quarta-feira, 27 de abril de 2011

Entrevista com Mons. Slawomir Oder, postulador no processo de beatificação de João Paulo II

Entrevista com  Mons. Slawomir Oder, postulador da causa do Santo Padre João Paulo II
«O sacerdote "por excelência

No próximo dia 1º de Maio, o «Papa das Gentes» vai deixar de figurar no rol dos Sumos Pontífices da Igreja e ser alçado a um outro patamar. Um patamar ainda mais nobre. Fará parte, com a culminação de sua beatificação na Praça de São Pedro, numa cerimónia que deverá ser histórica, do rol dos beatos da Igreja.
E certamente o percurso de João Paulo II rumo à santificação não deverá parar por aí. O processo da sua causa continuará, no compasso da comprovação de um novo milagre atribuído à sua intercessão, o passo definitivo para a canonização.
Boa parte desse trajecto de João Paulo II rumo à beatificação e à canonização deve-se a um humilde defensor da «nobreza espiritual» de Karol Wojtyla. Polaco, portanto compatriota de João Paulo II, monsenhor Slawomir Oder é o postulador da causa de beatificação do Papa, espécie de advogado de defesa de sua beatificação, com a incumbência de reunir elementos, depoimentos, testemunhos, dados, etc, que efectivamente comprovem os méritos de Beato de João Paulo II.
Foto: CNS/Paul Haring
























 Mons. Oder conversou com exclusividade a Gaudium Press. Na entrevista, além de falar sobre o processo de beatificação, à frente do qual está desde o início, em 13 de Maio de 2005, o religioso aborda ainda os exemplos e as atitudes legadas por João Paulo II e sobre a sua própria vocação sacerdotal.
Gaudium Press - Pela sua experiência como postulador no processo de beatificação de Papa Wojtyla, o que pode um sacerdote moderno aprender hoje com a figura de João Paulo II?
Mons. Slawomir Oder - João Paulo II manifestou-se frequentemente sobre esse assunto. O seu pensamento era que o sacerdote não deve ter medo de não ser moderno porque ele está sempre ligado à missão de Cristo. E Cristo hoje, ontem e amanhã é sempre o mesmo: é sempre moderno e sempre actual. Por isso o sacerdote que vive a sua comunhão com o Senhor e que n'Ele encontra a sua própria identidade não deve ter medo de não ser moderno. Pela ideia que fiz dele, lendo os seus escritos, penso que isto seja o pensamento íntimo de João Paulo II e este comportamento eu tento tê-lo também. É claro que diante do mundo contemporâneo moderno, muitas vezes corremos o risco de parecer estranhos às novas tendências, à moda e de desiludir algumas vezes as expectativas das pessoas. Penso, porém, que teria sido um comportamento fora da lógica do Evangelho procurar a popularidade a qualquer custo e aceitar a modernidade, não apenas ela manifesta: nós não devemos esquecer nunca que estamos aqui porque fomos chamados por Cristo. Durante uma visita ao seminário romano, João Paulo II falou de seu ministério de Pedro: um seminarista havia feito uma pergunta sobre as dificuldades que estava a sentir como vigário de Cristo. A sua resposta foi: «sim, provavelmente seria impossível vivê-lo serenamente se não tivesse a consciência que tudo aquilo que faço, eu o faço in persona Christi». Somos realmente chamados a prestar o nosso serviço, a empenhar a nossa vontade, a usar a nossa inteligência, as nossas mãos conforme a vontade de Jesus. Se vivemos esta comunhão com ele, realmente não temos que ter medo de estarmos fora de moda.
GP - Como nasceu a sua vocação sacerdotal? A figura de João Paulo II, o primeiro Papa polaco, confirmou-a?
Mons. Oder - Talvez, paradoxalmente, atrasou a minha vocação, que estava a crescer, penso, de maneira absolutamente natural e espontânea numa família católica e num ambiente de paróquia. Certamente tinha uma propensão pessoal que se tornou o terreno fértil sobre o qual o Senhor havia lançado a semente da sua chamada. Mas a minha vocação estava a crescer e a amadurecer justamente em concomitância com a eleição de João Paulo II. E então, quando se soube da eleição, vivemos na Polónia momentos extraordinários de intenso entusiasmo, uma atmosfera que acredito que somente alguém que estava presente pode descrever. Naqueles momentos eu pensei que talvez a decisão que estava a tomar neste contexto para a minha vida toda pudesse ser de alguma maneira condicionada por este entusiasmo. E, portanto, em vez de entrar no seminário, decidi inscrever-me na Universidade para esperar que os entusiasmos se acalmassem para poder, assim, decidir de forma mais consciente. Depois o Senhor encontrou o modo para me fazer entender qual era sua vontade. De facto, os anos da Universidade, depois os eventos sucessivos que aconteceram na minha vida, deram-me a certeza que aquilo que eu sentia não era devido somente a um momento de entusiasmo, mas era efectivamente o chamamento do Senhor. No fim dos meus estudos universitários, decidi entrar no seminário.
GP - O senhor teve a oportunidade de encontrar-se pessoalmente João Paulo II. Como era ele em privado?
Mons. Oder - Sim, tive a sorte de poder completar minha formação sacerdotal aqui em Roma, no seminário que ele considerava a «pupila dos seus olhos». Dizia sempre assim, que o seminário, qualquer seminário, tinha que ser considerado por todos os bispos como «a pupila dos seus olhos». E ele expressava-o não somente com palavras, mas também com gestos concretos. De facto, no início de todo ano lectivo, celebrava a Santa Missa na Capela Paulina e depois conversava com muitos de nós. Em seguida voltava ao seminário romano para a festa de Nossa Senhora da Confiança, nossa padroeira, e nessas circunstâncias tive a oportunidade de encontrá-lo. Depois, quando comecei a trabalhar como educador no seminário e em seguida também como oficial no Vicariato de Roma. E então aquilo que me chamava atenção era certamente a sua dimensão humana. Era um homem muito cordial , um homem simples, sincero, cheio de senso de humor, mas também muito sério. Mas, ao mesmo tempo, um verdadeiro homem de Deus que tinha a capacidade de vivenciar qualquer evento, qualquer situação numa perspectiva de um encontro com o Senhor, à luz da sua fé, do seu amor por Cristo. Por isto esta foi realmente uma experiência única, porque o que mais surpreendia nele era por um lado vê-lo celebrar a missa e por outro ser capaz de inserir toda esta riqueza espiritual, este seu comportamento de fé profunda e a sua inteligência na consistência da história. Era um verdadeiro homem e um homem de fé ao mesmo tempo.
GP - O senhor encontrou diferenças entre o João Paulo II que conheceu quando vivo e aquele que emerge da documentação do processo? Descobriu alguma coisa a mais sobre sua figura?
Mons. Oder - Certamente, na ocasião de um processo de beatificação, devemos aprofundar todos os aspectos da vida do candidato. Mas o que mais me surpreendeu neste meu encontro com a figura de João Paulo II foi principalmente a sua transparência e coerência. Realmente não era um homem de duas faces, um em privado e outro em público. Toda a sua humanidade, a riqueza da sua espiritualidade e da sua fé, assim como a vivia em privado, a manifestava em público. E tudo aquilo que manifestava fora, certamente nascia da sua profunda convicção de fé, e é por isto que todos têm de João Paulo II uma imagem única. E aquilo que certamente vem à tona dos papeis do processo é principalmente a intensidade com a qual viveu todas as situações, e esta intensidade era reveladora principalmente de uma grande fé. Esta é certamente a componente mística da sua vida e, isto é, a sua capacidade de ver tudo numa perspectiva de fé e de encontro com o Senhor, na lógica do reino de Deus. E esta talvez não a considere como uma descoberta, mas sim uma confirmação de uma intuição que nascia em quem o encontrou durante a vida. E depois isso foi efectivamente confirmado pelo processo.
GP - Porque foi confiado ao Senhor a função de postulador na causa de beatificação de João Paulo II?
Mons. Oder - Para mim também foi uma surpresa. Foi um dia em que o Papa Bento XVI veio aqui à Basílica de São João para o encontro com o clero romano. Participei deste encontro com grande emoção porque era o encontro com o Papa, o novo Papa. Mas tinha também um pouco de pressa porque era o dia em que devia viajar para a Polónia para participar da Primeira Comunhão de um meu sobrinho. Por isso estava pronto para, depois do encontro, ir para o aeroporto. O secretário do cardeal Ruini disse-me que o cardeal queria falar comigo, depois da decisão do Santo Padre de não esperar os cinco anos canónicos para a abertura do processo de beatificação de João Paulo II, mas que queria iniciá-lo o mais rápido possível. Neste encontro, o cardeal vigário comunicou-me a sua decisão de confiar a mim a função de postulador. Para mim foi certamente uma grandíssima surpresa, mas ao mesmo tempo tive a consciência que estava a começar para mim uma aventura extraordinária.
GP - O senhor disse na apresentação de seu livro «Porque é santo - o verdadeiro João Paulo II narrado pelo postulador da causa de beatificação», que o processo foi o período «mais belo» da sua vida. Para o senhor, pessoalmente, como viveu esta experiência de trabalho como postulador?
Mons. Oder - Esse processo deu-me a possibilidade de aprofundar o meu conhecimento de Karol Wojtyla tanto como Papa tanto como homem. Ele realmente pode ser definido como o sacerdote «por excelência»; a sua humanidade era uma consequência da sua intensa e profunda comunhão com Cristo. Aquilo que disse num seminário romano, «agir in persona Cristi», dá a dimensão da profundidade desta comunhão. Por isso um encontro com João Paulo II torna-se necessariamente um encontro também com João Paulo II sacerdote. Ele mesmo, na homilia pronunciada por ocasião da cerimónia de beatificação da polaca Kózkówna, disse que a Igreja nos propõe modelos, e para suscitar no nosso coração a esperança. E de facto o encontro com João Paulo II sacerdote santo, é um encontro com um sacerdote que viveu concretamente a sua própria vida, para arrepender-se das próprias culpas e faltas e principalmente para converter-se. O processo serve, portanto, ao postulador, também para isso. Mas este encontro com ele serve também para suscitar no nosso coração a esperança. E portanto uma imagem tão extraordinária como aquela do sacerdote João Paulo II - a consciência da sua proximidade espiritual, da sua intercessão e da sua oração - certamente são sensações que renovam o entusiasmo de ser sacerdote e reforçam a vontade de seguir com a graça de Deus as normas que ele traçou no seu caminho de vida, de crescimento sacerdotal, de santidade.
GP - Qual é a sua recordação mais particular de tal processo?
Mons. Oder - Todo o processo foi uma aventura extraordinária. Gosto de pensar, agora que estamos quase no fim, que este processo foi como uma viagem espiritual, através do Mar Magno desta vida extraordinária de João Paulo II, uma travessia assinalada por pequenas paragens nas ilhas dos seus amigos, pessoas que ele conheceu, dos seus escritos, dos seus pensamentos. Tudo isto foi uma aventura extraordinária. Os momentos mais belos? Certamente a partida, o dia de abertura do processo. Depois o encontro com tantas testemunhas durante este processo. E enfim, penso que também agora, nesta fase que podemos comparar à paragem de um navio no ancoradouro à espera da entrada final no porto, é um momento muito belo porque, se de um lado se concluiu a parte do processo relativa às virtudes, do outro está para iniciar a parte do processo relativa aos milagres. Até agora para mim foi uma belíssima aventura, mas penso que os momentos mais belos virão quando chegar o dia em que a Igreja o apresentará como beato e santo.
Entrevista por Anna Artymiak / Gaudium Press

