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domingo, 2 de outubro de 2011

27º Domingo do Tempo Comum

A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular






Leitura do Livro de Isaías, Is 5,1-7

Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina. Lavrou-a e limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas. No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar. Esperava que viesse a dar uvas, Mas ela só produziu agraços. E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e a minha vinha: que mais podia fazer à minha vinha que não tivesse feito? Quando eu esperava que viesse a dar uvas, porque é que apenas produziu agraços?
Agora vos direi o que vou fazer à minha vinha: vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada. Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei-de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva. A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel, e os homens de Judá são a plantação escolhida. Ele esperava rectidão e só há sangue derramado; esperava justiça e só há gritos de horror.
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses, 4,6-9
Irmãos: não vos inquieteis com coisa alguma. Mas, em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor é o que deveis ter no pensamento. O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim é o que deveis praticar. E o Deus da paz estará convosco.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São Mateus, 21,33-43
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo:
«Ouvi outra parábola: havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».
Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo».
Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».

sábado, 1 de outubro de 2011

Intenções do Santo Padre para Outubro de 2011


Intenção Geral


A necessária ajuda aos doentes terminais


Pelos doentes terminais, para que os seus sofrimentos sejam aliviados pela fé em Deus e pelo amor dos seus irmãos.
A notícia de uma doença terminal costuma ser a pior das notícias e a tristeza e desconcerto são uma reacção perfeitamente normal. Com efeito, a doença, sobretudo tratando-se de uma doença terminal, traz consigo, quase inevitavelmente, um momento de crise e de séria confrontação com a situação pessoal.
Apesar dos avanços da ciência, não se pode encontrar uma cura para todas as doenças. Por conseguinte, nos hospitais, clínicas ou mesmo nas famílias de todo o mundo, encontramos o sofrimento de numerosos irmãos nossos com doenças incuráveis e muitas vezes em fase terminal.
Para além disto, muitos milhões de pessoas em todo o mundo vivem ainda em condições insalubres e não têm acesso aos recursos médicos necessários, mesmo os mais básicos, e por consequência tem aumentado o número de seres humanos considerados incuráveis.

Atitude a ter com os doentes terminais

Para que não se dê esse aumento, é necessário que haja políticas sociais justas que ajudem a eliminar as causas de muitas doenças, também terminais, e que seja prestada uma maior assistência e atenção médica aos doentes. É necessário criar condições que permitam a ajuda às pessoas doentes, sobretudo nas doenças mais graves.
Para que isto aconteça, é necessário aumentar o número dos centros de cuidados paliativos que proporcionem uma atenção integral, oferecendo aos doentes a assistência humana e o acompanhamento espiritual que necessitam. Trata-se de um direito que pertence a todo o ser humano e que todos devemos comprometer-nos a defender.
Mas, hoje em dia, a mentalidade que tem por meta a eficiência tende a marginalizar as pessoas com doenças terminais, considerando-as um peso e um problema para a sociedade. Pelo contrário, quem tem o sentido da dignidade humana sabe que elas devem ser respeitadas e apoiadas quando enfrentam as dificuldades e o sofrimento relacionados com as condições dolorosas da sua saúde.
Para além das indispensáveis curas clínicas, é necessário oferecer aos doentes gestos concretos de amor, de proximidade e solidariedade cristã, de conforto e encorajamento constante.

A acção da Igreja

A acção humanitária e espiritual da comunidade eclesial para com os doentes manifestou-se, ao longo dos séculos, de múltiplas formas e em numerosas estruturas médicas, numa grande solicitude pelos enfermos.
De facto, seguindo o exemplo do bom samaritano, a Igreja, através dos seus membros e das suas instituições, continua a estar ao lado dos que sofrem, procurando preservar a dignidade nesses momentos tão significativos da existência humana. Os profissionais da assistência sanitária, agentes pastorais e voluntários da Igreja servem incansavelmente os doentes por todo o mundo, em hospitais e unidades de cuidados paliativos, em projectos de assistência ao domicílio e paróquias.
Na constituição sobre a Igreja Lumen gentium, do Concílio Vaticano II, podemos ler: «… a Igreja ama todos os angustiados pelo sofrimento, reconhece a imagem do seu Fundador, pobre e sofredor, nos pobres e nos que sofrem, esforça-se por aliviar o seu sofrimento e deseja servir neles a Cristo» (n. 8).

O sofrimento de Cristo e do doente

Para os doentes que têm fé, a consideração do sofrimento de Cristo e de tudo o que Ele significa deve, certamente, contribuir para encarar os seus sofrimentos numa dimensão diferente, ajudando-os a dar um sentido redentor às dores que padecem. Deus, Verdade e Amor em pessoa, quis sofrer por nós e connosco; fez-Se Homem para poder sofrer com os homens, de modo real, em Carne e Sangue. Em cada sofrimento humano está presente Aquele que partilha esse sofrimento.
O mistério do sofrimento humano tem sentido e é plenamente esclarecido no mistério da morte e ressurreição de Cristo. Afirma a Carta apostólica Salvifici doloris: «O sofrimento humano atingiu o seu cerne na Paixão de Cristo e, ao mesmo tempo, revestiu-se de uma dimensão completamente nova e entrou numa nova ordem: ele foi associado ao amor… àquele amor que cria o bem, tirando esse bem até do mal, como o bem supremo da redenção do mundo foi tirado da Cruz de Cristo. Esta Cruz tornou-se uma fonte, da qual brotam rios de água viva».
O Santo Padre pede-nos para rezar este mês para que saibamos acompanhar e estar perto daqueles que estão afectados por doenças graves, ajudando-os a sentir-se ajudados pelo amor do Pai. É missão de todos nós fortalecer a fé dos nossos irmãos doentes e mostrar-lhes com o nosso amor que Deus não os abandonou.

