quinta-feira, 12 de abril de 2012

Pensamento mês de Abril

Este mês como reflexão enviei a todos o seguinte:



Muitos de vós pensaram: "Por ser Páscoa a nossa reflexão é o Pai Nosso." Lemos a oração, já com o piloto automático ligado e pronto, não pensamos mais nisso.

Ontem, quando terminamos a nossa ronda, fomos chamados a pensar um pouco nesta oração.

Aqui fica o pensamento deste mês...


Homem: Pai nosso que estais no céu...
DEUS: Sim? Estou aqui...
Homem: Por favor, não me interrompa, estou a rezar!
DEUS: Mas tu chamaste-me!
Homem: Chamei? Eu não ch
amei ninguém. Estou a rezar....                                          
               Pai nosso que estais no céu...
DEUS: Ai, chamaste-me de novo...
Homem: Fiz o quê?
DEUS: Chamaste-me! Tu disseste: Pai nosso que estais no céu. Estou aqui. Como é que posso ajudar-te?
Homem: Mas eu não quis dizer isso. É que estou rezar. Rezo o Pai Nosso todos os dias, sinto-me bem assim. É como se fosse um dever. E não me sinto bem até cumprí-lo...
DEUS: Mas como podes dizer Pai Nosso, sem lembrar que todos são teus irmãos, como podes dizer que estais no céu, se tu não sabes que o céu é a paz, que o céu é amor a todos?
Homem: Realmente ainda não tinha pensado nisso.
DEUS: Mas prossegue a  tua oração.
Homem: Santificado seja o Vosso nome...
DEUS: Espera ai! O que queres tu dizer com isso?
Homem: Quero dizer... quer dizer, é... sei lá o que significa. Como é que vou saber? Faz parte da oração, só isso!
DEUS: Santificado significa digno de respeito, Santo, Sagrado.
Homem: Agora entendi. Mas nunca tinha pensado no sentido dessa palavra SANTIFICADO. "Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu..."
DEUS: Estás a falar a sério?
Homem: Claro! Porque não?
DEUS: E o que é que fazes para que isso aconteça?
Homem: O que faço? Nada! É que faz parte da oração, além disso seria bom que o Senhor tivesse um controle de tudo o que acontecesse no céu e na terra também.
DEUS: Tenho controle sobre ti?
Homem: Bem, eu frequento a igreja!
DEUS: Não foi isso que Eu perguntei! Pergunto pela forma como tratas os teus irmãos, a maneira como gastas o teu dinheiro, o muito tempo que dás  à televisão, as propagandas e o pouco tempo que dedicas a Mim...
Homem: Por favor. Pare de criticar!
DEUS: Desculpa. Pensei que estavas a  pedir para que fosse feita a minha vontade. Se isso  acontecer tem que ser com aqueles que rezam, mas que aceitam a minha vontade. O frio, o sol, a chuva, a natureza, a comunidade.
Homem: Esta certo, tens razão. Acho que nunca aceito a Sua vontade, pois reclamo de tudo: se manda chuva, peço sol, se manda o sol reclamo do calor, se manda frio, continuo a reclamar, se estou doente, peço saúde, mas não cuido dela, deixo de me alimentar ou como muito...
DEUS: Ótimo reconhecer tudo isso. Vamos trabalhar juntos Eu e tu, mas olha, vamos ter vitórias e derrotas. Estou gostar dessa nova atitude.
Homem: Olha Senhor, preciso terminar agora. Esta oração está a demorar muito mais do que costuma ser. Vou continuar: ... "o pão nosso de cada dia nos dai hoje..."
DEUS: Pára ai! Estas  a pedir pão material? Não só de pão vive o homem, mas também da minha palavra. Quando Me pedires o pão, lembre-se daqueles que nem conhecem o pão. Podes pedir-me o que quiser, desde que me vejas como um Pai amoroso! Eu estou interessado na próxima parte de tua oração. Continua!
Homem: "Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..."
DEUS: E o teu irmão desprezado?
Homem: Está a ver? Olhe Senhor, ele já criticou várias vezes e não era verdade o que dizia. Agora não consigo perdoar. Preciso vingar-me.
DEUS: Mas, e a tua oração? O que quer dizer a tua oração? Tu chamaste-me, e eu estou aqui, quero que saias daqui transfigurado, estou a gostar de te ver ser honesto. Mas não é bom carregar o peso da ira dentro de ti, não achas?
Homem: Acho que iria sentir-me  melhor se me vingasse!
DEUS: Não vais não! Vais-te sentir pior. A vingança não é tão doce quanto parece. Pensa na tristeza que me causarias, pensa na tua tristeza agora. Eu posso mudar tudo para ti. Basta quereres.
Homem: Pode? Mas como?
DEUS: Perdoa o teu irmão, Eu perdoar-te-ei a ti  e te aliviarei.
Homem: Mas Senhor, eu não posso perdoá-lo.
DEUS: Então não me peças perdão também!
Homem: Mais uma vez está certo! Mas só quero vingar-me, quero a paz com o Senhor. Esta bem, esta bem, eu perdô-o a todos, mas ajude-me Senhor. Mostre-me o caminho certo para mim e  para os meus inimigos.
DEUS: Isto que tu pedes é maravilhoso, estou muito feliz contigo. E tu? Como  te estás a sentir?
Homem: Bem, muito bem mesmo! Para falar a verdade, nunca me havia sentido assim! É tão bom falar com Deus.
DEUS: Ainda não terminamos a oração. Prossegue...
Homem: "E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal..."
DEUS: Ótimo, vou fazer justamente isso, mas não te ponhas em situações onde possas ser tentado.
Homem: O que quer dizer com isso?
DEUS: Deixa de andar na companhia de pessoas que te levam a participar em coisas sujas, intrigas, fofocas. Abandona a maldade, o ódio. Isso tudo vai levar-te para o caminho errado. Não uses tudo isso como saída de emergência!
Homem: Não estou a entender!
DEUS: Claro que entendes! Já fizeste isso comigo várias vezes. Entra no erro, depois corre a pedir-me socorro.
Homem: Estou com muita vergonha, Perdoa-me Senhor!
DEUS: Claro que perdoo! Sempre perdôo a quem esta disposto a perdoar também, mas não te esqueças, quando me chamares, lembra-te da nossa conversa, medita cada palavra que disseres... Termina a  tua oração.
Homem: Terminar? Ah, sim, "AMÉM!"
DEUS: O que quer dizer AMÉM?
Homem: Não sei. É o final da oração.
DEUS: Só deves dizer AMÉM quando aceitas dizer tudo o que Eu quero, quando concordas com minha vontade, quando segues os meus mandamentos.
Porque AMÉM! quer dizer, ASSIM SEJA, concordo com tudo que rezei.
Homem: Senhor, obrigado por me ensinares esta oração e agora obrigado por me fazer  entendê-la.
DEUS: Eu amo cada um dos meus filhos, amo mais ainda aqueles que querem sair do erro, aqueles que querem ser livres do pecado. Abençôo-te e fica com minha paz!
Homem: Obrigado Senhor! Estou muito feliz por saber que és meu amigo.