terça-feira, 26 de abril de 2011

Ampola com sangue de João Paulo II é a relíquia escolhida para a sua beatificação.

Uma ampola com sangue de João Paulo II vai ser exposta como relíquia no rito da sua beatificação no próximo dia 1 de Maio. Em comunicado, refere-se que o Departamento para as Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice (DCLSP) preparou um «relicário» em que será apresentado o sangue, recolhido aquando dos últimos dias de vida de Karol Wojtyla (1920-2005), tendo em vista uma eventual transfusão.
Uma relíquia é um objecto preservado com o propósito de ser venerado religiosamente: uma peça associada a uma história religiosa, um objecto pessoal, partes do corpo de um santo ou de um beato.
As relíquias são usualmente guardadas em receptáculos próprios chamados relicários.
O sangue de João Paulo II recolhido para o centro de transfusões do hospital «Bambino Gesú», em Roma, acabou por ficar guardado em quatro recipientes.
Dois deles foram entregues ao secretário particular do Papa polaco, o actual cardeal Stanislaw Dziwisz, e os outros dois ficaram no referido hospital, que cederá agora uma ampola ao DCLSP.
A Santa Sé refere que o sangue se encontra em estado líquido, explicando o facto com a presença de «uma substância anticoagulante presente nas provetas, no momento da extracção».
A beatificação de João Paulo II, a 1 de Maio , no Vaticano, será presidida pelo seu sucessor, Bento XVI, que vai apresentar o Papa polaco aos católicos como modelo de vida e intercessor junto de Deus, passados pouco mais de seis anos após a sua morte.

Dar a cara pela ressurreição de Jesus

Foi lançado o site www.face4jesus.com, onde cada pessoa pode construir o rosto de Cristo com a própria fotografia, usando o seu perfil do facebook ou carregando um ficheiro com a sua fotografia.
O projecto face4jesus é uma iniciativa da Terra das Ideias que convida os cristãos a “dar a cara pela ressurreição de Jesus”.
“Os cristãos são chamados a dar a cara pela ressurreição de Jesus, usando o seu perfil do facebook ou carregando uma fotografia sua do computador”, esclarece a Terra das Ideias num comunicado enviado à Agência Ecclesia.
O nome do projecto indica também o objectivo que levou esta empresa de comunicação a lançá-lo no dia de Páscoa: dar a face por Jesus, afirmando-se como testemunha da sua ressurreição.
Criado por iniciativa da Terra das Ideias, este projecto conta com a parceria da Ecclesia, da Diocese do Porto e do lent2face (grupo de partilha da Quaresma no Facebook).
O projecto está nas línguas espanhola, francesa, italiana, inglesa e portuguesa com o objectivo de reunir faces de todo o mundo na afirmação de um rosto de Cristo ressuscitado.
“A organização espera agora que os cristãos neste tempo pascal tão importante, adiram e divulguem a iniciativa” e, no site www.face4jesus.com“dêm a face por Jesus”, sublinha o comunicado enviado à agência noticiosa católica portuguesa.