Intenção Missionária

Dia Mundial das Missões

Para que a celebração do Dia Mundial das Missões faça crescer no povo de Deus a paixão da evangelização assim como o apoio a toda a actividade missionária, pela oração e pela ajuda económica às Igrejas mais pobres.  O mês de Outubro, por meio da celebração do Dia Mundial das Missões, oferece às comunidades diocesanas e paroquiais, aos Institutos de vida consagrada, aos movimentos eclesiais e a todo o povo de Deus a ocasião para renovar o compromisso de anunciar o Evangelho e de dar às actividades pastorais uma maior dimensão missionária.
A mesma petição que os gregos fizeram: «Queremos ver Jesus» (Jo 12, 21), continua a ressoar nos nossos ouvidos, sobretudo neste mês de Outubro, da parte de todos aqueles que, mesmo sem o exprimirem, nos fazem, hoje, o mesmo pedido. E nós devemos mostrar esse Jesus, sobretudo por meio da nossa vida verdadeiramente cristã, feita de relações autênticas, em comunidades fundadas no Evangelho.
Numa sociedade multiétnica, que experimenta cada vez mais formas de solidão e de indiferença preocupantes, os cristãos devem oferecer sinais de esperança e ser irmãos universais, cultivando os grandes ideais que transformam a história e comprometendo-se a fazer da Terra a casa de todos os povos.
O mandato de Cristo: «Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a toda a criatura» (Mc 16, 15) continua a ser dirigido a toda a Igreja, a todo o cristão. A Igreja, como foi afirmado pelo Concílio Vaticano II, «é missionária por natureza» (Ad gentes, 2). Com efeito, todos os baptizados receberam o mandato missionário de Cristo, mas este mandato só se pode realizar de maneira credível por meio de uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral, abrindo-se à cooperação missionária entre as Igrejas, para promover o anúncio do Evangelho no coração de todas as pessoas, de todos os povos, culturas, raças e nacionalidades. Como afirma a constituição Lumen gentium do Concílio Vaticano II, a Igreja «é em Cristo como um sacramento e instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo o género humano» (n. 1).
O Dia Mundial das Missões faz-nos lembrar o nosso compromisso de nos entregarmos, o que somos e o que temos, partilhando com generosidade, oferecendo os nossos talentos e recursos, sentindo-nos assim protagonistas do compromisso do anúncio do Evangelho.
Hoje é dia de Santa Teresa do Menino Jesus

Nasceu em Alençon (França) no ano 1873. Entrou ainda muito jovem no mosteiro das Carmelitas de Lisieux e exercitou-se de modo singular na humildade, simplicidade evangélica e confiança em Deus, virtudes que também procurou inculcar especialmente nas noviças do seu mosteiro. Morreu a 30 de Setembro de 1897, oferecendo a sua vida pela salvação das almas e pela Igreja. Discreta e silenciosa, durante a vida quase não chamou a atenção sobre si. Parecia uma freira comum, sem nada de excepcional. Faleceu aos 24 anos, tuberculosa, depois de passar por terríveis sofrimentos. Enquanto agonizava, ouviu duas freiras comentarem entre si, do lado de fora da sua cela: "Coitada da Irmã Teresa! Ela não fez nada na vida... O que nossa Madre poderá escrever sobre ela na circular em que dará aos outros conventos a notícia da sua morte?" Assim viveu Santa Teresinha, desconhecida até mesmo das freiras que com ela compartilhavam a clausura do Carmelo. Somente depois de morta os seus escritos e os seus milagres revelariam ao mundo inteiro a verdadeira envergadura da grande Santa e Mestra da espiritualidade. A jovem e humilde carmelita que abriu, na espiritualidade católica, um caminho novo para atingir a santidade (a célebre "Pequena Via"), foi declarada pelo Papa João Paulo II Doutora da Igreja.
Fonte: Evangelho Quotidiano e Secretariado Nacional de Liturgia


Sábado da 26ª semana do Tempo Comum


Livro de Baruc 4,5-12.27-29.


Coragem, povo meu, que trazes o nome de Israel! Fostes vendidos às nações, mas não para serdes aniquilados. Porque provocastes a ira de Deus, fostes entregues aos inimigos. Irritastes o vosso criador, oferecendo sacrifícios aos demónios e não a Deus. Esquecestes o vosso criador, o Deus eterno, e contristastes Jerusalém, que vos alimentou. Quando viu precipitar-se sobre vós o castigo de Deus, disse: «Escutai, nações vizinhas de Sião! Deus enviou-me um grande tormento.
Vi o cativeiro dos meus filhos e filhas, que o Eterno lhes infligiu. Eu tinha-os criado com alegria e despedi-os com lágrimas e tristeza. Que ninguém se regozije com a minha viuvez e o meu desamparo! Se estou deserta, é por causa dos pecados dos meus filhos, porque se afastaram da Lei de Deus.
Coragem, meus filhos, clamai ao Senhor, porque aquele mesmo que vos provou, há-de lembrar-se de vós. Se um dia quisestes afastar-vos de Deus, convertei-vos, agora, e procurai-o com um empenho dez vezes maior; pois aquele que vos enviou o castigo vos trará a alegria eterna da vossa salvação.»


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São Lucas, 10,17-24


Naquele tempo, os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo:
«Senhor, até os demónios se sujeitaram a nós, em teu nome!»
Disse-lhes Ele:
«Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Olhai que vos dou poder para pisar aos pés serpentes e escorpiões e domínio sobre todo o poderio do inimigo; nada vos poderá causar dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu.»
Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lho.»
Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular:
«Felizes os olhos que vêem o que estais a ver. Porque digo-vos: muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram!»

«Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo»



Comentário ao Evangelho do dia feito por São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia e posteriormente bispo de Constantinopla; doutor da Igreja. Homilia 1 sobre a 1ª carta aos Tessalonicenses
«Vós fizestes-vos imitadores nossos e do Senhor», diz Paulo. Como? «Acolhendo a Palavra em plena tribulação, com a alegria do Espírito Santo» (1Ts 1,6). [...] A prova afecta a parte material do nosso ser; a alegria brilha nas alturas espirituais. Passo a explicar: os acidentes da vida são tristes e penosos, mas os resultados são alegres, assim o querendo o Espírito. É portanto possível que não nos alegremos ao sofrer, se estivermos a sofrer pelos nossos pecados, mas até deixaremos que nos flagelem com alegria, se for por Cristo (cf. Act 5,41).
É a isto que o apóstolo chama a «alegria do Espírito»; respiramo-la naquilo que a natureza rejeita com horror. Suscitaram em vós mil penas, diz ele, fostes perseguidos, mas o Espírito não vos abandonou nessas provas. Tal como os três jovens foram envolvidos por uma suave brisa matinal na fornalha (cf. Dn 3,50), vós também estais a ser provados. Certamente que a brisa matinal não dependia da natureza do fogo e só podia ser causada pelo sopro do Espírito. Também não está na natureza da provação alegrar-vos, e essa alegria só pode vir dum sofrimento suportado por Cristo, da brisa matinal do Espírito, que transforma num local de repouso a fornalha da provação. «Com alegria» diz ele, e não com uma alegria qualquer, mas com uma alegria inesgotável; é isso que é preciso entender, desde que o Espírito seja o seu autor. 

domingo, 25 de setembro de 2011

26º domingo do tempo comum


Evangelho segundo S. Mateus 21, 28-32 


Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo:
«Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: 'Filho, vai hoje trabalhar na vinha.' Mas ele respondeu: 'Não quero.’ Mais tarde, porém, arrependeu-se e foi.  Dirigindo-se ao segundo, falou-lhe do mesmo modo e ele respondeu: 'Vou sim, senhor.’ Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?»
Responderam eles: «O primeiro.»
Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os cobradores de impostos e as meretrizes vão preceder-vos no Reino de Deus. João veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os cobradores de impostos e as meretrizes acreditaram nele. E vós, nem depois de verdes isto, vos arrependestes para acreditar nele.»