domingo, 18 de março de 2012

Lição de 4ª. Feira

"Algumas vezes sabemos dentro de nós que devemos fazer qualquer coisa semelhante a plantar uma árvore, mesmo sabendo que nunca comeremos dos seus frutos nem descansaremos à sua sombra.

Ou descobrimos que devemos aplicar-nos não tanto ao nosso pequeno problema, mas a reconstruir as ruínas imensas que nos rodeiam. E nunca como então somos tão grandes. E nunca como então estamos tão perto de nós mesmos."

Paulo Geraldo

Quem planta uma árvore mesmo sabendo que nunca comerá dos seus frutos, não é egoísta, e também não o é quem está mais interessado em acorrer à fragilidade do outro do que interessado em sí próprio.

Este foi o belo pensamento que a dupla Suzana/Hugo nos deixaram para meditarmos durante a semana que antecedeu a nossa última saída na Quarta-Feira.

É o altruísmo a prevalecer sobre o egoísmo, o amor sobre o ódio, a generosidade sobre a ganância (avareza), a humildade sobre o orgulho...

Em abstracto todos sabemos já essa lição. O que me surpreendeu foi o facto de termos encontrado o seu negativo na Quarta-Feira à noite, personificado num sem-abrigo ocasional com que deparámos na Rua de Camões.
Estávamos já a "desfazer as malas" naquele sítio quando aparece um par, perfeitamente desemparelhado, ele com 81 anos, ela com 38. Ébria, procurava nele amparo, ele achava nela nem sei o quê que lhe servisse. Mas faziam um par. Ela ria sem motivo, ele arrastava uma mala como quem vai para a residencial. Encostaram-se a outros dois na escadaria do prédio preparando-se para ali passar a noite. E foi então que começaram as "apresentações" por parte da companheira, dando todas as referências dele, de onde era, o que fazia, etc.

Como quem diz um segredo sem lho pedir, foi dizendo:

- É cleptomaníaco!

- Leva para casa tudo quanto apanha...

- Tem "lá" um armazém cheio de quinquilharia...

- Até guarda-chuvas avariados ele leva para casa! E palitos que encontra!...

- A mulher dele - tem mulher, sabia? - trata-o bem, trata-lhe da roupa e da comida, mas ele não quer saber e volta e meia dá à sola e anda por aí. Então a mulher deita-lhe os guarda-chuvas ao rio.

- E eu volto lá buscá-los! - completou ele.

E acrescentou:

- Um palito tem utilidade, Sabe?

A mala estava ali mas ainda estava vazia.

- É para meter aí o que encontra... - esclareceu ela.

- Então quando vai para casa leva-a cheia? - perguntei.

- Pois, é para meter aí as coisas. Sabe, ele tem muito dinheiro, tem carro e tudo! É rico!

- Já lá tive sete de uma vez! - respondeu ele. E ria.

- Se tem dinheiro, onde é que vai dormir hoje?

- Hoje?!... Aqui!

- Então, podia ir para uma pensão... dormia bem numa cama quentinha...

- Uma pensão custa dinheiro!... Uma pensão custa dinheiro!...

- Ele é assim!... - exibia ela o punho fechado. Não gasta um tostão!

- O dinheiro pode fazer falta! - continuava ele.

Achei que devia tentar destapar-lhe a cataplana em que está, e perguntei-lhe se nunca tinha dado nada a ninguém. Olhou-me meio espantado.

- Dar?!... P'ra quê?

- A alguém que precise!

- O quê?

- Um palito por exemplo...
- Mas um palito tem utilidade!... Um palito pode ter utilidade!...

- Sabe que há mais prazer em dar do que em ter ou recber?

Não, o C. não sabia... E ali ficou sem saber. A cataplana continuou hermética.

Egoísmo concentrado. Dali não sai nada.

Vim para casa a pensar nas duas atitudes em confronto: uma concentrada no outro, a outra concentrada no eu, ao cúmulo. Nesta última atitude o outro está sempre ausente, nem existe sequer. Só o eu, o meu, o ter.

Estampa perfeita da parábola dos talentos. Quanto rendem os deste homem? NADA!... Não geram amor, nem amizade, nem bem, nem riqueza. Nem servem até para nada a não ser para a esperança de virem a servir, o que nunca acontece.