Um vídeo por dia com João Paulo II

1982 - A primeira visita a Portugal




































Nossa Senhora do Bom Conselho

A devoção a Nossa Senhora do Bom Conselho remonta à Igreja Primitiva, de forma que não há dados precisos sobre sua origem. Tão antiga é a devoção que a Mãe do Bom Conselho é invocada na Ladainha Lauretana.  Sabemos, contudo,  que entre os anos de 432 e 440,  o Papa Xisto III mandou construir uma Igreja dedicada a Nossa Senhora do Bom Conselho na cidade de Genezzano, Itália, ao lado de um convento fundado por Santo Agostinho. Esta cidade havia sido doada à Igreja com o advento dos imperadores cristãos, sucessores do Imperador Constantino que, convertido, decretara o fim da perseguição aos cristãos e da crucificação (ano 312). Genezzano iria ser agraciada, cerca de mil anos depois,   com um presente milagroso de Nossa Senhora, como veremos a seguir: 
Havia,  na idade média, também uma outra igreja,  na cidade de Scutari - Albânia, onde o povo venerava com ardor uma imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, a que eram atribuídos  muitos milagres.  A devoção crescia vertiginosamente, até que  no ano de 1467, maometanos turcos invadiram e dominaram a Albânia, culminando em perseguições e martírios aos cristãos.  A perseguição implacável, colocou a Igreja numa situação dificílima, de forma que muitos cristãos tiveram de abandonar o país e, os que ficaram, tiveram de permanecer na clandestinidade. Foi nessa ocasião,  que dois albaneses de nomes Solavis e Georgi, ao entrarem no santuário,  testemunharam um grande milagre, a princípio, muito intrigante. Uma nuvem divina rodeou a estampa de Nossa Senhora que foi como que retirada da parede e elevou-se no céu, dirigindo-se para Roma,  sobre o Mar Adriático.  Os peregrinos, impelidos a seguir  a trajectória,  passaram a  acompanhar a estampa. Com  muita confiança entraram no mar e passaram a caminhar  sobre as ondas e atravessaram-no até chegar às vizinhanças de Roma. Ali, a  estampa rodeada de nuvens foi-se afastando até que acabaram  por perdê-la de vista. 
Ao mesmo tempo,  na cidade de Genezzano, Itália,  a estrutura da Igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho estava  seriamente comprometida.  A velha igreja, construída pelo Papa Xisto III no século V,  havia ficado em ruínas não só pela acção do tempo, mas também pela falta de recursos.  Porém,  uma irmã da Ordem Terceira de Santo Agostinho, chamada Pedrina,  tomou conta da reconstrução da igreja, tarefa confiada unicamente à Providência Divina,  à Santíssima Virgem e  ao  santo padre Agostinho,  fundador  da ordem a  que pertencia.  Aos que duvidavam, respondia com muita fé e confiança que os seus esforços não eram vãos e que brevemente seriam postos a termo, com a força da graça divina. 
Era dia  25 de Abril,  nos festejos de São Marcos Evangelista, onde  também se realizava uma feira pública  naquela cidade e que contava com grande multidão. Repentinamente surgiu no céu uma nuvem em forma de coluna milagrosamente suspensa no ar, chamando a  atenção de todos  os circunstantes.  Tal coluna vagarosamente baixou em direcção a uma das paredes mais elevadas da igreja em  reconstrução e dissipou-se, imprimindo na parede, à vista de todos,  uma imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, pintada em fresco.  Os sinos, por si só,  passaram a  badalar  consecutivamente, causando estupefacção pública  e consequentemente a conversão de muito pagãos em Genezzano.  Surpreendidos,  falavam sobre a origem da  estampa, quais os desígnios de Deus acerca de tão grandioso mistério. 
A partir deste acontecimento, os padres agostinianos começaram a divulgar  o culto a Nossa Senhora do Bom Conselho, e não tardou que o inúmeros  fieis  de  toda  a  Itália e  países  circunvizinhos viessem em peregrinação para reverenciar Nossa Senhora.
Ao tomar conhecimento do grande milagre ocorrido em Genezzano, os dois peregrinos albaneses, Solavis e Georgirs, foram também  reverenciar Nossa Senhora do Bom Conselho, de quem eram extremamente devotos.  Mas, não relacionaram o primeiro milagre com o segundo.  Ao chegarem à cidade,  qual não foi a perplexidade deles ao constatarem que a estampa fixada na parede da igreja era a mesma estampa que tinham visto ser levada aos céus na sua cidade de origem, Scutari.  Ficou claro que a  estampa  havia sido trasladada de um país para o outro pelos  anjos de Deus.   Com  muito entusiasmo proclamaram o facto ao povo local.  Foram por isso interrogados por uma comissão e, sob juramento, contaram o que ocorrera na igreja da sua cidade de origem.  Detalhadamente narraram desde o momento em que a estampa «saiu»  da igreja de Scutari, a travessia do mar, a chegada a Itália até o momento em que a perderam de vista.  Desvendaram-se assim os milagrosos acontecimentos ocorridos desde a Albânia até Itália, para  onde a imagem foi levada pelos anjos por desígnio de Nossa Senhora. 
O  caso foi levado ao Papa Paulo II (Pietro Barbbo - pontificado 1464 a 1471), que foi quem iniciou o processo para apurar a veracidade dos factos. O Papa Leão XIII mandou construir um altar no seu oratório privado, visitou pessoalmente o santuário,  instituiu a Pia União, da qual se fez membro, redigiu poesias  e agraciou a igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho com o título de «Basílica Menor». 
No dia 25 de Abril de 1993 (viagem apostólica do Papa João Paulo II à Albânia), a mesma data em que a imagem foi levada pelos anjos de Scutari para Genezzano (25 de Abril de 1467),  João Paulo II dirigiu-se ao antigo templo e  doou uma  reprodução da imagem original, que foi  entronizada,  marcando definitivamente a reconciliação do governo e da Nação albanesa com a Igreja de Cristo. A partir daquele ano, o Vaticano financiou as  obras de reconstrução do Santuário,  depreciado por consequência da perseguição do regime comunista.
Fonte: Página Oriente

Oração
 

Gloriosíssima Virgem Maria,
escolhida pelo eterno Conselho
para Mãe do Verbo Humanado,
tesoureira das divinas graças
e advogada dos pecadores, eu,
o mais indigno dos vossos servos,
a vós recorro para que me sejais guia
e conselheira neste vale de lágrimas.
Alcançai-me, pelo preciosíssimo sangue
do vosso divino Filho,
o perdão dos meus pecados,
a salvação da minha alma
e os meios necessários
para obtê-la.
Alcançai também para a Santa Igreja
o triunfo sobre os seus inimigos
e a propagação do reino
de Jesus Cristo em todo o mundo.

Amen.