As leituras para este domingo, bem como análise e propostas de reflexão podem ser encontradas no Portal dos Dehonianos
Foto: Ordem dos Carmelitas Espanha

domingo, 19 de junho de 2011

Solenidade da Santíssima Trindade

«Deus enviou o seu Filho ao mundo para que o mundo seja salvo por Ele»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São João, 3,16-18

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos:
«Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita n’Ele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus».

Propomos o Portal dos Dehonianos para a leitura das outras Escrituras, bem como reflexões a propósito desta solenidade.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Na audiência geral de quarta-feira, Bento XVI denuncia a «sedução da idolatria»
«Onde se cancela Deus o homem torna-se escravo de ideologias e do niilismo»

Ao absoluto de Deus, que o crente responda com um amor total: foi a vibrante exortação de Bento XVI durante a audiência-geral desta quarta-feira na Praça de S. Pedro, dedicada à figura do profeta Elias. O Papa recordou que num tempo em que Israel estava a ceder à sedução da idolatria, Elias colocou o povo diante da própria verdade, levando-o assim à salvação. Bento XVI denunciou as esperanças suscitadas pelos falsos deuses e afirmou que a “sedução da idolatria” é uma “contínua tentação do crente”. O ídolo é uma “realidade enganadora” concebida pelos seres humanos como algo de que se pode dispor “com as próprias forças”, sublinhou . “A adoração do ídolo, em vez de abrir o coração humano à Alteridade, a uma relação libertadora que permita sair do espaço apertado do próprio egoísmo para aceder às dimensões do amor e do dom recíproco, encerra a pessoa no círculo exclusivo e desesperante da procura de si”
Como consequência, a pessoa é “forçada a acções extremas”, na “ilusória tentativa” de submeter o ídolo à própria vontade, assinalou o Papa na catequese dedicada como dissemos ao profeta Elias, personagem que a Bíblia situa no século IX a.C, época em que parte de Israel vivia numa “situação de aberto sincretismo”.
“Ao absoluto de Deus, o crente deve responder com um amor absoluto, total, que empenhe toda a sua vida, as suas forças, o seu coração”, frisou Bento XVI, para quem Elias, cujo nome significa ‘O meu Deus é o Senhor’, é “um modelo de oração de intercessão”. A atenção que o profeta merece por parte dos cristãos radica no episódio bíblico em que ele desafiou o povo a escolher entre a idolatria e o culto ao “Deus verdadeiro”, apelando “à conversão” e ao reconhecimento do monoteísmo. “Ao olharmos para o exemplo de Elias, possamos ficar cada vez mais convencidos do poder da oração de intercessão, de tal modo que ajudemos todas as pessoas a conhecer o único Deus verdadeiro”, cuja “plena e definitiva manifestação é a cruz de Jesus”, afirmou o Papa, que apelou à recusa de “todas as formas de idolatria”.
Num período em que se aproximam as férias e os exames escolares, Bento XVI desejou aos jovens que este tempo seja vivido com “serenidade” e “entusiasmo da fé”. Bento XVI estimulou os fiéis a manter viva a “bela tradição” do Sagrado Coração de Jesus, que os católicos assinalam habitualmente em Junho, embora este ano o calendário tenha situado a solenidade a 1 de Julho. A alocução incluiu um “pensamento particular” para os ramos masculino e feminino dos Missionários da Consolata e para a congregação Filhas da Divina Providência, reunidas em capítulo geral.
Em língua portuguesa, Bento XVI disse:
Queridos irmãos e irmãs,
Na história religiosa de Israel, sobressai a figura de Elias, cujo nome significa: «O meu Deus é o Senhor». E, com o nome concorda a sua vida, toda ela votada a provocar no povo de Israel - que se extraviara atrás dos ídolos – o regresso ao Senhor seu Deus. Um dia reuniu o povo no Monte Carmelo, desafiando-o a escolher entre o Deus verdadeiro e os ídolos. Tanto ele, o profeta do Senhor, como os profetas de Baal vão preparar um sacrifício sem atear o fogo; depois cada um invoca o seu Deus. Aquele dos dois que responder, enviando o fogo para queimar o sacrifício, será o verdadeiro Deus. Elias rezou assim: «Respondei-me, Senhor, para que este povo reconheça que sois o verdadeiro Deus e converteis os seus corações». Com a sua súplica, pede a Deus aquilo que o próprio Deus deseja fazer: manifestar-Se em toda a sua misericórdia, fiel à própria realidade de Senhor da vida que perdoa e converte. E o Senhor responde, enviando o fogo que consome a vítima do sacrifício. E o povo reencontrou a estrada da verdade, reencontrou-se a si mesmo: «O Senhor é o nosso Deus».
Amados peregrinos de língua portuguesa, uma saudação amiga de boas-vindas para todos, com menção especial para os fiéis das paróquias de Nossa Senhora da Conceição, em Angola, São Sebastião de Campo Grande, no Brasil, e São Julião da Barra, em Portugal. Possa esta peregrinação ao túmulo dos Apóstolos ajudar-vos na vida a cooperar plenamente com os desígnios de salvação que Deus tem sobre a humanidade. Como estímulo e penhor de graças, dou-vos a minha Bênção.

Fonte: Rádio Vaticano
Comunicado do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa a propósito do momento presente da Sociedade Portuguesa