E dei ainda comigo a pensar no porquê de nos ter surgido nesta noite este exemplar para quem tudo tem utilidade desde que seja ele o servido, o beneficiado, e que nunca tem um olhar para quem o serve, ajuda, apoia, trata, como é o da esposa que permanece sempre em casa de braços abertos para o receber depois de cada arruada, noites seguidas a deambular sem rumo certo, companhias de ocasião, ao Deus-dará...

81 anos!...
 
A quem aprova Deus, àqueles que agem sem esperar benefício ou retribuição como sugere Paulo Geraldo, ou aos que procedem como C. para quem os degraus dum patamar servem para dormir porque uma pensão custa dinheiro, e que tudo arrebanham porque até um palito pode ter utilidade?

 
C.F.

domingo, 11 de março de 2012

Sr. Santos

Caros amigos:
Às vezes as notícias que não temos chegam-nos quando não as procuramos. Ontem alguém me perguntou pelo Sr. Santos, o camionista de Aveiro que parava junto à bomba de gasolina do Campo Alegre, logo a seguir ao Capa Negra. Como o nosso grupo foi reforçado o ano passado com uma segunda carrinha nem sempre dá passar por ali e não tinha notícias para dar.

Ao fim da tarde, quando subia uma rua perpendicular ao Campo Alegre, perguntei por ele ao José, que estava envolvido na tarefa de arrumador de carros. Respondeu-me que já tinha falecido há cerca de um ano...

Seria verdade ou má interpretação?

Hoje, passando por ali, espreitei a mina onde dormia, no Horto das Virtudes. Lá estava a tenda perfeitamente montada. Desci e chamei: sr. Santos!... Saíu de lá o José a dizer: então não lhe disse ontem que ele faleceu há um ano?!...

Ficou confirmada a notícia. O José é o herdeiro do seu lugar na mina onde continua o ritual do dono anterior, como atestam as roupas estendidas a secar na corda...

Não mais será preciso deixar o saco "no canteiro junto à parede".

Fica-nos a recordação das quase horas que demorava a expor os seus conhecimentos de informática, sempre loquaz, sem dar quase tempo a podermos entrar na conversa.
Mais uma intenção a colocar nas nossas orações pela Paz Eterna dos que já partiram.
PNAMGP
C. F.

quarta-feira, 7 de março de 2012

2012 e a rua continua...

Com saídas já realizadas em Janeiro e Fevereiro continuamos a nossa missão...
No princípio do ano e, mais concretamente, em Fevereiro, encontrámos as ruas quase que semi-desertas por causa do frio e da deslocação de muitos para locais de abrigo de recurso: a Casa da Rua e instalações da Câmara Municipal. Perante o sucesso da operação ainda acalentámos uma ténue esperança de que pudesse servir de catapulta para se avançar definitivamente para a criação de locais permanentes de abrigo mais ou menos abertos sob a supervisão dos responsáveis da Segurança Social ou de outros organismos que têm a responsabilidade de velar pela segurança e qualidade de vida das populações, mas, erro meu, tudo voltou já ao princípio sem se vislumbrar uma nesga que permita adivinhar que se decida ir por aí...
Às vezes as soluções são tão fáceis e estão tão ao alcance das nossas possibilidades que até escandaliza que não sejam equacionadas! Será o nosso feitio de querer tudo sempre muito bem feito, à medida de cada um e, também, dos organismos de controlo que foram criados para assegurar o normal funcionamento da sociedade que entrava o avanço? Esses organismos, é fácil ver, acho que não têm lugar aqui tratando-se de situações à margem da própria sociedade cuja gravidade e marginalidade se pretende minimizar.
Assim sendo, por que não andar para a frente, contado com o mínimo e a boa vontade de quantos já estão empenhados em acorrer gratuitamente a quem precisa?
O certo é que a rua começa novamente a encher-se passada que foi a arremetida daqueles dias mais frios do que é costume, e esqueceu-se o principal. Resta a "solidariedade" daqueles que teimam todo o ano em repetir todos os dias os mesmos gestos de aconchego e amizade sem esperar retribuição que não seja a de ver regressar àqueles rostos um vislumbre de alegria quase sempre fugaz, e o reconhecimento da sua identidade humana.
Desabafos...
Com o saco que entregamos fica sempre algo de nós. É mais do que isso o que lhes damos. Coragem, Fé, Esperança, um rasto de Amor...
Chegados aqui, vendo crescer o desejo de apoiar e aumentar o número dos que a isso se dispõem, impõe-se que se partilhe a tarefa de organizar, dando azo a que mais e melhores ideias venham enriquecer o espírito de ajuda aproveitando a garra e a juventude dos voluntários que têm vindo a aderir a este projecto.
Os escuteiros de Aldoar abraçaram esta ideia e dois deles dispuseram-se a dar nova cara ao grupo "Franjas Sociais" ao menos durante este ano. Serão eles que responderão e representarão o grupo daqui em diante. É uma passagem de testemunho que abrange também de certo modo a juventude da Paróquia de Carregosa que fica à espera da sua vez. Dividindo tarefas e responsabilidades uniremos mais os nossos esforços com vista ao objectivo de acorrer às necessidades do próximo segundo as possibilidades de cada um sem que fiquemos à espera que outros façam o que a cada um de nós compete: sermos os samaritanos do próximo quando damos conta da sua situação e existência.
Aldoar e Carregosa estão unidas numa tarefa que ultrapassa a mera ajuda aos necessitados.
À rua levamos ajuda, da rua para nossas casas e paróquias queremos trazer nova dinâmica e vivência em Igreja.
A saída deste mês está já a ser preparada pelos novos responsáveis com novidades de figurino e de pensamento, bem como o programa deste ano.
Aguardamos com expectativa o resultado da resposta que daremos ao novo desafio e os frutos que daí advirão para todos.
Parabéns à Susana e ao Hugo, a quem daremos toda a força e apoio de que necessitem.
Parabéns à juventude de Carregosa que persevera neste projecto sem se queixar dos 50 Km que nos separam, com quem esperamos desenvolver um intercâmbio que enriqueça quem de cá e de lá nele está envolvido.
Assim Deus nos ajude!

