Abordámo-lo e entregámos-lhe um dos nossos sacos. Agradeceu, pegou nele e foi sentar-se a chorar num muro. Achámos que era altura de lhe fazer um pouco de companhia e sentámo-nos junto dele. E contou parte da sua vida, de quando era motivo de chacota na escola pelo facto de ser filho de um lixeiro. Acabou por se dedicar de facto a recolher lixo, a aproveitar parte do que os outros rejeitam. Livros, por exemplo, que depois DÁ a pessoas de quem gosta, ou entrega a alfarrabistas que às vezes lhe agradecem com 5 Euros. E, qual letrado, começou a citar Torga, Camilo, Fernando Pessoa, Saramago...
- Desculpem, mas eu choro com facilidade porque me comovo... - E entrecortava o seu relato com soluços e algumas lágrimas.
Janta na igreja do Marquês, e vive sem aspirações. Despejado de casa vive em casa emprestada por pessoa caridosa. Era "lixeiro" na escola em jeito de profecia e lixeiro se mantém por opção e gosto. Desprendido por natureza, do seu passado tem a memória do que sofreu e a riqueza de alma que mantém. E a lágrima fácil porque tem um coração sensível e bom.
Passando na Batalha encontrámos o Joel. Conversa rápida sem sair do carro porque estávamos em plena rua. Mostrou-nos as tatuagens e conversou. Abandonado aos três anos, foi recolhido da rua por alguém que o cuidou e de quem se não esquece.
O Joel é já nosso velho conhecido mas parece que não se deu conta disso tal a sua insistência em repetir as suas histórias e mostrar a tatuagem.
- Vocês têm muita luz!...
Ficámos sem saber que luz viu em nós ou a que luz se referiu pois tivemos de seguir para não interromper o trânsito.
Encontrado e retirado da rua em criança continua na rua orgulhoso da sua tatuagem e limitando as suas aspirações à fruição da sua liberdade.
Terminámos com algumas sobras de sandes, pão e fruta que tiveram como destino o Lar de Santana, em Matosinhos. Ali soubemos que já são distribuídos diariamente cerca de duzentos almoços a carenciados e sem-abrigo!... Perante a nossa admiração disse a madre:
- São muitos, mas se precisam... Quem nos procura não pode ir embora sem ser servido! Há famílias inteiras!
As irmãs são pobres e vivem da caridade. De graça recebem e de graça dão...
Esta noite foi farta em exemplos de desprendimento e abnegação que nos podem servir de meditação. E nem é preciso ter muito para testar o altruísmo ou o egoísmo.
Corações abertos... corações fechados... Esta noite venceram largamente os primeiros!

Franjas Sociais

quinta-feira, 6 de março de 2014

Quaresma: tempo de confissão

http://goo.gl/10o7Ro

De novo na rua em Março

No próximo dia 12 deste mês voltamos à rua ao encontro dos nossos amigos Sem-abrigo.
A experiência da saída do mês passado aconselha que reforcemos a quantidade de farnéis a distribuir de modo a podermos chegar a alguns pontos da cidade onde não conseguimos chegar da última vez.
Por isso, regressaremos às quantidades anteriores, ou seja:

CF/ML/V - 60 + 1 termo com café
Agrup. 174 - 35 + termos de café e café com leite
Carr/VCPerr./Chave - 35 + termos de café e café com leite

Sofia - 4 termos de café/café com leite

Não esquecer os copos.

Boa preparação!

Franjas Sociais

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Jesuíta preso no Vietnam evangeliza na prisão

http://www.youtube.com/attribution_link?a=pM3prRxp8qQ&u=%2Fwatch%3Fv%3DhOsqkS55yUg%26feature%3Dshare

Sem-abrigo em Portugal, hoje...

Não faça como muitos que viram a cara para o lado para não terem de se incomodar com a visão das condições miseráveis em que alguns dos nossos semelhantes têm de sobreviver. Que não nos mova simplesmente a curiosidade mesquinha mas o apelo da consciência para conhecer a situação e podermos fazer "a nossa parte". Abra o link abaixo, decida-se e haja!

http://www.youtube.com/watch?v=Ve-_GhoEmzE

sábado, 22 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

S. Valentim - Dia dos Namorados


Africa Studio
As lojas recolheram as árvores enfeitadas, os presépios, e começaram a encher as prateleiras, armários e vitrines com corações, bichinhos de pelúcia, flores e tudo o que se possa imaginar com mensagens românticas de amor para os que se comprometem em um relacionamento a dois e os que acreditam na amizade: o dia de São Valentim é mais uma ocasião para aproveitar os sentimentos e emoções no comércio.