«Os cristãos e todos os portugueses sabem que nós, Bispos e sacerdotes, evitamos tomar posição sobre as questões da política directa, preservando o nosso ministério espiritual, da polémica que naturalmente acompanha o debate partidário. Foi por isso que não respondemos às diversas solicitações que nos foram feitas para que falássemos no período que antecedeu as últimas eleições legislativas.
E se o fazemos hoje, depois do Povo Português ter indicado, pelo seu voto, o rumo que deseja para Portugal, não é para comentarmos politicamente os resultados, mas porque achamos que a Palavra da Igreja pode ajudar a discernir o caminho da salvaguarda do “bem-comum” de toda a sociedade, no momento difícil que Portugal atravessa.
Verificámos que alguns líderes políticos, no calor da disputa eleitoral, referiram a Doutrina Social da Igreja para secundar as suas propostas políticas. Tinham o direito de o fazer, pois a vastíssima doutrina da Igreja sobre a sociedade pode, realmente, inspirar programas de governação. É nessa perspectiva que ousamos, neste momento particularmente delicado do nosso País, sublinhar os seguintes aspectos:
1. A prioridade do “bem-comum” de toda a sociedade sobre interesses individuais e grupais é um dos pilares da doutrina da Igreja sobre a sociedade e que pode, neste momento, inspirar as opções governativas. Vamos pôr o bem da sociedade em primeiro lugar. Isso exige generosidade de todos na colaboração e aceitação dos caminhos necessários, na partilha de energias e bens, na moderação das opções ideológicas e estratégicas. Partidos, sobretudo os seus representantes que o Povo elegeu, as associações laborais, empresariais e outras, são chamados à generosidade de defenderem os seus direitos e interesses, dando prioridade total ao bem de toda a sociedade.
2. Além de generosidade, este momento exige, de todos os portugueses, grande realismo. A situação diminui a margem, legítima em democracia, para utopias. É este sentido de realismo que nos indica que devemos procurar soluções para Portugal no quadro social, político-económico em que está inserido: União Europeia, zona da moeda única, conjunto de países que se estruturam na base do respeito pela pessoa humana e pela sua liberdade, concretamente da liberdade de iniciativa económica.
Isto não pode resignar-se ao inevitável. Portugal tem de dar o seu contributo à evolução positiva, concretamente da União Europeia e da zona Euro, e só o fará se resolver positivamente, reconquistando a credibilidade, o momento que passa. Deve fazê-lo procurando que o esforço de equilíbrio financeiro não prejudique a economia, e que não se relativize a importância da saúde, da cultura e da educação.
3. A Doutrina Social da Igreja baseia a prioridade do “bem-comum” na vocação comunitária da sociedade. Esta não é um agregado de “indivíduos”, mas tende a ser comunidade, onde cada um se sente co-responsável pelo bem de todos, onde cada homem e mulher é nosso irmão.
Esta dimensão comunitária é prioritária na visão da Igreja. O amor fraterno, com a capacidade de dom, é o valor primordial na construção da sociedade. Sempre, mas de modo especial neste momento que atravessamos, os pobres, os desempregados, os doentes, as pessoas de idade, devem estar na primeira linha do amor dos cristãos. Este é um dever prioritário da Igreja, que ela quer realizar pelos seus meios próprios, mas em colaboração com todos os que procuram o “bem-comum”. Esta atitude exige generosidade e capacidade de dom, de que o voluntariado é uma expressão nobre. Os próximos tempos vão exigir partilha de bens. Mas não é a mesma coisa partilhar generosamente, e ser obrigado a distribuir. Temos de criar um dinamismo colectivo de generosidade e de partilha voluntária, fundamentada no amor à pessoa humana.
4. Há ainda na nossa sociedade muitas expressões de egoísmo, que vão desde a corrupção ao enriquecimento ilícito, a uma visão egocêntrica do lucro, etc. Uma ética da generosidade, da honestidade e da verdade tem de fazer parte da cultura a valorizar. O próprio sistema de justiça tem de ser um serviço que combata os atropelos à generosidade, à honestidade e à verdade. Sem um bom sistema de justiça, nenhuma sociedade será verdadeiramente justa.
Este momento de crise pode levar-nos a todos a lançar os dinamismos para a construção de uma sociedade mais fraterna e solidária. A Igreja quer, não apenas pela sua palavra, mas pelo seu compromisso na acção, ser a afirmação da esperança.
Fátima, 14 de junho de 2011».

Fonte: Agência Ecclesia
Presidente do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização alerta para mudança de paradigmas
Igreja tem de evitar afastamento de Deus no mundo ocidental

O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização afirmou em Fátima que a Igreja Católica deve estar atenta ao “secularismo” que quer afastar o mundo ocidental da “sua relação fundamental com Deus”. Falando aos participantes nas jornadas pastorais do episcopado, D. Salvatore Rino Fisichella precisou que são as “Igrejas de antiga tradição as que se sentem prejudicadas por esta situação”, embora “ninguém pareça fugir a esta dramática situação que cria um ‘deserto interior’, porque afasta o homem de si próprio. Este é um dos motivos para promover a nova evangelização”, assinalou o responsável.
O arcebispo italiano que pronunciou três conferências, considerou “prioritário” um esforço destinado a “recuperar a consciência daquilo que determina a conduta das pessoas. É necessário e urgente, em primeiro lugar, compreender que nos encontramos diante de uma mudança real de paradigmas do pensamento e da linguagem que não já permitem enfrentar a vida, o mundo, a relação com os outros, a fé e os grandes valores como no passado”, alertou. “Diante da possibilidade de Jesus Cristo não é possível manter a neutralidade: é preciso dar uma resposta se queremos achar um significado à nossa vida”, acrescentou. Noutra passagem das suas intervenções, o membro da Cúria Romana sublinhou que há “uma coisa que pode ser constantemente verificada nos dois mil anos do cristianismo: a atenção permanente que a comunidade cristã teve em relação ao tempo no qual vivia e ao contexto cultural”. Para o arcebispo Fisichella, a “crise dos dias de hoje” está ligada ao tema de Deus, afirmando que este “não é negado, mas é desconhecido. É por isto que o verdadeiro desafio se esconde em como poder e saber falar de Deus hoje, é preciso dar uma resposta se queremos achar um significado à nossa vida”,”, disse aos participantes nas jornadas, promovidas pela Conferência Episcopal Portuguesa. Outro tema abordado foi o enquadramento dos “movimentos e das associações”: “Os movimentos que conhecemos, e muitos outros que nasceram nestes anos, têm uma riqueza inegável e não são alternativos à paróquia, mas complementares”. As jornadas reuniram cerca de 80 pessoas, entre as quais 45 bispos e representantes das mais diversas dioceses, congregações religiosas e movimentos eclesiais.
Fonte: OC/DR/Agência Ecclesia

terça-feira, 14 de junho de 2011

Bento XVI na abertura do congresso eclesial da diocese de Roma
«A fé não se conserva por si mesma no mundo, não se transmite automaticamente no coração do homem, mas deve ser sempre anunciada»

O Papa Bento XVI inaugurou na tarde de ontem, na Basílica de S. João de Latrão, o congresso eclesial da dioceses de Roma sobre o tema: “Estas palavras emocionaram-nos até ao fundo do coração”. A alegria de gerar a fé na Igreja de Roma.
Depois dos primeiros dois anos de reflexão dedicados à participação na Missa dominical,e o testemunho da caridade, o itinerário de verificação pastoral centra-se no próximo biénio na iniciação cristã, a partir do trabalho efectuado nos meses passados sobre este tema pela pastoral ordinária. A reflexão tocará também as famílias na sua tarefa educativa e a formação dos catequistas. No discurso proferido na Basílica de S. João de Latrão o Papa insistiu na necessidade de voltar a proclamar a Boa Nova nas regiões de antiga tradição cristã e exortou a percorrer o caminho no qual se descobre o Evangelho, não como uma utopia, mas como uma forma de vida plena. Bento XVI salientou também que a fidelidade à fé da Igreja deve conjugar-se com a criatividade catequética que tenha na devida conta o contexto, a cultura e a idade do destinatário.
Citando uma das intervenção durante o sínodo romano, o Papa disse: "a fé não deve ser pressuposta mas proposta. É precisamente assim. A fé não se conserva por si mesma no mundo, não se transmite automaticamente no coração do homem, mas deve ser sempre anunciada. E o anúncio da fé, por sua vez, para ser eficaz deve partir de um coração que acredita, que espera, que ama, um coração que adora Cristo e acredita na força do Espírito Santo”. Um anúncio – prosseguiu Bento XVI – que deve ressoar de novo nas regiões de antiga tradição cristã e que se resume na necessidade, já advertida por João Paulo II, de uma nova evangelização dirigida a todos aqueles que apesar de conhecerem a fé, não apreciam a beleza do cristianismo, e inclusive é possível que o considerem como um obstáculo para alcançar a felicidade. Neste contexto o Papa repetiu as suas palavras aos jovens na jornada mundial da juventude de Colónia: ”a felicidade que procurais, a felicidade a que tendes direito tem um nome e um rosto: Jesus de Nazaré escondido na Eucaristia”. Bento XVI manifestou o desejo de que aumente o compromisso com uma renovada temporada de evangelização que não é só o trabalho de alguns, mas de todos os membros da Igreja. Porque como salientou o Papa, cada um dos fiéis baptizados é mensageiro deste anuncio.
Em primeiro lugar os pais que são chamados a colaborar com Deus na transmissão do dom inestimável da vida, porém também devem fazer conhecer Aquele que é a Vida. Neste sentido Bento XVI assegurou aos pais o apoio da Igreja nesta missão fundamental. Além disso o Papa referiu-se ao trabalho que a comunidade cristã deve fazer na formação dos adolescentes ajudando-os não só a compreender com a inteligência as verdades da fé mas também com as experiências de oração, de caridade e de fraternidade. A palavra da fé – salientou o Papa a concluir – corre o perigo de permanecer muda se não encontrar uma comunidade que a põe em prática, tornando-a viva e atraente como experiência da realidade da vida verdadeira.
Fonte: Rádio Vaticano
Peregrinação internacional aniversária de Junho em Fátima
É essencial pesar as coisas