C. F.

domingo, 15 de janeiro de 2012

7º. Ano...

E regressámos à rua no dia 11 deste mês. É especialmente bom ver alguns que se nos dirigem contando que já se encontram em tratamento, outros recuperados. Não vou relatar em pormenor os encontros ou reencontros nem o que rodeou a preparação de mais uma saída. Foi mais uma boa resposta dos nossos amigos escuteiros e dos da Paróquia de Carregosa, uns e outros com história alicerçada nestes raides. Aliás, não consta do relato, mas só da Paróquia de Carregosa compareceram 35 voluntários ao Jantar de Natal servido aos Sem-abrigo!
Sempre presentes nestas e noutras iniciativas, são exemplo vivo de que olhar com olhos de ver o próximo não é tarefa alheia mas da responsabilidade moral de cada um.
Foi fria a noite mas muito quente de afectos.
Correram-se os Bairros Sociais e as ruas da Baixa.
Deixámos algo de nós e muito do que lhes levámos e viemos embora temporariamente resignados com a nossa incapacidade de responder a todas as suas necessidades. Mas anotamo-las e continuamos a teimar...
Salutar é ver que a rua, a pouco e pouco, vai mudando alguma coisa! Hoje já não é aquela rua de há 10, de há 7 anos! Há menos gente a dormir ao relento e há muito menos abandonados a si mesmos e ao seu natural desleixo. Alguns dos que afastavam de si qualquer um pelas cotras do vestuário e pelo odor acre e desagradável da imundície que transportavam no corpo e na roupa, estão e sentem-se muito mais humanizados.
Tudo isto é sinal de que todos os que estão com eles na rua, seja em resposta a um apelo pessoal ou da organização em que se integraram como voluntários, ou até de dever de ofício, devemos continuar porque ainda que não consigamos erradicar o mal pela raíz podemos pelo  menos fazê-lo diminuir.

A tarefa não é fácil mas não é motivo para se lhe virar as costas.
Neste novo ano e nos que se lhe seguirem continuaremos a tentar com o melhor do nosso esforço e contributo que a rua seja melhor, e que os que a têm por casa encontrem por fim um abrigo certo, seguro e digno.
Um Bom Ano a todos.

C. 

Jantar de Natal com os Sem-abrigo

Seguindo a tradição iniciada na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição há já alguns anos, foi servido no passado dia 29 de Dezembro o Jantar de Natal aos Sem-abrigo. A iniciativa destinava-se a contemplar não só os habituais utentes da Porta Solidária, a quem é servida diariamente uma refeição na Paróquia, mas também aos demais Sem-abrigo que o desejassem.

A data foi previamente anunciada nas ruas e foram também feitos os contactos com alguns grupos de voluntários para assegurarem a preparação e o apoio na refeição.

Numa congregação de vontades, em verdadeiro espírito de Caridade Cristã, cedo começaram a surgir de um e outro lado as contribuições voluntárias dos géneros necessários, todos dispensando qualquer tipo de publicidade. Assim, desde os frangos, passando pela fruta, Vinho do Porto e terminando nos chocolates e no Bolo-Rei, tudo foi aparecendo anonimamente, sem alarde nem qualquer forma de cobrança.

E, na tarde deste dia, foi uma agradável surpresa ver aparecer, dispostos a executar qualquer tarefa, cerca de cem (100!...) voluntários aos quais foi destinada uma das diversas ocupações – cozinha, copa, mesas, acolhimento, animação – necessárias ao bom êxito da festa. Sim, porque de verdadeira festa se trata, e tratou mais uma vez este ano, em que até se ultrapassou o êxito já alcançado em anos anteriores.

De facto, à fartura e diversidade do serviço, juntou-se a alegria geral partilhada com os mais de trezentos comensais e a animação do grupo de cavaquinhos da Paróquia. Cantou-se, dançou-se, e o riso rasgado em muitas bocas deixava para trás as agruras do dia-a-dia de todos…

Sempre presente onde mais falta faz, numa comprida mesa corrida, o Sr. D. Manuel Clemente tomou mais uma vez lugar no meio deles, acompanhando-os na refeição, alimentando-lhes a alegria, e relembrando-lhes que também eles são parte integrante da Igreja de Cristo.

Em coro afinado, os voluntários desejaram a todos as Boas Festas de um Natal Santo e de um Ano Bom como precisamos.

De estômagos compostos e sacos cheios de prendas, os contemplados levaram também a alma cheia de gratidão e daquela alegria que, é pena, mas parece que só o Natal sabe dar, ainda que ali a Porta Solidária durante todo o ano aberta, o pretenda fazer aos que a procuram todos os dias.

Na troca de abraços final ficou a sensação de mais um dever cumprido e a determinação de ali voltar no próximo Natal, esperando que a alegria que a pouco e pouco vai sendo semeada, germine e cresça e cada vez mais se expanda numa séria contribuição para a construção de um mundo melhor.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Bom Ano de 2012

Ainda que os ventos que sopram não pareçam trazer boas novas para quase ninguém deste país e de grande parte do mundo, mantendo a Esperança na possibilidade de construção de um mundo melhor onde reine a Paz, o Amor, a Harmonia, a Tranquilidade, a Esperança e a Justiça, insisto em desejar que o Novo Ano de 2012 (em que entramos no nosso 7º. ano de rua) seja um Ano Bom, pleno de realizações pessoais, familiares, profissionais e sociais para todos os voluntários de Franjas Sociais, suas famílias e amigos, e para todos quantos nos acompanham por meio deste blogue.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

E fomos à rua...