Sabemos que o dia 14 de fevereiro recorda a festa de São Valentim, vinculada à comemoração do amor romântico, mas, com o tempo, a data se estendeu também à comemoração do dia do amor e da amizade.

Culturalmente, nós nos envolvemos nestas comemorações, mas no final não sabemos que Valentim celebramos e que relação ele realmente tem com os casais.

Esta comemoração é uma oportunidade para refletir sobre o valor do amor que Jesus nos convida a entregar ao próximo; para recordar que há pessoas ao nosso redor que buscam e precisam ser amadas, cuidadas, escutadas, atendidas, motivadas, perdoadas, porque são reflexo de Deus, apesar das suas fraquezas, limitações, rebeldias, intolerância.

Este amor requer coragem, bravura, fortaleza, firmeza da nossa parte, porque não podemos nos deter para pensar se a pessoa nos agrada, qual é sua etnia, o que ela me dará em troca, se satisfará meus caprichos, se pensa como eu, se é simpática ou não.

Este amor não pode surgir de um coração adocicado, temperado, enfeitado, embrulhado para presente ou dentro de uma caixa com um laço. O amor que comemoramos não se adoça, não derrete no calor, não é de chocolate. Jesus, por amor aos seus amigos, a nós, derramou seu sangue (e como derramou!) até a última gota, não guardou nada para Ele.

Comemoremos o dia de São Valentim com alegria, mas perguntando-nos quanto amamos estas pessoas que convivem conosco, quanto somos capazes de fazer por elas; e façamos o propósito de competir conosco mesmos, para ver se podemos amar hoje mais do que ontem, orar, entender, ter paciência, tolerar mais do que ontem, enfim, viver o verdadeiro sentido do amor.

Feliz dia de São Valentim!

(Artigo publicado originalmente em PorTuMatrimonio.org)

sources: Por tu matrimonio

Novamente na rua...

2014 – Fevereiro

Voltámos à rua em mais uma saída neste mês de chuva e cinza. Perdeu a cor o céu e perde-a a humanidade que se mostra cada vez mais distante da sua superioridade de ser pensante, endurecida a mente e fechado o coração.
Foi num dia aparentemente triste, mas com o coração alegre e a esperança sempre presente de tudo poder melhorar, que preparámos mais esta saída. Fomos juntando as dádivas que cada um trazia e, a pouco-e-pouco, vimo-las crescer como que se elas próprias se multiplicassem.
Preparadas ao jeito de cada um, manifestavam o carinho e a devoção com que foram feitas.
- Hoje preparei bifes! – disse uma das voluntárias do grupo. Ninguém mais soube se eram bifes ou bifanas porque não se discute nem se badala o que se traz, não vá saber a mão direita o que faz a esquerda, nem se toca a trombeta fazendo de uma oferta singela e silenciosa um acto apregoado aos quatro ventos. E se agora e aqui se traz ao conhecimento não é para pessoalizar ou obter benefício individual mas tão-só para informar e motivar quem ler para o dever de cada um prosseguir o ideal evangélico de amar e fazer o bem.
- “O que fizerdes ao mais pequenino é a MIM que o fazeis!”, - disse Jesus.
Lembrados dessa afirmação vamos à rua ainda com mais empenho porque sabemos Quem é o destinatário.
Como habitualmente dividimo-nos em dois grupos começando um pelos bairros do Aleixo e Pinheiro Torres e o outro pelas ruas da cidade. A avalanche aconteceu logo no início, na Rua Júlio Dinis, de onde já não saímos!… Atrás de uns vinham outros e outros mais… Sessenta entregas num abrir e fechar de olhos!
Contactado o outro grupo para saber se tinham sobras que permitissem contemplar a expectativa de uma dúzia que entretanto aguardava esperançada disseram ter ainda alguns sacos mais. Aguardámos a sua chegada conversando, e distribuindo rebuçados que um mais atento tinha acrescentado à “ementa”, e café quente, que tínhamos em abundância.
- “O vosso saco é excelente!” – disse um desempregado, pessoa não habitual nestas paragens, mas que agradeceu a fruta e o pão que lhe demos, dizendo que já tinha pão para dar aos 4 filhos no dia seguinte.
A rua é agora também feita desta nova classe de gente que a crise precipitou em poucos anos numa situação de carência, para não dizer em nova pobreza.
De Carregosa tinha vindo um lote de cobertores usados, em bom estado mas a precisar de serem arejados ou até lavados para readquirirem o ar de novos. Como não temos possibilidade de o fazer pensámos a quem poderiam interessar. Vieram à ideia as Irmãzinhas dos Pobres mas disseram que estavam servidas e não precisavam. Contactámos de seguida o Lar de Santana, em Matosinhos, de onde disseram interessar muito porque “tinham muitos sem-abrigo para apoiar e às vezes precisavam de cobertores”.
Nem mais! Dos sem-abrigo para os sem-abrigo! As surpresas não acabam, e foi desse modo que soubemos que, além de Lar, aquela obra cumpre uma outra, silenciosamente, do apoio e fornecimento de roupas, e de 70 a 80 refeições diariamente a pessoas sem-abrigo e carenciadas que ali encontram acolhida e apoio!
Louvado seja Deus! E as televisões que da Igreja só se preocupam, enxergam e publicitam  quando descobrem algum escândalo!...
O Lar de Santana passa a ser uma das nossas preferências e uma nova referência. Ao fornecimento gratuito de refeições quentes a necessitados pelas Ordens de S. Francisco, Carmo, Carmelitas, Trindade, Irmãs Hospitaleiras (Boavista), igreja de Nossa Senhora da Conceição (Marquês – Porta Solidária), temos de acrescentar esta mais-valia prestada por uma congregação humilde que vive de esmolas e da caridade!...
Perante exemplos destes sentimo-nos pequeninos, mesmo muito pequeninos!
Por isso mesmo continuamos!