D. Joaquim Gonçalves, bispo emérito de Vila Real, que presidiu à peregrinação internacional aniversária de Junho, lançou a partir de Fátima o apelo a uma reflexão “serena” sobre a actualidade: “É tanta a confusão espalhada pelas televisões, pela Internet, pelos meios de comunicação social, pelo linguarejar de tantos discursos, que parece que faz falta uma balança que dê o peso das coisas, que dê o sentido das palavras, que dê o equilíbrio ao raciocínio humano”, disse. Em final de ano escolar, o prelado lembrou que “uma certa instrução, uma certa capacidade de reflectir, uma serenidade de análise, uma possibilidade de pesar as coisas é hoje essencial”.
No mesmo momento da homilia, que proferiu na eucaristia desta manhã no Santuário de Fátima, D. Joaquim Gonçalves lembrou os ídolos que prejudicam o necessário discernimento da realidade e a forma de os destruir: “Uma profissão exercida sem ética, uma educação ministrada sem valores religiosos, o tempo e o espaço tomados como realidades eternas, a própria natureza olhada como mera fonte de lucro e não como berço que Deus deu ao Homem para nele viver, são ídolos que se destroem por uma reflexão serena e por um coração piedoso”, disse.
Receberam a bênção do doente, durante a celebração eucarística, 130 pessoas. “As nossas dificuldades, os nossos sofrimentos e as nossas dores, são o fogo que purifica a nossa vida e a nossa fé, até que o nosso Deus veja a sua imagem em nós”, disse o capelão do Santuário de Fátima P. Clemente Dotti nesse momento aos doentes. “Claro que temos que confiar nos médicos e nas pessoas que nos rodeiam, mas além das limitações humana sempre há a graça de Deus Pai. Ele está ao nosso lado e é o único que pode transformar em valor as nossas dores”, afirmou também. Anunciaram-se junto do Serviço de Peregrinos do Santuário como participantes nesta peregrinação 35 grupos de peregrinos, oriundos de 12 diferentes países. Durante estes dias de peregrinação, 134 pessoas foram atendidas no Posto de Socorros do Santuário e 220 no acolhimento “Lava-pés”. Confessaram-se 1079 fiéis.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo Padre na solenidade do Pentecostes
A Igreja é católica desde o primeiro momento
 
"Graças ao Espírito Santo recebido no Pentecostes, a Igreja é católica desde o primeiro momento e abraça o mundo inteiro”: sublinhou-o Bento XVI, na homilia da missa, na basílica de São Pedro. Começando por evocar o Salmo responsorial, o Papa pôs em destaque que o Espírito do Pentecostes é o Espírito que animou a Criação. Criação e Redenção constituem um só mistério de amor e salvação: “o Espírito criador de todas as coisas, e o Espírito Santo que Cristo fez descer do Pai sobre a comunidade dos discípulos, são um e mesmo (Espírito): criação e redenção pertencem-se reciprocamente e constituem, em profundidade, um único mistério de amor e de salvação. Para nós cristãos, o mundo é fruto de um acto de amor de Deus, que fez todas as coisas e do qual Ele se alegra porque é ‘coisa boa’, ‘coisa muito boa'. Portanto Deus não é o totalmente Outro, inominável e obscuro. Deus revela-se, tem um rosto. Deus é razão, Deus é vontade, Deus é amor, Deus é beleza”.
Passando depois à segunda leitura (da primeira Carta aos Coríntios), Bento XVI fez notar que também aqui se adverte a relação entre o Pai e o Filho, no mistério do Espírito Criador. O Espírito Santo é Aquele que nos faz reconhecer Cristo como o Senhor. Finalmente o Evangelho “oferece uma maravilhosa imagem para clarificar a ligação entre Jesus, o Espírito Santo e o Pai: o Espírito Santo é representado como o sopro de Jesus Cristo ressuscitado”. “O Espírito Santo, Criador, é ao mesmo tempo Espírito de Jesus Cristo, de tal modo, porém, que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só e único Deus”. E, à luz da primeira Leitura, observou o Papa, podemos ainda acrescentar: “o Espírito Santo anima a Igreja. Esta não deriva da vontade humana, da reflexão, da habilidade do homem e da sua capacidade organizativa. A Igreja é – sim – o Corpo de Cristo, animado pelo Espírito Santo”.
Com o acontecimento do Pentecostes exprime-se um novo Sinai, o dom de um novo Pacto, em que a aliança com o povo de Israel se estende a todos os povos da Terra. E este facto é referido por são Lucas através do elenco de tantas diferentes populações. É-nos assim dito uma coisa muito importante: “que a Igreja é católica desde o primeiro momento, que a sua universalidade não é o fruto da inclusão sucessiva de diversas comunidades. De facto, desde o primeiro instante o Espírito Santo criou-a como a Igreja de todos os povos. Ela abraça o mundo inteiro, ultrapassa todas as fronteiras de raça, classe, nação; abate todas as barreiras e une os homens na profissão do Deus uno e trino. Desde o início a Igreja é una, católica e apostólica: é esta a sua verdadeira natureza e como tal deve ser reconhecida. Ela é santa, não graças à capacidade dos seus membros, mas porque o próprio Deus, com o seu Espírito, a cria e santifica sempre”.
E Bento XVI concluiu a homilia de Pentecostes recordando a “belíssima expressão” do Evangelho do dia: “Os discípulos rejubilaram ao ver o Senhor”. “Estas palavras são profundamente humanas. O Amigo perdido está de novo presente, e quem antes estava perturbado e ansioso, agora alegra-se. Mas (a expressão) diz muito mais ainda. Porque o Amigo perdido não vem de um lugar qualquer, mas sim da noite da morte, que Ele atravessou! Ele não é uma pessoa qualquer, mas o Amigo e ao mesmo tempo Aquele que é a Verdade que faz viver os homens. E isto dá, não uma alegria qualquer, mas a própria alegria, dom do Espírito Santo”.