Tal como programado, depois de uma rápida preparação, voltámos ontem à rua.
Éramos 6: 2 do Porto e 4 de Carregosa.
Juntámos à nossa preparação inicial a fartura que nos veio das pastelarias Jamor e Nobreza. Eram doses bem aviadas e, desta vez, recheadas com doces e salgados a condizer com a época que se avizinha. Também bastante fruta, rebuçados e chocolates a lembrar já o Natal.
Começámos pelo Bom Sucesso onde o sucesso foi a abordagem dos sem-abrigo que teimaram em ficar por ali desprezando ou ignorando a existência do Jantar servido nas instalações do CCD da Câmara. Eram uns 8. Mais um - o sr. Manuel - na Rotunda, onde também estava um  estrangeiro, de aparência, alemão, que não quis nada e nos ofereceu até maçãs que tinha num saco de plástico. Mal falava, limitando-se a uma estranha sinalética de cabeça e uns poucos monossílabos. Sabemos que, pelo menos os Russos que estanciam no Bom Sucesso, estão a ser acompanhados pelo Instituto Santo Inácio de Loyola com vista ao seu repatriamento - que tarda!
Demos a volta pela Júlio Dinis onde estavam dois: um apoiado e um apoiante, voluntário do Colégio do Rosário. Foi uma ocasião para breve troca de impressões e afinação de agulhas sobre a intervenção na rua. É conversa para continuar noutros momentos e lugares.  
Na Praça da República estava o casal que ali se arruma. Temos de os acompanhar tentando a sua recuperação. São muito jovens e o álcool está a destruir-lhes a existência. Sabem isso mas  falta-lhes a coragem...
Na Batalha estava uma resistente que não sabia do Jantar... E apareceram mais uns tantos, e o André, que se tinha esquecido da data.
Relembrámos-lhes a do "nosso Jantar" a 29 para que se não esqueçam também de aparecer!
Fomos à Areosa: nada! O viaduto está vazio.
Santo António, mais um ou outro "esquecido".
Havia ainda alguns sacos, fruta, doces e salgados avulso que levámos ao Bairro Pinheiro Torres. Em "sel-service" ali ficou aquele nosso resto!
Connosco nesta volta foram a Adriana e o Gonçalo, dois jovens de Carregosa que aproveitaram esta oportunidade para exercer a Caridade no espírito de S. Paulo e ver como o Homem degrada a sua imagem quando se distancia de Deus. E como é fácil cair, mas difícil recuperar!...

Que Deus nos proteja e livre das quedas e lhes traga como presente deste Natal a suficiente dose de coragem para poderem iniciar a mudança em suas vidas.

Só assim entendo o verdadeiro sentido da celebração do Natal, e a justificação do desejo de Boas Festas a todos!

Que Jesus nasça verdadeiramente em nossos corações.

Um Santo Natal!

15 - 12- 2011

C.F.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Na rua em Dezembro

Amigos!

 
Na sequência dos contactos anteriores venho trazer ao conhecimento de todos o que se decidiu fazer este mês e o calendário das actividades previstas em benefício dos Sem-abrigo.
Como ficou combinado com todos vamos centrar o nosso apoio no Jantar de Natal que será servido no próximo dia 29 na cripta da igreja de Nª. Srª. da Conceição (Marquês), participando com a doação de pão, sumos, fruta, chocolates e Vinho do Porto. E participando activamente num dos diversos serviços programados.
 
As doações deverão ser entregues na Paróquia até às dez da manhã do dia 29/12.

 
Os voluntários deverão comparecer na Paróquia às 15,00 horas para ajuda, distribuição de tarefas (com crachás e avental) e orientação geral.

 
Para amanhã estava previsto que abdicássemos da saída habitual por ocorrer o jantar de Natal servido aos Sem-abrigo nas instalações da Câmara Municipal do Porto junto à rua Damião de Góis. Mas... considerando que muitos dos frequentadores dos Bairros e alguns idosos isolados teimam em não participar nesses jantares, os nossos amigos de Carregosa dispuseram-se a vir para ir ao seu encontro. Era, aliás, uma das hipóteses colocadas desde o início: a de realizar uma saída limitada, com menos sacos.

 
Assim, se alguém quiser aparecer, vamos sair à mesma hora (ou um pouco mais cedo) do Centro Paroquial.

Não vamos necessitar de grande quantidade de coisas: apenas uns 40 sacos individuais contendo o que já vem sendo habitual.

 
De Carregosa vêm 15 sacos completos.

A D. Maria de Lurdes completará outros 15 comigo e um termo de café com leite.

Recolheremos os bolos da Jamor e Nobreza.

Se os escuteiros quiserem apareçam mas não precisam de trazer mais alimentos.

Iniciaremos a volta pelas ruas da cidade: Boavista, Bom Sucesso, Sé, Batalha, Rua Sá da Bandeira, Santa Catarina, Marquês, Pr. Sá Carneiro, Areosa, e terminaremos no Aleixo se ainda houver alguma coisa.

Como se prevê um número pequeno de participantes bastará a carrinha de Carregosa.

Lembra-se ainda que:

Amanhã, 13/12, as 21,00 horas, se celebra na igreja da Trindade a Missa de Natal dos Sem-abrigo (iniciativa do grupo "Sacos Ternura" - Teresa Olazabal, que costuma ter também o apoio e a presença dos outros grupos). Quem puder apareça!

 
Dia 29/12: Jantar de Natal.


E é tudo por hoje.

Até amanhã com o abraço do costume.