C. F.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Próxima saída

Será no dia 12 de Fevereiro a nossa próxima ida à rua.
 
Vamos manter a preparação habitual, mas com diminuição dos contributos para:
 
V/ML/C: 50
Agrupam. 174: 30
Par. de Carregosa/V.C.P./Ch.: 30
Outros: 10
 
Fiquem atentos a mais informações.
 
C.
 
 
 
 
 


Janeiro de 2014 - primeira saída

 


Foi no passado dia 8 que reiniciámos a nossa presença na rua em mais um ano de actividade.

Ao longo destes anos temos vindo a verificar um aumento de grupos em apoio dos carenciados e uma diminuição do número dos verdadeiros sem-abrigo. Isto mercê de uma melhor organização do apoio, devido em certa medida às políticas e orientações de Bruxelas que levaram à organização da Rua em Rede sob a supervisão e com o empenhamento da Segurança Social, e consequente programa de acolhimento dos sem-abrigo em residenciais ou apartamentos. Daí a diminuição do número destes utentes a solicitar apoio na rua.

Contudo, outros vão aparecendo, aqueles que dão um pontapé na vergonha e se aproximam de quem lhes pode levar algum auxílio. Certo é que também dentre estes há quem se habilite a todos os apoios que podem: Cáritas, Vicentinos, associações, paróquias, e voluntariado. Para evitar desperdício e excesso no recurso aos apoios, foi organizado o roteiro dos diversos grupos que percorrem a cidade em todos os dias da semana de modo a possibilitar a interligação entre eles e limitar a repetição de apoio.

Nas Quartas-feiras temos a companhia de outros grupos e com eles racionalizamos a distribuição.