Fonte: Paróquias.org

Magnificat por João Paulo II

Um homem fiel à Fé e totalmente dedicado à Humanidade


























No próximo dia 1 de Maio, o Papa João Paulo II vai ser beatificado, no Vaticano. Em Portugal, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) exorta os portugueses à participação numa celebração de acção de graças, no dia 13 de Maio, por ocasião da peregrinação internacional aniversária. Nas palavras do porta-voz da CEP, o padre Manuel Morujão, este dia é «um motivo grande para fazermos festa pela beatificação do nosso Papa». Assim, o Santuário de Fátima será o lugar de expressão nacional para lembrar João Paulo II, três vezes peregrino de Nossa Senhora, em 1982, 1991 e no ano 2000.
Em texto editorial, publicado da edição de 13 de Março da “Voz da Fátima”, o reitor do Santuário recordou a acção e o testemunho de fé deste Papa: «Na tentativa de exprimir o que de mais relevante nele se salientou, começo pela estrutura espiritual, a característica que mais se evidenciou na sua personalidade. Ao ler as suas biografias ou os testemunhos resultantes do processo de beatificação, descobrimos um homem acima de tudo marcado pela profundidade da espiritualidade cristã, alicerçada numa fé inabalável e numa contínua atitude orante», escreveu o padre Virgílio Antunes, no texto que intitulou “Magnificat por João Paulo II”.
«Nunca um Papa tinha sido tão conhecido e tão amado», escreveu o reitor, que sublinha ainda que «no âmbito eclesial, na relação com as outras igrejas ou com as outras religiões, no mundo social e político, na cultura, cada pessoa acabou por valorizar aspectos diferentes, numa figura multifacetada, com uma grandeza moral capaz de entrar nos mundos mais diversos».
A propósito da devoção a Nossa Senhora, o padre Virgílio Antunes considera que «esta (devoção) ficou como uma das marcas mais profundas da sua maneira de ser cristão, à maneira de Maria, a quem se entregou na totalidade de si mesmo, expressa no lema “totus tuus” (todo teu), ó Maria».
Com este Papa, reitera o sacerdote, «a Mensagem de Fátima adquiriu uma dimensão eclesial e universal, que passava pela pessoa do Papa, o bispo vestido de branco. (…) A publicação da terceira parte do Segredo de Fátima ajudou a compreender muito do que se passou na Igreja ao longo do séc. XX, e garantiu, mais uma vez a conexão entre a profecia e os desígnios de Deus para o nosso tempo».
«A Igreja e o Mundo têm muitas razões para a agradecer a Deus o dom de João Paulo II, um homem fiel à sua fé e totalmente dedicado à humanidade. Fátima tem muitas razões para cantar o Magnificat de gratidão por Nossa Senhora o ter acolhido como filho predilecto e no-lo ter dado como irmão», conclui o editorial do jornal oficial do Santuário Fátima.

Beatificação de João Paulo II

Fátima em vigília mundial de oração














No próximo dia 1 de Maio, Bento XVI presidirá, no Vaticano, à beatificação do seu antecessor, João Paulo II. O Santuário de Fátima associa-se em júbilo a várias celebrações e iniciativas que estão a ser preparadas, algumas com expansão mundial.

Televisão unirá cinco lugares do mundo

Na noite de 30 de Abril, às 20:00 de Lisboa, numa organização do Vicariato de Roma, o mundo vai unir-se em oração. Intitulada «Totus Tuus – Vigília de Oração em preparação da beatificação de João Paulo II», a iniciativa terá um forte impacto, uma vez que juntará cinco lugares diferentes, através da televisão:
- a Basílica de Guadalupe, no México;
- o Santuário de Kawekamo, na Tanzânia;
- o Santuário de Fátima; em Portugal
- o Santuário Nacional de Cracóvia-Częstochowa, na Polónia;
- o Santuário de Nossa Senhora do Líbano, em Beirute.
Em cada uma destas cidades será recitado um mistério do Rosário, difundido em tempo real pelo Centro Televisivo do Vaticano para todo o mundo.Em Roma, a partir do Circo Massimo, presidirá à vigília o Cardeal Agostino Vallini, vigário de Sua Santidade para a Diocese de Roma.O Santuário de Fátima acolheu com muita alegria o convite para esta oração, porque será mais um momento para lembrar e homenagear João Paulo II.A Capelinha das Aparições foi o local escolhido para a ligação com Fátima. Deste lugar será possível acompanhar, através de ecrãs televisivos instalados para a ocasião, todo o Rosário.
D. Augusto César, bispo emérito de Portalegre Castelo Branco, presidirá em Fátima a este momento.
Mais informações sobre esta iniciativa no sítio da Rádio Vaticana.

1 de Maio – Beatificação de João Paulo II, no Vaticano

Fátima viverá a beatificação de João Paulo II em união espiritual a Roma

Em Portugal, ainda que a grande celebração nacional de acção de graças pela beatificação de João Paulo II esteja marcada para 13 de Maio, em Fátima, o Santuário pretende viver em ambiente de festa e de acção de graças o próprio dia da beatificação, 1 de Maio. Assim o Santuário lembrará o Papa que «peregrino entre os peregrinos» aqui esteve por três vezes e que, nas palavras do Reitor do Santuário, deu à mensagem de Fátima «uma dimensão eclesial e universal».
Deste modo, lugar vestir-se-á de festa para «agradecer o dom de João Paulo II à Igreja e à humanidade», afirma o P. Virgílio Antunes.

Concerto em Fátima em memória de João Paulo II

Ainda a 1 de Maio, o Santuário de Fátima promove a realização de um concerto que fará memória deste Papa por três vezes peregrino de Fátima. Decorrerá a partir das 16h, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. São intérpretes o Grupo Coral AdesbaChorus (Barreira, Leiria) e uma Orquestra de Cordas. Ao órgão: João Santos; nos tímpanos: Tiago Cordeiro, sob a direcção de Jorge Narciso e de Rita Pereira. «Totus Tuus» -, sendo este o lema de João Paulo II e tendo sido este o hino de uma das suas peregrinações a Fátima, o concerto terminará com o “Totus tuus Maria”, de A. Cartageno.

Para mais informações consulte o Santuário de Fátima.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mensagem de Nossa Senhora Rainha da Paz de 25 de Abril de 2011 a Marija


«Queridos filhos!
Assim como a natureza oferece as mais belas cores do ano, assim Eu vos peço para testemunhardes com a vossa vida e ajudarem os outros a aproximarem-se do meu Coração Imaculado, para que a chama de amor do Altíssimo possa brotar nos corações. Estou convosco e rezo incessantemente para que a vossa vida seja um reflexo do Céu aqui na terra. Obrigado por terem respondido ao meu apelo».