domingo, 12 de junho de 2011


Solenidade do Pentecostes
«Recebei o Espírito Santo... »

Vinde, ó santo Espírito, vinde, Amor ardente,
acendei na terra vossa luz fulgente.
Vinde, Pai dos pobres: na dor e aflições,
vinde encher de gozo nossos corações.
Benfeitor supremo em todo o momento,
habitando em nós sois o nosso alento.
Descanso na luta e na paz encanto,
no calor sois brisa, conforto no pranto.
Luz de santidade, que no Céu ardeis,
abrasai as almas dos vossos fiéis.
Sem a vossa força e favor clemente,
nada há no homem que seja inocente.
Lavai nossas manchas, a aridez regai,
sarai os enfermos e a todos salvai.
Abrandai durezas para os caminhantes,
animai os tristes, guiai os errantes.
Vossos sete dons concedei à alma
do que em Vós confia: Virtude na vida,
amparo na morte, no Céu alegria.



Leitura dos Actos dos Apóstolos, 2, 1-11

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se  encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam:«Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São João, 20,19-23


Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes ão perdoados;  e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Peregrinação encheu de cor o Santuário com milhares de participantes
Crianças convidadas a construir um «Portugal melhor»


O bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, convidou hoje as crianças presentes em Fátima a “construir um mundo e um Portugal melhor”. Na homilia da missa da peregrinação nacional das crianças, esta manhã, o prelado afirmou que no actual momento de crise todos precisam de “olhar o futuro com verdade, alegria e esperança”. “Com Jesus e com a ajuda de Nossa Senhora queremos construir um mundo e um Portugal melhor. A pensar em vós e a trabalhar e a rezar convosco”, indicou.
Perante milhares de participantes de todo o país, António Francisco dos Santos referiu que em Fátima “Nossa Senhora falou muito de Jesus a Lúcia, Jacinta e Francisco e ensinou estes três pastorinhos, crianças da vossa idade, a serem amiguitos de Jesus”. Neste ano de arranque da celebração do centenário das aparições na Cova da Iria, que ocorre em 2017, as actividades propostas pelo santuário mariano basearam-se nas aparições do anjo e propõem como tema ‘Pai, Filho e Espírito Santo, eu Vos adoro’. “Adorar a Deus, é dizer a Deus o que sentimos no nosso coração. Como quando damos um beijinho aos nossos pais e eles sabem o amor que sentimos por eles. Nós adoramos a Deus, quando, ao acordarmos, saudamos os nossos pais, os nossos irmãos e depois, ao longo do dia, as outras pessoas”, disse o bispo de Aveiro. “Adoramos a Deus quando sorrimos e dizemos bem de alguém, quando no nosso coração pensamos ou dizemos que gostamos muito de Deus, quando na escola estamos com atenção e fazemos os trabalhos bem feitos, quando não estragamos a água e as plantas, quando participamos na catequese, quando rezamos, quando convidamos os nossos pais a rezar connosco”, acrescentou.
Durante a missa, foram dados a conhecer os resultados da campanha de catequese desenvolvida junto das crianças durante o mês de maio. “Na descoberta do tesouro que é Jesus, Ele mesmo foi recebendo muitos pequeninos tesouros vossos. Vamos trazê-los para junto do grande baú do tesouro que está aqui diante de nós. Aí estão alguns deles, muitos mesmo! Estes, são os tesouros de alguns de vós, mas são o sinal dos tesouros das crianças de Portugal e do mundo inteiro”, disse D. António Francisco dos Santos. O bispo pediu às crianças que digam aos seus pais que Jesus é “Grande Tesouro”, que é necessário “continuar a descobrir sempre mais”. No fim da eucaristia, como é habitual neste encontro, foi oferecido um presente-surpresa às crianças pelo reitor do santuário.
Fonte: OC/Agência Ecclesia Foto: Rádio Renascença

Audiência geral das quartas-feiras

Que a Europa não tenha medo de Deus...