Assim, nesta Quarta-Feira seguimos pela Rua Júlio Dinis, Bom Sucesso, Aleixo, Pinheiro Torres, Câmara Municipal, Viaduto Gonçalo Cristóvão, e Batalha, onde combinámos a continuação da distribuição com o Café Convívio (CASA). Sabendo que já tinham ido à Praça da República e que seguiriam pela Praça D. João I e outros pontos do centro, Continuámos pelo Hospital de Santo António e regressámos a Aldoar.
Restaram-nos desta distribuição 28 sacos que foram entregues no dia seguinte no Bairro Pinheiro Torres.
Desta distribuição participaram apenas 8 voluntários, 5 do grupo de jovens de Carregosa e 3 de Aldoar.
Este dia tivemos um pedido de ajuda para desintoxicação, que foi encaminhado para a associação Norte Vida, e a lição de vida de um utente que se nos dirigiu na Rua Júlio Dinis confessando a sua falta de tino:
- "Quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga"!...
E esclareceu:
- Eu não tinha necessidade disto! Fui bancário nesta cidade, agência "X" do Banco "Y", aceitei a rescisão do contrato por mútuo acordo ao fim de 26 anos de casa... Em pouco tempo estourei 300.000,00 Euros! Sabe? Nasci e cresci num ambiente farto, nunca me faltou nada, e se fazia alguma asneira tinha sempre um guarda-chuva que reparava as minhas faltas. Não fui habituado a assumir as minhas falhas. Agora a casa de comércio do meu pai está na falência, já não posso contar com esse guarda-chuva, mas tenho de me virar seja por onde for!
E lá ficou disposto a recomeçar, e nós a pensarmos como é que ele agora, com esta crise e  com 46 anos, vai dar a volta se a não soube dar quando tinha possibilidade...
Conclusão: quem está convencido que dando tudo aos seus filhos, os está a educar como deve, está de facto muito enganado pois não os está a preparar para enfrentar sozinhos os reveses da vida se vierem a surgir!
 
C. F.
 
 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Jantar de Natal na Porta Solidária 2013


No passado dia 28 de Dezembro realizou-se nas instalações da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Porto, mais um Jantar de Natal organizado pela Porta Solidária para os seus habituais utentes e para as pessoas carenciadas ou sem-abrigo que recorrem diariamente ao apoio dos voluntários nas ruas da cidade. Não foi simplesmente “mais um jantar” mas o 11º. que ali se serviu na quadra natalícia destes últimos anos, na continuação de um procedimento de acolhimento quotidiano dos mais desfavorecidos.

Trezentas e oitenta pessoas foram carinhosamente acompanhadas por cerca de 150 voluntários que acorreram ao apelo oportunamente feito, e que integraram seis equipas de trabalho.

Tudo decorreu em boa ordem numa impecável organização do pároco, e que de ano--a-ano se mostra sempre mais afinada.

Colaboraram directamente na sua organização a Caritas diocesana, os colégios de Nossa Senhora da Paz e de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o Hospital de Santa Maria, a Escola Superior de Educação Paula Fracinetti, e muitos voluntários de entre os quais se destacaram um grupo de escuteiros de Rio Tinto, o “Abraço na Noite” e “Franjas Sociais”, este último integrando escuteiros do Agrupamento 174 (Aldoar) e os jovens das paróquias de Carregosa, Vila Cova de Perrinho e Chave (Oliveira de Azeméis).

 Abrilhantaram e alegraram o convívio a TUNÍFICA - Tuna Católica de Mafamude e um grupo instrumental da Paróquia.

No final, ao som de ferrinhos, viola e concertina, os voluntários desejaram e cantaram as Boas-Festas a todos os presentes, entre os quais se contavam algumas crianças que também foram contempladas com presentes de antemão especialmente para elas preparados.

Seria este mais um jantar trivial se não envolvesse o dar e receber. Mesmo que se não aguarde qualquer paga, ao dar, recebe-se de quem se serve o carinho, o agradecimento, a amizade. Mas desta vez também o insólito veio trazer uma especial nota de reconhecimento demonstrativa de que as pessoas ditas da rua também elas são pérolas sociais a maior parte das vezes pouco consideradas e estimadas. Terminado o jantar, um dos utentes, natural do Egipto, desenhou na toalha de papel um expressivo e belo rosto de Cristo. Tão expressivo e tão belo que o Sr. Pe. Rubens não resistiu em o recortar e guardar cuidadosamente. Naquele acto viu-se implícito o agradecimento singelo e sincero de quantos vêem na Porta Solidária e na Paróquia uma atitude de desprendido acolhimento. E uma maneira de Jesus aprovar por meio de um dos seus mais pequeninos a obra que um dia ali nasceu. Modo subtil e silencioso de Deus se manifestar e, também, de agradecer na pessoa daqueles que são a Sua imagem e o Seu rosto!...