Tradução: L.B. do sítio oficial de Medjugorje
Fonte: medjugorje.org

Vaticano anuncia detalhes da cerimónia de beatificação de João Paulo II

«Uma gigantesca personalidade com fé forte e coerente que defendia a dignidade de todos os homens». Assim foi apresentada pelo cardeal vigário Agostino Vallini a figura do próximo beato da diocese de Roma, João Paulo II, na conferência de imprensa sobre a beatificação do Papa Wojtyla, na Sala de Imprensa vaticana.
O coração da beatificação terá três momentos: a vigília do dia 30 de Abril, no Circo Máximo, a missa da beatificação no dia 1 de Maio, na Praça São Pedro, presidida pelo Papa em concelebração com os cardeais, e a missa de acção de graças do dia 2 de Maio, também na Praça São Pedro, presidida pelo cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone.
Todas as decisões sobre os diversos detalhes da cerimónia de beatificação ainda não foram tomadas, como as que dizem respeito às relíquias, a pessoa que as levará, etc. A impressão da imagem do novo beato para o pano que será colocado na fachada da Basílica vaticana ainda está em andamento. A imagem escolhida ainda é segredo. Provavelmente será a mesma que foi escolhida para o poster da diocese de Roma, uma foto de João Paulo II feita pelo jornalista polaco Grzegorz Galazka no dia 8 de Dezembro de 1989, na veneração de Nossa Senhora Imaculada, na Praça de Espanha, em Roma. A revelação da imagem do novo beato será um dos momentos mais particulares e emocionantes da cerimónia de beatificação. A data da memória litúrgica será anunciada pelo Santo Padre durante a cerimónia.
A vigília terá um carácter mundial e romano, ressaltou o cardeal vigário. Na primeira parte, quem darão testemunhos serão o cardeal Stanislao Dziwisz, que por longos quase 40 anos foi secretário pessoal de Wojtyla; Joaquín Navarro-Valls, porta-voz da Santa Sé na época de João Paulo II, e Marie Simon Pierre Normand, freira francesa curada pela intercessão do futuro beato.
A segunda parte da vigília terá início com o canto "Totus Tuus", e serão recitados os mistérios luminosos do rosário, introduzidos pelo Papa polaco. A oração acontecerá em ligação com os cinco santuários marianos visitados pelo pontífice: Lagniewniki, em Cracóvia (Polónia); Kawekamo, Bugando (Tanzânia); Notre Dame du Lebanon, em Harissa (Líbano); a Basílica de Santa Maria de Guadalupe, na Cidade do México, e por fim, o Sanutário de Fátima, em portugal. Cada santuário rezará por uma intenção particular: os jovens, a família, a evangelização, a esperança e a paz dos povos e a Igreja.
Depois da vigília, oito igrejas romanas ficarão abertas durante toda a noite para a oração individual dos peregrinos. Será exposto o Santíssimo para adoração e será possível confessar-se.
A missa de beatificação será precedida por uma oração da coroa da Divina Misericórdia, introduzida pela santa Irmã Faustyna Kowalska, muito querida por João Paulo II. A recitação terminará com uma invocação da misericórdia e o canto do «Jezu ufam Tobie» (em polaco, «Jesus confio em ti» ).
Pela segunda vez, depois das mudanças na praxe, Bento XVI presidirá à cerimónia da beatificação - a primeira vez aconteceu em Inglaterra, onde o Papa fez beato o cardeal John Henry Newman. Para concelebrar a missa com o pontífice estarão somente os cardeais. Quantos, ainda não se sabe, mas certamente entre eles estará o cardeal Agostino Vallini, pelo facto de ser bispo da postulação, e também o cardeal Stanislao Dziwisz, porque Cracóvia é a segunda cidade do culto.
O canto, seja na vigília, seja na missa, será animado pela Capela Musical Pontifícia, pelo Coro da Diocese de Roma e pela Orquestra do Conservatório de Santa Cecília. Na missa de acção de graças estará presente o Coro de Varsóvia (capital da Polónia) e a Orquestra Sinfónica de Wadowice, cidade natal de Karol Wojtyla.
A comunhão na Praça São Pedro e na Via della Conciliazione será distribuída por 500 sacerdotes, e na área à volta da Praça de  São Pedro por outros 300. Para aqueles que não terão a possibilidade de recebê-la, logo depois acontecerá uma missa.
No dia 2 de Maio, na missa de acção de graças, será usado pela primeira vez o missal com a oração ao novo beato. Os textos já foram apresentados e aprovados pela Congregação para o Culto Divino. Os textos originais são em latim e italiano, mas estão previstas as traduções em várias línguas. Pelo facto da universalidade do futuro beato pontífice, todos poderão usar os textos.
O acesso a todas as celebrações é livre e sem bilhetes. Especula-se muito sobre o número de peregrinos. O número real para os organizadores é 300 mil pessoas. Logo depois do anúncio da data, os hoteis romanos elevaram muito os preços. A Obra Romana Peregrinações (ORP), encarregada do aspecto organizativo da chegada dos peregrinos fez um acordo com os directores dos hoteis para não aumentarem muito os preços, e ainda há vagas. «Não tenham medo de convidar as pessoas a virem a Roma», encorajou durante a Conferência Don Caesar Atuire, Administrador Delegado da ORP.
Para os peregrinos que virão em autocarros de turismo estão previstos estacionamentos. Para os dias 30 de Abril, 1 e 2 de Maio, a ORP propõe o «JPII Pass», um bilhete especial que inclui o bilhete para o transporte público para facilitar a chegada das pessoas aos lugares das cerimónias, o lanche e visita aos lugares cristãos da Cidade Eterna presentes na oferta da ORP. A comida está prevista para os peregrinos depois da vigília e da missa de beatificação. Com a contribuição dos patrocinadores, a ORP oferecerá aos peregrinos água e alguma coisa para comer.

Fonte: Gaudium Press

Um vídeo por dia com João Paulo II

1978 - Karol Wojtyla proclamado Papa João Paulo II
Dia de São Marcos Evangelista

Naquele tempo, Jesus apareceu aos onze Apóstolos e disse-lhes:
«Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes,  eles ficarão curados».



















E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra  com os milagres que a acompanhavam.
Foi o primeiro dos Apóstolos a escrever sobre a vida de Jesus e o seu Evangelho, por volta do ano 56 da nossa era.
No sítio arqueológico de Qumrâ foi encontrado um fragmento do seu «evangelho», datado do ano 56 d.C., dentro de um vaso onde estava escrito Roma. Erineu de Lyon, baseado em Papias, afirma que Marcos escreveu o «seu» Evangelho com base nas pregações de São Pedro em Roma.
São Marcos era Judeu e escolheu um nome romano, achando-se identificado com João cognominado Marcos, era primo de Barnabé e filho de Maria, que residia em Jerusalém.
Marcos foi convertido à Fé cristã pelo ministério de Pedro, que costumava frequentar a casa da sua mãe.
Acompanhou desde Jerusalém até Antioquia (actual sul da Turquia) Paulo e Barnabé, e daí partiu com eles para uma viajem missionária mas deixou-os antes de a completarem. Esteve no Chipre com Barnabé, e quando Paulo estava preso em Roma era já Marcos considerado como seu auxiliar.
Alguns escritores afirmam que ele trabalhou com Pedro durante o seu ministério onde gozava de grande estima e amizade. Depois do martírio de São Pedro dirigiu-se para Alexandria, tendo difundido o Evangelho, onde foi martirizado.  É-lhe atribuída a fundação da Igreja de Alexandria (Igreja Copta).
O seu símbolo como evangelista é o Leão.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São Marcos, 16, 15-20
São Marcos Evangelista, nasceu no ano 10 antes de Cristo na cidade de Alexandria, no Egipto actual, e morreu em 68 depois de Cristo (d.C.). É o nome tradicional do autor de um dos Evangelhos. A tradição identifica-o com o Marcos-João mencionado como companheiro de Paulo de Tarso (São Paulo) nos actos dos Apóstolos e que posteriormente se teria tornado discípulo de Simão-Pedro (São Pedro).