Que a Europa não tenha medo de Deus, mas preserve e renove as suas raízes cristãs: foi o que afirmou Bento XVI durante a audiência geral desta quarta-feira na Praça de S. Pedro, dedicada à recente viagem apostólica à Croácia. O Papa deteve-se em particular sobre o papel da família cristã na Igreja e na sociedade de hoje. A fidelidade conjugal, disse, tornou-se de per si um testemunho do amor de Cristo. Bento XVI salientou antes de mais “a urgência do desafio” colocado aos povos do Velho Continente: “Não terem medo do Deus de Jesus Cristo”, que “nada tira da liberdade mas restitui-a a si mesmo e dá-lhe o horizonte de uma esperança de confiança”.
Bento XVI frisou que “a mais profunda vocação da Europa” consiste em “guardar e renovar um humanismo que coloque no centro a consciência do homem, a sua abertura transcendente e ao mesmo tempo a sua realidade histórica”. O Papa sublinhou que este humanismo é capaz de “inspirar projectos políticos diversificados mas convergentes na construção de uma democracia substancial, fundada sobre valores éticos radicados na própria natureza humana”. O motivo principal da visita à Croácia, rica pelo seu “património espiritual, ético e cultural” e “que se prepara para entrar na União Europeia”, foi a primeira jornada nacional das famílias católicas croatas. “Na Europa de hoje, as nações de sólida tradição cristã têm uma especial responsabilidade em defender e promover o valor da família fundada no matrimónio, que continua a ser decisiva no campo educativo e no campo social”. Num tempo em que se “constata a multiplicação das separações e dos divórcios”, o Papa realçou que o matrimónio é a “união de um homem e de uma mulher”, que com o apoio divino se “amam e ajudam por toda a vida, na alegria e na dor, na saúde e na doença”.
A primeira educação para a fé, assinalou Bento XVI, consiste no testemunho da fidelidade ao pacto conjugal: “A partir dela os filhos aprendem sem palavras que Deus é amor fiel, paciente, respeitoso e generoso”. No encontro com bispos, padres e religiosos, o Papa apontou o exemplo do beato Alojzije Stepinac, cardeal que se opôs ao nazismo, fascismo e comunismo, tendo morrido devido a doença contraída na prisão. “Este momento de oração, enriquecido pela presença de tantos irmãos e irmãs que dedicaram a vida ao Senhor, foi para mim de grande conforto, e rezo para que a família croata seja sempre terreno fértil para o nascimento de numerosas e santas vocações”.
O programa da deslocação papal, que teve como lema ‘Juntos em Cristo’, incluiu uma vigília com os jovens, em que Bento XVI percebeu “toda a força” da fé da “nova geração croata”, animada por um “grande impulso para a vida e seu significado, para o bem, para a liberdade, ou seja para Deus”. “Foi belo e comovente sentir estes jovens cantar com alegria e entusiasmo, e, depois, no momento da escuta e da oração, recolher-se em profundo silêncio”, lembrou o Papa, que destacou o facto de a visita ter decorrido dias antes do Pentecostes, a celebrar este domingo, quando os católicos vão evocar a efusão do Espírito Santo na Igreja.
A visita, inteiramente realizada na capital, Zagreb, foi “rica de encontros e sobretudo de intenso espírito de fé”, dado que os croatas “são um povo profundamente católico”, afirmou Bento XVI.
Eis as palavras pronunciadas em português Pelo Santo Padre:
Queridos irmãos e irmãs, hoje gostaria de comentar brevemente a minha Visita Pastoral à Croácia, realizada no sábado e domingo passados, tendo como lema “juntos em Cristo”. O motivo principal da visita era a Primeira Jornada Nacional das famílias católicas croatas, cujo ponto culminante foi a celebração eucarística dominical, no hipódromo de Zagreb. Vivida no contexto da novena de Pentecostes, o clima espiritual assemelhava-se a um grande cenáculo, com as famílias invocando juntas o dom do Espírito Santo. No dia anterior, ao entardecer, houve uma vigília com os jovens. Propus-lhes a pergunta que Jesus fez aos seus primeiros discípulos: “Que procurais?”, lembrando-lhes que a alegria da fé é descobrir que Deus é o primeiro a amar-nos. Outros dois momentos importantes da minha visita foram a celebração das vésperas na Catedral, com os bispos, sacerdotes, religiosos, seminaristas e noviços, e o encontro no Teatro Nacional de Zagreb com expoentes ilustres da sociedade civil e religiosa, aos quais, falando da grande tradição cultural croata, recordei a profunda vocação da Europa de zelar e renovar um humanismo que possui raízes cristãs.
Amados peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos saúdo com grande afetco e alegria, de modo especial a quantos vieram de Portugal e do Brasil com o desejo de encontrar o Sucessor de Pedro. Desça a minha bênção sobre vós, vossas famílias e comunidades. Ide em paz!
Mensagem mensal para Mirjana, a 2 de Junho de 2011
Nossa Senhora de Medjugorje, Rainha da Paz


"Queridos filhos, enquanto vos convido à oração pelos que ainda não conheceram o Amor de Deus, se olhardes para os vossos corações compreendereis que falo de muitos de vós. Com o coração aberto, pergunto-vos, sinceramente, se desejais o Deus Vivo ou quereis pô-Lo de parte e viver segundo o vosso desejo. Olhai à volta, filhos Meus, e observai onde vai o mundo que pensa fazer tudo sem o Pai e vagueia nas trevas da prova. Eu ofereço-vos a Luz da Verdade e o Espírito Santo. Estou convosco segundo o Plano de Deus, para  ajudar-vos, a fim de que nos vossos corações vença o Meu Filho, a Sua Cruz e Ressurreição. Como Mãe, desejo e rogo pela vossa união com o Meu Filho e com a Sua Obra. Eu estou aqui. Decidi-vos! Agradeço-vos”.
Fonte: Eco de Maria

Santo Anjo da Guarda de Portugal
«Miguel, um dos chefes principais, veio em meu auxílio»

Leitura da Profecia de Daniel, 10, 2a, 5-6.12-14ab
Naqueles dias, ergui os olhos e vi um homem vestido de linho, com um cinturão de ouro puro. O seu corpo era semelhante ao topázio e o rosto tinha o fulgor do relâmpago;  os olhos eram como fachos ardentes, os braços e as pernas eram brilhantes como o bronze polido e o som das suas palavras era como o rumor duma multidão. Ele disse-me: 

«Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração para compreender e te humilhaste diante do teu Deus, as tuas palavras foram ouvidas. É por causa das tuas palavras que eu venho. O chefe do reino da Pérsia resistiu-me durante vinte e um dias. Então Miguel, um dos chefes principais, veio em meu auxílio. Eu estive lá, a fazer frente ao chefe dos reis da Pérsia, e vim para te explicar o que vai suceder ao teu povo, no fim dos tempos». 

Nota Histórica

Os Anjos que fazem parte desse mundo invisível, a que se estende também a acção criadora de Deus, vivem inteiramente dedicados ao louvor e ao serviço de Deus. A inteligência humana tem dificuldade em exprimir a natureza dessas criaturas espirituais. A sua missão, porém, é-nos mais conhecida através da Bíblia, que, em tantos passos, dá testemunho acerca da existência dos Anjos. Mensageiros de Deus, em momentos decisivos da História da Salvação, os Anjos estão encarregados da Guarda dos homens (Mt. 18, 10: Act. 12,3) e da protecção da Igreja (Ap. 12, 1-9). A fé cristã crê também que cada nação em particular tem um Anjo encarregado de velar por ela. Em Portugal a devoção ao Anjo da guarda é muito antiga. Tomou, porém, um incremento especial com as Aparições do Anjo, em Fátima, aos Pastorinhos. Pio XII mandou inserir esta comemoração no nosso Calendário. (Fonte: Secretariado Nacional de Liturgia)

De Leão X a Pio XII

"A pedido do rei Dom Manuel e dos bispos portugueses, o Papa Leão X instituiu em 1504 a festa do «Anjo Custódio do Reino» cujo culto já era antigo em Portugal. Oficializada a celebração tradicional, Dom Manuel expediu alvarás às câmaras municipais a determinar que essas festas em honra do nosso Anjo da Guarda fossem celebradas com a maior solenidade. Na festa do Anjo de Portugal deveriam participar as autoridades e instituições das cidades e vilas além de todo o povo. Esta celebração manteve o seu esplendor durante os séculos XVI, XVII e XVIII. Por determinação das Ordenações Manuelinas a festa do Anjo de Portugal era equiparada à festa do Corpo de Deus, já então a maior festa religiosa de Portugal, em que toda a nação afirma a sua Fé na presença real de Cristo na Eucaristia.
De acordo com o testemunho dos Pastorinhos de Fátima, em 1915 e 1916 o Anjo de Portugal apareceu por diversas vezes a anunciar as aparições de Nossa Senhora nesta sua Terra de Santa Maria e deu aos Pastorinhos a comunhão com o «preciosíssimo corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo» como ele próprio declarou. O culto do Anjo de Portugal teve o seu maior brilho nas cidades de Braga, Coimbra e Évora, e manteve-se na diocese de Braga onde se celebrava a 9 de Julho. No tempo de Pio XII a festa do Anjo de Portugal foi restaurada para todo o País e transladada para o dia 10 de Junho para que o Dia de Portugal fosse também o Dia do Anjo de Portugal.(Fonte: Faz-te Sempre Presente)