28.12.2013
C. F.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A ceia de Natal dos sem-abrigo na Porta Solidária



Como vem sendo habitual participámos na preparação e no serviço da Ceia de Natal que a Porta Solidária organiza para os nossos amigos sem-abrigo.
Consideramos que é um momento de congregação de todos quantos estão na rua ao longo do ano com mesmo desejo de servir e ir ao encontro dos carenciados que a fatalidade, a acção e a inacção atiraram para situações de extrema necessidade.
Deste acontecimento dá sucintamente conta o relato seguinte que veio publicado quase que na íntegra pelo semanário diocesano VP:

O Natal na “Porta Solidária”

Já vai ficando longe o ano de 2003 em que numa simpática iniciativa os trabalhadores do Hotel Sheraton do Porto decidiram oferecer um jantar de Natal às pessoas sem abrigo da cidade e encontraram na Paróquia de Nª. Senhora da Conceição o local, o apoio e o acolhimento ideais para esse efeito.

Em 2005 a Paróquia assumiu directamente a sua organização e, levando à letra o sentimento de que “todos os dias deviam ser Natal” e o espírito de caridade do Evangelho, criou a “Porta Solidária” que passou a servir a quem precisar uma refeição quente todos os dias úteis do ano, a distribuir diariamente roupas e agasalhos, a encaminhar para outras entidades os casos que requeiram especial tratamento, e a facultar cuidados de enfermagem por pessoal voluntário habilitado.

Daí que o Natal da Porta Solidária não seja um simples fogacho natalício mas uma verdadeira festa na continuidade da actividade caritativa de um ano que conta com a congregação de esforços de outros grupos e organizações de voluntários de dentro e fora da cidade.

Este ano decorreu no passado dia 29 de Dezembro e teve o habitual apoio da Caritas Diocesana, do pessoal do Hospital de Santa Maria do Porto, da Escola Superior de Educação Paula Fracinetti, dos voluntários da Porta Solidária, dos escuteiros e jovens da Paróquia, do grupo de apoio aos Sem-abrigo “Franjas Sociais” e o seu numeroso séquito das Paróquias de Aldoar, Carregosa e Vila Cova de Perrinho, de jovens da Paróquia de Nª. Senhora da Conceição de Guimarães, de mais alguns vindos de Famalicão e de outros lugares que responderam com a sua participação activa na realização da festa, num total de mais de cem voluntários.

Ainda que estejamos em época de carência, choveram de um e outro lado os donativos para o jantar e para as prendas a entregar no final, de modo a que tudo chegasse e nada faltasse numa organização que de ano a ano vai afinando cada vez melhor.

Ainda que muitos dos que conhecemos da rua não tivessem comparecido, a sala não demorou a ficar completamente cheia com todos os 383 lugares preenchidos.

Via-se satisfação e alegria nos rostos à medida que os estômagos se sentiam satisfeitos. Para isso também contribuiu a animação proporcionada por um grupo de jovens da Paróquia que deu som aos seus instrumentos, e, no final, o simpático e afinado grupo de Cavaquinhos do Marquês que só não pôs tudo a dançar porque a sala não o permitia.

Cativante foi ver o Pastor entre as suas últimas ovelhas: como já é habitual, o Sr. D. Manuel Clemente participou e dialogou com eles na refeição, acompanhou os voluntários de serviço na sala e na cozinha, e, perto do final, associou-se ao cantar das janeiras em que, num credo sincero, mais de cem vozes foram repetindo em coro para a sala e para o mundo:

“Nós vimos aqui a cantar

P’ra anunciar com amor:

Já nasceu o Deus Menino,

É Jesus o Redentor. ”
E é este anúncio de primavera que o voluntariado ao serviço dos mais pobres e deserdados, daqueles que têm pouco e dos que nem tecto têm, conserva no coração e leva ao longo do ano a cada utente da Porta Solidária, e quer levar a toda a parte pela palavra e pela acção aos “caminhos e azinhagas” do mundo e desta nossa cidade onde quer que se encontre alguém a precisar de conhecer a Deus, e a necessitar de Pão, de Paz e de Amor.

Um voluntário.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

BOAS FESTAS, FELIZ NATAL

No final de mais um ano de actividade ao serviço dos mais débeis e carenciados venho desejar a todos os elementos do grupo "Franjas Sociais", aos nossos amigos colaboradores, aos que nos acompanham na acção e na leitura dos relatos que vamos fazendo, e, especialmente a todos quantos acompanhamos ao longo do ano e que certamente não lerão esta mensagem, um Santo Natal e um Bom Ano de 2013 que se deseja mais risonho, farto e pacífico que o que nos têm prometido.


C.