Beatificação de João Paulo II











Temos dito e muitas vezes repetido que os tempos modernos não são propícios à santidade, sobretudo à santidade como tal, afirmada pela Igreja, em conformidade com os sinais certos e exigidos na definição da causa dos santos.
Até há pouco tempo, a presidência da pastoral da causa dos santos estava entregue ao Cardeal português Saraiva Martins. Por ter atingido o limite de idade canónica preceituada para os cardeais e bispos, hoje, o Cardeal Saraiva Martins deixou de ser o Prefeito das causas dos Santos. Porém, os trabalhos sérios e meticulosos relativos às beatificações e canonizações dos beatos e dos santos, continuam a seguir os seus trâmites, manifestando-se sempre dentro dum clima da máxima seriedade e da maior aproximação de Deus Uno e Santo.
No próximo dia 1 de Maio, a cura de uma freira que sofria de Parkinson, considerada pela Igreja Católica um milagre do Papa João Paulo II. Uma vez beatificado, será necessária a validação dum segundo milagre que lhe seja atribuído, para que o popular Karol Wojtyla seja considerado um santo. A doença da freira das pequenas irmãs das Maternidades Católicas foi diagnosticada em 2001, aos 40 anos e agravou-se em 2005, depois da morte do Papa, a 2 de Abril. Nessa altura a comunidade rezou e pediu a intercessão de João Paulo II, que também sofria de Parkinson.
O anúncio da beatificação foi saudado, com muita alegria na Polónia, terra natal do anterior Papa, onde o líder histórico do sindicato Solidariedade e ex-Presidente Lech Walesa já começa a falar em canonização: católico fervoroso, declarou-se duplamente feliz, porque um homem santo, na sua vida, será oficialmente santo “porque teremos, enfim, um santo da nossa época”.
A próxima beatificação do Papa João Paulo II, nos nossos dias, vem comprovar que a santidade não depende dos tempos e dos calendários, mas sim da fé e do amor que nasce e cresce nos corações. Esta é a grande riqueza e também a carência dos nossos espíritos.
A notícia da beatificação de João Paulo II foi recebida por todos os católicos, na Polónia e fora dela, com grande alegria e geral contentamento. Mais uma vez o firmamento da Igreja fica esmaltado com uma estrela brilhante e todos os crentes se sentem fortalecidos na sua fé e na adesão às coisas do alto.
Hoje, sente-se que os mistérios do mundo e da vida, perante a evidência dos factos e clareza das provas, estão a cair no mundo das certezas que, todas as pessoas são convidadas a aceitar sem pestanejar. O mundo encontra-se em constante mutação; a maior parte das vezes, trata-se duma mudança para pior. Todos nós sentimos que estas alterações da vida e o progresso material não geram em nós a felicidade e o gosto de viver. Pelo contrário: ser homem e mulher modernos são sinónimo de insatisfação e duma certa angústia que se apodera de todos, a apontar para o desejo de qualquer coisa que não conseguimos agarrar, nesta vida ultra progressiva.

domingo, 24 de abril de 2011

Domingo de Páscoa

Cristo ressuscitou! Aleluia, aleluia, aleluia!

































Leitura dos Actos dos Apóstolos, 10, 34a. 37-43

Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse:
«Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos Judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n’O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d’Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses, 3,1-4

Irmãos:
Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.

Sequência da Páscoa

À Vítima pascal
ofereçam os cristãos
sacrifícios de louvor.
O Cordeiro resgatou as ovelhas:
Cristo, o Inocente,
reconciliou com o Pai os pecadores.
A morte e a vida
travaram um admirável combate:
Depois de morto,
vive e reina o Autor da vida.
Diz-nos, Maria:
Que viste no caminho?
Vi o sepulcro de Cristo vivo
e a glória do Ressuscitado.
Vi as testemunhas dos Anjos,
vi o sudário e a mortalha.
Ressuscitou Cristo, minha esperança:
precederá os seus discípulos na Galileia.
Sabemos e acreditamos:
Cristo ressuscitou dos mortos:
Ó Rei vitorioso,
tende piedade de nós.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João, 20, 1-9

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes:
«Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde O puseram».
Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

sábado, 23 de abril de 2011

Milhares de pessoas entram na Igreja Católica depois de um percurso de preparação que culmina na Vigília Pascal














O número de adultos a pedir o Baptismo aumenta no nosso país, numa época de forte secularização, com as opções dos pais que relegam esta decisão para a própria vontade dos filhos, e com a chegada de imigrantes de países não-cristãos.
Em Portugal, a maioria esmagadora dos Baptismos continua a decorrer antes do primeiro ano de vida (perto de 75 mil), mas nos últimos tempos são já mais de sete mil (números de 2008, últimos dados disponíveis) os que, anualmente, se tornam católicos depois dos 7 anos, idade que a tradição da Igreja associa aos que «atingiram a idade da razão».
Hoje em dia o número de Baptismos depois dos 7 anos representa, em todo o mundo, cerca de 15% do total.
Desde os primeiros tempos da Igreja Católica que o tornar-se cristão se processa através de um percurso estruturado, em fases diversas, que culminava com o Baptismo na Vigília Pascal.
A importância deste gesto é tal que se considera que a liturgia baptismal da Vigília só atinge a sua plenitude quando se celebra o Baptismo de adultos, ou pelo menos de crianças.
O processo destinado a atingir a fé e os conhecimentos requeridos pelo Baptismo e restantes sacramentos da iniciação cristã - Confirmação (ou Crisma) e Eucaristia - demora pelo menos três anos.
A iniciação cristã dos adultos começa com o pré-catecumenado, seguindo-se um tempo ligado ao conhecimento de Jesus, da Igreja e das verdades da fé cristã, denominado de catecumenado, onde se inclui o Rito de Eleição, que marca a transição das catequeses para a vertente espiritual.
Depois de terem recebido os sacramentos da iniciação, os adultos aprofundam o conhecimento sobre o cristianismo e inserem-se progressivamente na vida das comunidades.
O catecumenado, tal como foi pensado pela Igreja nos primeiros séculos, é a instituição que tem a missão de acompanhar estas pessoas no itinerário de fé até aos sacramentos do Baptismo, da Confirmação e da Eucaristia.
Andreia André, de Casal de Cambra, em Lisboa, é um exemplo de persistência numa jornada em busca da fé que conseguiu congregar toda a sua família.
«Os meus pais eram testemunhas de Jeová quando eu nasci, afastaram-se da religião durante um tempo, fui crescendo sempre com as bases de testemunha de Jeová mas sempre com uma grande curiosidade sobre a Igreja” recordou a jovem, em entrevista ao Programa da Igreja Católica na Antena 1.
Joana Martins, por exemplo, começou a questionar a sua fé quando se relacionava com as colegas da faculdade, todas crentes.
Daí ao passo de querer ser baptizada foi o aumento da expectativa e ainda, em preparação, esta jovem deixa o testemunho de se encantar com a Igreja.
Foi na preparação para um casamento misto que André Silva percebeu que a sua vocação era ser baptizado e por isso este consultor informático vai receber, nesta Vigília Pascal, em Nova Oeiras, os sacramentos do Baptismo, Crisma e Eucaristia.

Audiência geral de quarta-feira dedicada ao Tríduo pascal
A pobreza humana levada à altura de Deus

Na oração do Getsémani, Jesus assume a pobreza, os problemas e os sofrimentos do ser humano e eleva-os à "altura de Deus". Disse o Papa na audiência geral de quarta-feira da semana santa, 20 de Abril, dedicada ao Tríduo pascal.