O Anjo da Paz em 1916

As aparições do Anjo de Portugal em Fátima, foram uma preparação dos Pastorinhos para o encontro com Nossa Senhora. Foram igualmente um convite à oração e ao sacrifício de que os Pastorinhos se tornaram exemplo. Na primeira aparição, na Loca do Cabeço, o Anjo disse: “Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo: Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Orai assim: Os Corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”. Relata a Irmã Lúcia: “A atmosfera do sobrenatural que nos envolveu era tão intensa que quase não dávamos conta da própria existência, por um grande espaço de tempo, permanecendo na posição em que nos tinha deixado, repetindo sempre a mesma oração. A presença de Deus sentia-se tão intensa e íntima, que nem mesmo entre nós nos atrevíamos a falar. No dia seguinte, sentíamos o espírito ainda envolvido por essa atmosfera que só muito lentamente foi desaparecendo.
Nesta Aparição, nenhum pensou em falar, nem em recomendar o segredo. Ela de si o impôs. Era tão íntima que não era fácil pronunciar sobre ela a menor palavra. Fez-nos, talvez, também, maior impressão, por ser a primeira assim manifesta” (in Quarta Memória da Irmã Lúcia).
Da segunda vez o Anjo da Paz falou assim: “Que fazeis? Orai, orai muito. Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios”.“Como nos havemos de sacrificar?” “De tudo que puderdes, oferecei a Deus sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar” (in Segunda Memória da Irmã Lúcia).
A última aparição na Loca do Cabeço, relembra a Irmã Lúcia nas suas Memórias:
“Estando, pois, aí, apareceu-nos pela terceira vez, trazendo na mão um cálix e sobre ele uma Hóstia, da qual caíam, dentro do cálix, algumas gotas de sangue. Deixando o cálix e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração: “Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.
“Depois, levantando-se, tomou de novo na mão o cálix e a Hóstia e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o cálix deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo, ao mesmo tempo: Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus” (in Quarta Memória da Irmã Lúcia). (Fonte: Santuário de Fátima)

Cada nação tem um Anjo da Guarda
Uma das manifestações do carinho paternal do Senhor por cada um de nós é a existência dos Anjos, muitos dos quais estão ao nosso serviço. Deus ama-nos infinitamente e valemos tanto a Seus olhos, que nos confiou a estes magníficos e valiosos companheiros. Acreditamos que também cada nação, à semelhança de cada membro da Igreja, tem o seu Anjo. Os Anjos manifestam o carinho de Deus por nós. Nem era de esperar outra coisa, porque, pelo modo como são conduzidas as nações, as pessoas que a elas pertencem podem ter maior ou menor facilidade em se salvarem, já pela legislação, já pela administração da justiça, pela orientação do ensino, da Comunicação Social, ou pela simples abdicação de toda a autoridade, para já não falar da perseguição aberta aos princípios da moral cristã.
Cada nação é como uma família solidária, e a experiência prova que há uma entreajuda para o bem ou para o mal.
O Anjo da Guarda de Portugal defende-nos das armadilhas de Satanás. A Liturgia da Palavra fala-nos do Arcanjo S. Miguel defendendo o Povo de Deus de perigos garantindo, deste modo, a sua subsistência. É uma verdade de fé a existência de espíritos maus – os demónios – que tentam arrastar-nos à desobediência a Deus. Como anjos que continuam a ser, embora revoltados perpetuamente contra Deus, possuem uma inteligência muito superior à nossa; a dos homens é discursiva, lenta, raciocinando, a partir das causas, até aos efeitos e, além disso, muitas verdades permanecem ocultas para ela; a do Anjo é intuitiva, como que penetra dentro da mesma essência das coisas, captando imediatamente a realidade.
Sem a sua ajuda, facilmente seríamos enganados. Supostas estas verdades, é certo e sabido que, abandonados a nós próprios, seríamos facilmente enganados por estes espíritos do mal, se não contássemos com a ajuda dos Anjos fiéis a Deus, para desmantelar e denunciar estas armadilhas.
A existência de um Anjo ao qual a nossa Pátria está confiada recebeu especial incremento com as aparições do Anjo da Guarda de Portugal aos três Pastorinhos de Fátima, em 1916, preparando a visita de Nossa Senhora. Trata-se de revelações particulares nas quais ninguém está obrigado a acreditar, mesmo depois da aprovação oficial da mesma Igreja. Mas seria uma imprudência orgulhosa recusar o testemunho de tantas pessoas sensatas.
O Anjo da Guarda de Portugal tem por missão livrar-nos de todas as adversidades e guardar-nos em todos os nossos caminhos.

Os Anjos, mensageiros da alegria
A presença dos Anjos, na Sagrada Escritura, inspira sempre confiança e alegria, embora num primeiro momento o encontro com o desconhecido possa causar um certo receio, como aconteceu aos pastores de Belém na noite do nascimento do Salvador. Não tenhais medo! Por isso, a primeira frase com que os saúdam é a mesma de Jesus em diversas vezes da vida pública (quando, de noite, foi ao encontro dos Apóstolos, caminhando sobre as águas; ou às santas mulheres junto do sepulcro; ou ainda no Cenáculo).
Também Gabriel começou por dizer a Maria, depois de A ter saudado: «Não temas»! Os Anjos são sempre mensageiros da Graça e da Alegria. Estão ao serviço da missão salvadora de Jesus: «nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é o Messias Senhor».
Actuam com humildade. Tão discretos se conduzem na sua acção, que nem damos pela sua ajuda.


Gratidão para com o Anjo de Portugal
Vivemos em Portugal histórias recentes de incertezas, medo e insegurança. Só no Céu tomaremos conhecimento de quanto ficámos a dever ao Anjo da Guarda de Portugal. Quando se estudarem serenamente e com isenção as últimas décadas da nossa história, talvez possamos compreender com mais clareza como a mão de Deus nos sustentou amorosamente, servindo-se da missão do Anjo da Guarda de Portugal. Invoquemo-lo contra novos perigos. Hoje volta a estar em perigo a nossa fé e, consequentemente, a nossa salvação. Meios poderosos da técnica espalham a corrupção nos corações. Além disso, são muitos os que se deixam tentar pelo suborno, e pela desonestidade nos negócios. Estruturas poderosas espalham a droga, corrompendo e destruindo a nossa juventude que é a promessa do nosso futuro. As famílias sofrem duramente, sem encontrar solução para este doloroso problema. (...) Procuremos também, com alma de criança, marcar presença na Loca do Cabeço, e no Poço do Arneiro, para renovarmos a nossa devoção ao Anjo da Guarda de Portugal.  (Fonte: Celebração Litúrgica)
Fotos por ordem: Anjo de Portugal em Fátima Anjo Custódio do Reino, de Diogo Pires, 1518-1520 - O Portal da História Anjo de Portugal em Fátima