C.F.


domingo, 2 de outubro de 2011

27º Domingo do Tempo Comum

A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular






Leitura do Livro de Isaías, Is 5,1-7

Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina. Lavrou-a e limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas. No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar. Esperava que viesse a dar uvas, Mas ela só produziu agraços. E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e a minha vinha: que mais podia fazer à minha vinha que não tivesse feito? Quando eu esperava que viesse a dar uvas, porque é que apenas produziu agraços?
Agora vos direi o que vou fazer à minha vinha: vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada. Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei-de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva. A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel, e os homens de Judá são a plantação escolhida. Ele esperava rectidão e só há sangue derramado; esperava justiça e só há gritos de horror.
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses, 4,6-9
Irmãos: não vos inquieteis com coisa alguma. Mas, em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor é o que deveis ter no pensamento. O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim é o que deveis praticar. E o Deus da paz estará convosco.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São Mateus, 21,33-43
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo:
«Ouvi outra parábola: havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».
Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo».
Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».

sábado, 1 de outubro de 2011

Intenções do Santo Padre para Outubro de 2011


Intenção Geral


A necessária ajuda aos doentes terminais


Pelos doentes terminais, para que os seus sofrimentos sejam aliviados pela fé em Deus e pelo amor dos seus irmãos.
A notícia de uma doença terminal costuma ser a pior das notícias e a tristeza e desconcerto são uma reacção perfeitamente normal. Com efeito, a doença, sobretudo tratando-se de uma doença terminal, traz consigo, quase inevitavelmente, um momento de crise e de séria confrontação com a situação pessoal.
Apesar dos avanços da ciência, não se pode encontrar uma cura para todas as doenças. Por conseguinte, nos hospitais, clínicas ou mesmo nas famílias de todo o mundo, encontramos o sofrimento de numerosos irmãos nossos com doenças incuráveis e muitas vezes em fase terminal.
Para além disto, muitos milhões de pessoas em todo o mundo vivem ainda em condições insalubres e não têm acesso aos recursos médicos necessários, mesmo os mais básicos, e por consequência tem aumentado o número de seres humanos considerados incuráveis.

Atitude a ter com os doentes terminais

Para que não se dê esse aumento, é necessário que haja políticas sociais justas que ajudem a eliminar as causas de muitas doenças, também terminais, e que seja prestada uma maior assistência e atenção médica aos doentes. É necessário criar condições que permitam a ajuda às pessoas doentes, sobretudo nas doenças mais graves.
Para que isto aconteça, é necessário aumentar o número dos centros de cuidados paliativos que proporcionem uma atenção integral, oferecendo aos doentes a assistência humana e o acompanhamento espiritual que necessitam. Trata-se de um direito que pertence a todo o ser humano e que todos devemos comprometer-nos a defender.
Mas, hoje em dia, a mentalidade que tem por meta a eficiência tende a marginalizar as pessoas com doenças terminais, considerando-as um peso e um problema para a sociedade. Pelo contrário, quem tem o sentido da dignidade humana sabe que elas devem ser respeitadas e apoiadas quando enfrentam as dificuldades e o sofrimento relacionados com as condições dolorosas da sua saúde.
Para além das indispensáveis curas clínicas, é necessário oferecer aos doentes gestos concretos de amor, de proximidade e solidariedade cristã, de conforto e encorajamento constante.

A acção da Igreja

A acção humanitária e espiritual da comunidade eclesial para com os doentes manifestou-se, ao longo dos séculos, de múltiplas formas e em numerosas estruturas médicas, numa grande solicitude pelos enfermos.
De facto, seguindo o exemplo do bom samaritano, a Igreja, através dos seus membros e das suas instituições, continua a estar ao lado dos que sofrem, procurando preservar a dignidade nesses momentos tão significativos da existência humana. Os profissionais da assistência sanitária, agentes pastorais e voluntários da Igreja servem incansavelmente os doentes por todo o mundo, em hospitais e unidades de cuidados paliativos, em projectos de assistência ao domicílio e paróquias.
Na constituição sobre a Igreja Lumen gentium, do Concílio Vaticano II, podemos ler: «… a Igreja ama todos os angustiados pelo sofrimento, reconhece a imagem do seu Fundador, pobre e sofredor, nos pobres e nos que sofrem, esforça-se por aliviar o seu sofrimento e deseja servir neles a Cristo» (n. 8).

O sofrimento de Cristo e do doente

Para os doentes que têm fé, a consideração do sofrimento de Cristo e de tudo o que Ele significa deve, certamente, contribuir para encarar os seus sofrimentos numa dimensão diferente, ajudando-os a dar um sentido redentor às dores que padecem. Deus, Verdade e Amor em pessoa, quis sofrer por nós e connosco; fez-Se Homem para poder sofrer com os homens, de modo real, em Carne e Sangue. Em cada sofrimento humano está presente Aquele que partilha esse sofrimento.
O mistério do sofrimento humano tem sentido e é plenamente esclarecido no mistério da morte e ressurreição de Cristo. Afirma a Carta apostólica Salvifici doloris: «O sofrimento humano atingiu o seu cerne na Paixão de Cristo e, ao mesmo tempo, revestiu-se de uma dimensão completamente nova e entrou numa nova ordem: ele foi associado ao amor… àquele amor que cria o bem, tirando esse bem até do mal, como o bem supremo da redenção do mundo foi tirado da Cruz de Cristo. Esta Cruz tornou-se uma fonte, da qual brotam rios de água viva».
O Santo Padre pede-nos para rezar este mês para que saibamos acompanhar e estar perto daqueles que estão afectados por doenças graves, ajudando-os a sentir-se ajudados pelo amor do Pai. É missão de todos nós fortalecer a fé dos nossos irmãos doentes e mostrar-lhes com o nosso amor que Deus não os abandonou.