«Queridos irmãos e irmãs!
Já chegamos ao coração da Semana Santa, cumprimento do caminho quaresmal. Amanhã entraremos no Tríduo Pascal, os três dias santos em que a Igreja faz memória do mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus. O Filho de Deus, depois de se ter feito homem em obediência ao Pai, tornando-se em tudo semelhante a nós excepto no pecado (cf. Hb 4, 15), aceitou cumprir até ao fim a sua vontade, de enfrentar por amor a nós a paixão e a cruz, para nos tornar partícipes da sua ressurreição, para que possamos viver n'Ele para sempre, na consolação e na paz. Por conseguinte, exorto-vos a acolher este mistério de salvação, a participar intensamente no Tríduo pascal, fulcro de todo o ano litúrgico e momento de graça especial para cada cristão; convido-vos a procurar nestes dias o recolhimento e a oração, de modo a haurir mais profundamente desta nascente de graça. A este propósito, em vista das iminentes festas, cada cristão está convidado a celebrar o sacramento da Reconciliação, momento de adesão especial à morte e ressurreição de Cristo, para poder participar com mais proveito na Santa Páscoa.
A Quinta-Feira Santa é o dia no qual se faz memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. Durante a manhã, cada comunidade diocesana, reunida na Igreja Catedral em volta do Bispo, celebra a Missa crismal, na qual são abençoados o sagrado Crisma, o Óleo dos catecúmenos e o Óleo dos enfermos. A partir do Tríduo pascal e durante todo o ano litúrgico, estes Óleos serão usados para os Sacramentos do Baptismo, da Confirmação, das Ordenações sacerdotais e episcopais e da Unção dos Enfermos; nisto evidencia-se como a salvação, transmitida pelos sinais sacramentais, brota precisamente do Mistério pascal de Cristo; com efeito, nós somos remidos com a sua morte e ressurreição e, mediante os Sacramentos, bebemos daquela mesma fonte salvífica. Durante a missa crismal, amanhã, realiza-se também a renovação das promessas sacerdotais. Em todo o mundo, cada sacerdote renova os compromissos que assumiu no dia da Ordenação, para ser totalmente consagrado a Cristo na prática do sagrado ministério ao serviço dos irmãos. Acompanhemos os nossos sacerdotes com a nossa oração.
Na tarde de Quinta-Feira Santa tem efectivo início o Tríduo pascal, com a memória da Última Ceia, durante a qual Jesus instituiu o Memorial da sua Páscoa, cumprindo o rito pascal judaico. Segundo a tradição, cada família judaica, reunida à mesa na festa de Páscoa, come o cordeiro assado, fazendo memória da libertação dos Israelitas da escravidão do Egipto; assim no cenáculo, consciente da sua morte iminente, Jesus, verdadeiro Cordeiro pascal, oferece-se a si mesmo pela nossa salvação (cf. 1 Cor 5, 7). Pronunciando a bênção sobre o pão e o vinho, Ele antecipa o sacrifício da cruz e manifesta a intenção de perpetuar a sua presença no meio dos discípulos: sob as espécies do pão e do vinho, Ele torna-se presente de modo real com o seu corpo oferecido e com o seu sangue derramado. Durante a Última Ceia, os Apóstolos são constituídos ministros deste Sacramento de salvação; Jesus lava-lhes os pés (cf. Jo 13, 1-25), convidando-os a amarem-se uns aos outros como Ele os amou, dando a vida por eles. Repetindo este gesto na Liturgia, também nós somos chamados a testemunhar com os factos o amor do nosso Redentor.
Por fim, a Quinta-Feira Santa, é encerrada com a adoração eucarística, na recordação da agonia do Senhor no Jardim do Getsémani. Tendo deixado o Cenáculo, Ele retirou-se para rezar, sozinho, diante do Pai. Naquele momento de comunhão profunda, os Evangelhos narram que Jesus sentiu uma grande angústia, um tal sofrimento que o fez suar sangue (cf. Mt 26, 38). Consciente da sua iminente morte de cruz, Ele sente uma grande angústia e a proximidade da morte. Nesta situação, sobressai também um elemento de grande importância para toda a Igreja. Jesus diz aos seus: permanecei aqui e vigiai; e este apelo à vigilância diz respeito precisamente a este momento de angústia, de ameaça, na qual chegará o momento proditório [traiçoeiro], mas diz respeito a toda a história da Igreja. É uma mensagem permanente para todos os tempos, porque a sonolência dos discípulos não era só um problema daquele momento, mas é o problema de toda a história. A questão reside no que consiste esta sonolência, em que consistiria a vigilância à qual o Senhor nos convida. Diria que a sonolência dos discípulos ao longo da história é uma certa insensibilidade da alma ao poder do mal, uma insensibilidade a todo o mal do mundo. Não nos queremos deixar perturbar demasiado por estas coisas, queremos esquecê-las: pensamos que talvez não é tão grave, e esquecemos. E não se trata apenas de insensibilidade ao mal, quando deveríamos vigiar por fazer o bem, para lutar pela força do bem. É insensibilidade a Deus: eis a nossa verdadeira sonolência; esta insensibilidade pela presença de Deus que nos torna insensíveis também ao mal. Não ouvimos Deus - incomodar-nos-ia - e assim, naturalmente, também não ouvimos a força do mal e permanecemos no caminho do nosso bem-estar. A adoração nocturna da Quinta-Feira Santa, o estar vigilantes com o Senhor, deveria ser precisamente o momento para nos fazer reflectir acerca da sonolência dos discípulos, dos defensores de Jesus, dos apóstolos, de nós, que não vemos, não queremos ver toda a força do mal, e que não queremos entrar na sua paixão pelo bem, pela presença de Deus no mundo, por amor ao próximo e a Deus.
Depois, o Senhor começa a rezar. Os três apóstolos - Pedro, Tiago, João - dormem, mas de vez em quando acordam e ouvem o refrão desta oração do Senhor: "Não seja feita a minha vontade, mas a Tua". O que é esta minha vontade, o que é esta tua vontade, de que o Senhor fala? A minha vontade é "que não deveria morrer", que lhe seja poupado este cálice do sofrimento: é a vontade humana, da natureza humana, e Cristo sente, com toda a consciência do seu ser, a vida, o abismo da morte, o terror do nada, esta ameaça do sofrimento. E Ele mais do que nós, que sentimos esta natural repulsa à morte, este medo natural da morte, ainda mais do que nós, ele sente o abismo do mal. Sente, com a morte, também todo o sofrimento da humanidade. Sente que tudo isto é o cálice que deve beber, que se deve dar a si mesmo, aceitar o mal do mundo, tudo o que é terrível, a repulsa de Deus, todo o pecado. E podemos compreender como Jesus, com a sua alma humana, se sente aterrorizado perante esta realidade, que sente em toda a sua crueldade: a minha vontade seria não beber o cálice, mas a minha vontade está subordinada à tua vontade, à vontade de Deus, à vontade do Pai, que é também a verdadeira vontade do Filho. E assim Jesus transforma, nesta oração, a repulsa natural, a repulsa do cálice, da sua missão de morrer por nós; transforma esta sua vontade natural em vontade de Deus, num "sim" à vontade de Deus. O homem em si é tentado a opor-se à vontade de Deus, a ter a intenção de seguir a própria vontade, de se sentir livre unicamente se é autónomo; opõe a própria autonomia contra a heteronomia de seguir a vontade de Deus. Eis o drama da humanidade. Mas na verdade esta autonomia é errada e este entrar na vontade de Deus não é uma oposição a si, não é uma escravidão que violenta a minha vontade, mas é entrar na verdade e no amor, no bem. E Jesus puxa a nossa vontade, que se opõe à vontade de Deus, que procura a autonomia, puxa esta nossa vontade para o alto, rumo à vontade de Deus. Este é o drama da nossa redenção, que Jesus puxa para o alto a nossa vontade, toda a nossa repulsa à vontade de Deus e a nossa repulsa à morte e ao pecado, e une-a à vontade do Pai: "Não seja feita a minha vontade, mas a Tua". Nesta transformação do "não" em "sim", nesta inserção da vontade criatural na vontade do Pai, Ele transforma a humanidade e redime-nos. E convida-nos a entrar neste seu movimento: sair do nosso "não" e entrar no "sim" do Filho. A minha vontade existe, mas é decisiva a vontade do Pai, porque esta é a verdade e o amor.
Mais um elemento desta oração que me parece importante. As três testemunhas conservaram - como se lê na Sagrada Escritura - a palavra judaica ou aramaica com a qual o Senhor falou ao Pai, chamou-o: "Abbà", pai. Mas esta fórmula, "Abbà", é uma forma familiar da palavra pai, uma forma que se usa só em família, que nunca se usou em relação a Deus. Aqui vemos no íntimo de Jesus como fala em família, fala verdadeiramente como Filho com o Pai. Vemos o mistério trinitário: o Filho que fala com o Pai e redime a humanidade.
Mais uma observação. A Carta aos Hebreus deu-nos uma profunda interpretação desta oração do Senhor, deste drama do Getsémani. Diz: estas lágrimas de Jesus, esta oração, este brado de Jesus, esta angústia, tudo isto não é simplesmente uma concessão à debilidade da carne, como se poderia dizer. Precisamente assim realiza o cargo do Sumo Sacerdote, porque o Sumo Sacerdote deve levar o ser humano, com todos os seus problemas e sofrimentos, à altura de Deus. E a Carta aos Hebreus diz: com todos estes brados, lágrimas, sofrimentos, orações, o Senhor levou a nossa realidade a Deus (cf. Hb 5, 7 ss.). E usa esta palavra grega "prosferein", que é o termo técnico para o que o Sumo Sacerdote deve fazer para oferecer, para elevar as suas mãos. Precisamente neste drama do Getsémani, onde parece que a força de Deus já não está presente, Jesus desempenha a função do Sumo Sacerdote. Além disso diz que neste acto de obediência, isto é, de conformação da vontade natural humana com a vontade de Deus, é aperfeiçoado como sacerdote. E usa de novo a palavra técnica para ordenar sacerdote. Precisamente assim se torna realmente o Sumo Sacerdote da humanidade e abre desta forma o céu e a porta da ressurreição.
Se reflectirmos sobre este drama do Getsémani, podemos ver também o grande contraste entre Jesus com a sua angústia, com o seu sofrimento, em confronto com o importante filósofo Sócrates, que permanece pacífico, sem se perturbar diante da morte. E este parece ser o ideal. Podemos admirar este filósofo, mas a missão de Jesus era outra. A sua missão não era esta total indiferença e liberdade; a sua missão consistia em carregar sobre si os nossos sofrimentos, todo o drama humano. E por isso precisamente esta humilhação do Getsémani é essencial para a missão do Homem-Deus. Ele carrega o nosso sofrimento, a nossa pobreza, e transforma-a segundo a vontade de Deus. E assim abre as portas do céu, abre o céu: esta tenda do Santíssimo, que até agora o homem fechou a Deus, está aberta a este sofrimento e obediência. Estas são algumas observações para a Quinta-Feira Santa, para a nossa celebração da noite da Quinta-Feira Santa.
Na Sexta-feira Santa fazemos memória da paixão e da morte do Senhor; adoraremos Cristo Crucificado, participaremos dos seus sofrimentos com a penitência e com o jejum. Dirigindo "o olhar para aquele que trespassaram" (cf. Jo 19, 37), poderíamos haurir do seu coração dilacerado que efunde sangue e água como de uma nascente; daquele coração, do qual brota o amor de Deus por todos os homens, recebemos o seu Espírito. Por conseguinte, acompanhemos também nós na Sexta-feira Santa Jesus que sobe ao Calvário, deixemo-nos guiar por Ele até à cruz, recebamos a oferenda do seu corpo imolado. Por fim, na noite do Sábado Santo, celebraremos a solene Vigília Pascal, na qual nos é anunciada a ressurreição de Cristo, a sua vitória definitiva sobre a morte que nos interpela a ser n'Ele homens novos. Participando nesta santa Vigília, a Noite central de todo o Ano Litúrgico, faremos memória do nosso baptismo, no qual também nós fomos sepultados com Cristo, para poder ressuscitar com Ele e participar no banquete do céu (cf. Ap 19, 7-9).
Queridos amigos, procurámos compreender o estado de ânimo com que Jesus viveu o momento da prova extrema, para compreender o que orientava o seu agir. O critério que guiou cada opção de Jesus durante toda a sua vida foi a firme vontade de amar o Pai, de ser um com o Pai, e ser-lhe fiel; esta decisão de corresponder ao seu amor levou-o a abraçar, em todas as circunstâncias, o projecto do Pai, a fazer seu o desígnio de amor que lhe foi confiado de recapitular n'Ele todas as coisas, para reconduzir tudo a Ele. Ao reviver o Tríduo santo, disponhamo-nos a aceitar também nós na nossa vida a vontade de Deus, conscientes que na vontade de Deus, mesmo se parece difícil, em contraste com as nossas intenções, encontra-se o nosso verdadeiro bem, o caminho da vida. A Virgem Mãe nos guie neste itinerário, e nos obtenha do seu Filho divino a graça de poder empregar a nossa vida por amor a Jesus, ao serviço dos irmãos. Obrigado.»
No final da Audiência geral, saudando os fiéis presentes, dirigiu aos lusófonos estas expressões.
«A minha saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos jovens universitários vindos para o UNIV! Exorto-vos, na celebração do Santo Tríduo, a dispor-vos ao acolhimento nas vossas vidas da vontade de Deus, conscientes de que nela se encontra o nosso verdadeiro bem, e o caminho da vida! Uma Santa Páscoa para todos!»