Intenção Missionária

Dia Mundial das Missões

Para que a celebração do Dia Mundial das Missões faça crescer no povo de Deus a paixão da evangelização assim como o apoio a toda a actividade missionária, pela oração e pela ajuda económica às Igrejas mais pobres.  O mês de Outubro, por meio da celebração do Dia Mundial das Missões, oferece às comunidades diocesanas e paroquiais, aos Institutos de vida consagrada, aos movimentos eclesiais e a todo o povo de Deus a ocasião para renovar o compromisso de anunciar o Evangelho e de dar às actividades pastorais uma maior dimensão missionária.
A mesma petição que os gregos fizeram: «Queremos ver Jesus» (Jo 12, 21), continua a ressoar nos nossos ouvidos, sobretudo neste mês de Outubro, da parte de todos aqueles que, mesmo sem o exprimirem, nos fazem, hoje, o mesmo pedido. E nós devemos mostrar esse Jesus, sobretudo por meio da nossa vida verdadeiramente cristã, feita de relações autênticas, em comunidades fundadas no Evangelho.
Numa sociedade multiétnica, que experimenta cada vez mais formas de solidão e de indiferença preocupantes, os cristãos devem oferecer sinais de esperança e ser irmãos universais, cultivando os grandes ideais que transformam a história e comprometendo-se a fazer da Terra a casa de todos os povos.
O mandato de Cristo: «Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a toda a criatura» (Mc 16, 15) continua a ser dirigido a toda a Igreja, a todo o cristão. A Igreja, como foi afirmado pelo Concílio Vaticano II, «é missionária por natureza» (Ad gentes, 2). Com efeito, todos os baptizados receberam o mandato missionário de Cristo, mas este mandato só se pode realizar de maneira credível por meio de uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral, abrindo-se à cooperação missionária entre as Igrejas, para promover o anúncio do Evangelho no coração de todas as pessoas, de todos os povos, culturas, raças e nacionalidades. Como afirma a constituição Lumen gentium do Concílio Vaticano II, a Igreja «é em Cristo como um sacramento e instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo o género humano» (n. 1).
O Dia Mundial das Missões faz-nos lembrar o nosso compromisso de nos entregarmos, o que somos e o que temos, partilhando com generosidade, oferecendo os nossos talentos e recursos, sentindo-nos assim protagonistas do compromisso do anúncio do Evangelho.
Hoje é dia de Santa Teresa do Menino Jesus

Nasceu em Alençon (França) no ano 1873. Entrou ainda muito jovem no mosteiro das Carmelitas de Lisieux e exercitou-se de modo singular na humildade, simplicidade evangélica e confiança em Deus, virtudes que também procurou inculcar especialmente nas noviças do seu mosteiro. Morreu a 30 de Setembro de 1897, oferecendo a sua vida pela salvação das almas e pela Igreja. Discreta e silenciosa, durante a vida quase não chamou a atenção sobre si. Parecia uma freira comum, sem nada de excepcional. Faleceu aos 24 anos, tuberculosa, depois de passar por terríveis sofrimentos. Enquanto agonizava, ouviu duas freiras comentarem entre si, do lado de fora da sua cela: "Coitada da Irmã Teresa! Ela não fez nada na vida... O que nossa Madre poderá escrever sobre ela na circular em que dará aos outros conventos a notícia da sua morte?" Assim viveu Santa Teresinha, desconhecida até mesmo das freiras que com ela compartilhavam a clausura do Carmelo. Somente depois de morta os seus escritos e os seus milagres revelariam ao mundo inteiro a verdadeira envergadura da grande Santa e Mestra da espiritualidade. A jovem e humilde carmelita que abriu, na espiritualidade católica, um caminho novo para atingir a santidade (a célebre "Pequena Via"), foi declarada pelo Papa João Paulo II Doutora da Igreja.
Fonte: Evangelho Quotidiano e Secretariado Nacional de Liturgia


Sábado da 26ª semana do Tempo Comum


Livro de Baruc 4,5-12.27-29.


Coragem, povo meu, que trazes o nome de Israel! Fostes vendidos às nações, mas não para serdes aniquilados. Porque provocastes a ira de Deus, fostes entregues aos inimigos. Irritastes o vosso criador, oferecendo sacrifícios aos demónios e não a Deus. Esquecestes o vosso criador, o Deus eterno, e contristastes Jerusalém, que vos alimentou. Quando viu precipitar-se sobre vós o castigo de Deus, disse: «Escutai, nações vizinhas de Sião! Deus enviou-me um grande tormento.
Vi o cativeiro dos meus filhos e filhas, que o Eterno lhes infligiu. Eu tinha-os criado com alegria e despedi-os com lágrimas e tristeza. Que ninguém se regozije com a minha viuvez e o meu desamparo! Se estou deserta, é por causa dos pecados dos meus filhos, porque se afastaram da Lei de Deus.
Coragem, meus filhos, clamai ao Senhor, porque aquele mesmo que vos provou, há-de lembrar-se de vós. Se um dia quisestes afastar-vos de Deus, convertei-vos, agora, e procurai-o com um empenho dez vezes maior; pois aquele que vos enviou o castigo vos trará a alegria eterna da vossa salvação.»


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São Lucas, 10,17-24


Naquele tempo, os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo:
«Senhor, até os demónios se sujeitaram a nós, em teu nome!»
Disse-lhes Ele:
«Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Olhai que vos dou poder para pisar aos pés serpentes e escorpiões e domínio sobre todo o poderio do inimigo; nada vos poderá causar dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu.»
Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lho.»
Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular:
«Felizes os olhos que vêem o que estais a ver. Porque digo-vos: muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram!»

«Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo»



Comentário ao Evangelho do dia feito por São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia e posteriormente bispo de Constantinopla; doutor da Igreja. Homilia 1 sobre a 1ª carta aos Tessalonicenses
«Vós fizestes-vos imitadores nossos e do Senhor», diz Paulo. Como? «Acolhendo a Palavra em plena tribulação, com a alegria do Espírito Santo» (1Ts 1,6). [...] A prova afecta a parte material do nosso ser; a alegria brilha nas alturas espirituais. Passo a explicar: os acidentes da vida são tristes e penosos, mas os resultados são alegres, assim o querendo o Espírito. É portanto possível que não nos alegremos ao sofrer, se estivermos a sofrer pelos nossos pecados, mas até deixaremos que nos flagelem com alegria, se for por Cristo (cf. Act 5,41).
É a isto que o apóstolo chama a «alegria do Espírito»; respiramo-la naquilo que a natureza rejeita com horror. Suscitaram em vós mil penas, diz ele, fostes perseguidos, mas o Espírito não vos abandonou nessas provas. Tal como os três jovens foram envolvidos por uma suave brisa matinal na fornalha (cf. Dn 3,50), vós também estais a ser provados. Certamente que a brisa matinal não dependia da natureza do fogo e só podia ser causada pelo sopro do Espírito. Também não está na natureza da provação alegrar-vos, e essa alegria só pode vir dum sofrimento suportado por Cristo, da brisa matinal do Espírito, que transforma num local de repouso a fornalha da provação. «Com alegria» diz ele, e não com uma alegria qualquer, mas com uma alegria inesgotável; é isso que é preciso entender, desde que o Espírito seja o seu autor. 
Primeiro sábado do mês


Hoje é o primeiro sábado do mês, dia de Nossa Senhora e também o primeiro dia do Mês do Rosário.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Hoje é dia dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

«Bendizei o Senhor todos os Seus anjos, [...] que executais a Sua vontade» (Sl 102,20-21)

Celebramos hoje a festa dos santos anjos. [...] Mas que podemos dizer destes espíritos angélicos? Eis o que nos diz a fé: acreditamos que eles gozam da presença e da visão de Deus, que possuem uma felicidade sem fim, os bens do Senhor que «nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais passaram pelo pensamento do homem» (1Cor 2,9). O que pode um simples mortal dizer sobre este assunto a outros mortais, ele que é incapaz de conceber tais coisas? [...] Se é impossível falar da glória dos santos anjos em Deus, podemos pelo menos falar da graça e do amor que eles manifestam relativamente a nós, pois gozam, não apenas de uma dignidade incomparável, mas também de um espírito de serviço cheio de bondade. [...] Não podendo compreender a sua glória, deixamo-nos prender tanto mais fortemente à misericórdia de que estão cheios estes familiares de Deus, cidadãos do céu e príncipes do paraíso. O próprio apóstolo Paulo, que contemplou com os seus olhos a corte celestial e que conheceu os seus segredos (2Cor 12,2), atesta que todos os anjos são «espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão-de herdar a salvação» (2Cor 12,2). Não tomeis tal afirmação por inconcebível, pois o Criador, o próprio Rei dos anjos, «não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por todos» (Mc 10,45). Que anjo desdenharia pois tal serviço, onde o precedeu Aquele que os anjos servem no céu com pressa e alegria? 
Comentário de São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja, 1º Sermão para a festa de São Miguel 

São Miguel Arcanjo



















"Miguel" que significa: "Quem como Deus?" é o defensor do Povo de Deus no tempo de angústia. É o padroeiro da Igreja universal e aquele que acompanha as almas dos mortos até o céu.

São Gabriel Arcanjo















"Gabriel" - que significa "Deus é forte" ou "aquele que está na presença de Deus" - aparece no assim chamado evangelho da infância como mensageiro da Boa Nova do Reino de Deus, que já está presente na pessoa de Jesus de Nazaré, nascido de Maria.
É ele quem anuncia o nascimento de João Baptista e de Jesus. Anuncia, portanto, o surgimento de uma nova era, um tempo de esperança e de salvação para todos os homens. É ele quem, pela primeira vez, profere aquelas palavras que todas as gerações hão-de repetir para saudar e louvar a Virgem de Nazaré: "Ave, cheia de graça. O Senhor é convosco". 

São Rafael Arcanjo














"Rafael"- que quer dizer "medicina dos deuses" ou "Deus cura" - foi o companheiro de viagem de Tobias. É o anjo benfazejo que acompanha o jovem Tobias desde Nínive até à Média; quem o defende dos perigos e patrocina o seu casamento com Sara. É ele quem tira da cegueira o velho Tobias. É aquele que cura, que expulsa os demónios. São Rafael é o companheiro de viagem do homem, seu guia e seu protector nas adversidades.


Livro de Daniel 7,9-10.13-14.
 
«Continuava eu a olhar, até que foram preparados uns tronos, e um Ancião sentou-se. Branco como a neve era o seu vestuário, e os cabelos da cabeça eram como de lã pura; o trono era feito de chamas, com rodas de fogo flamejante.
Corria um rio de fogo que jorrava da parte da frente dele. Mil milhares o serviam, dez mil miríades lhe assistiam. O tribunal reuniu-se em sessão e foram abertos os livros.
Contemplando sempre a visão nocturna, vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um filho de homem. Avançou até ao Ancião, diante do qual o conduziram.
Foram-lhe dadas as soberanias, a glória e a realeza. Todos os povos, todas as nações e as gentes de todas as línguas o serviram. O seu império é um império eterno que não passará jamais, e o seu reino nunca será destruído.»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo S. João 1,47-51.
 
Naquele tempo, Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse dele:
«Aí vem um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento.» Disse-lhe Natanael:
«Donde me conheces?»
Respondeu-lhe Jesus:
«Antes de Filipe te chamar, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira!» Respondeu Natanael:
«Rabi, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel!» Retorquiu-lhe Jesus:
«Tu crês por Eu te ter dito: 'Vi-te debaixo da figueira'? Hás-de ver coisas maiores do que estas!» E acrescentou:
«Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo por meio do Filho do Homem.»