L'Osservatore Romano - 23 de Abril de 2011)
Campanha de consciencialização do autismo iluminaou monumentos em todo o mundo

















Nas noites de 1 e 2 de Abril, os que vivem ou estiveram na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil,  e olhassem para o Cristo Redentor viram-no iluminado de azul. A iniciativa fez parte do «Dia Mundial de Consciencialização do Autismo» e foi inspirada na campanha internacional «Light it Up Blue», da Organização Autism Speaks (O Autismo Fala), que iluminou nos mesmos dias e com a mesma cor outros monumentos pelo mundo, como o Empire State Building e a Ponte Estaiada, em São Paulo.
Momentos antes do monumento receber a iluminação especial, foi celebrada uma missa na capela Nossa Senhora Aparecida, localizada na base do Cristo Redentor. Na ocasião, um dos bispos auxiliares da cidade carioca, Dom Antonio Augusto Dias Duarte falou a respeito das dificuldades de tratamento do autismo no Brasil. O evento contou também com um apresentação do tenor Saulo Lucas, portador da doença, que entoou a «Ave Maria».
Segundo informações da Arquidiocese do Rio de Janeiro, os organizadores do evento pretenderam chamar a atenção das autoridades brasileiras para que um diagnóstico precoce da doença seja implantado na rede de saúde pública e para que haja, do mesmo modo, um tratamento multidisciplinar; um acompanhamento para as famílias dos enfermos; e residências assistidas para aqueles que não têm responsáveis.
Um dos objectivos da campanha  foi também promover uma pesquisa nacional ampla para estimar a quantidade de cidadãos com autismo no Brasil. Conforme estimativas da ONU, no mundo, aproximadamente 70 milhões de pessoas são portadoras de autismo. E os números parecem estar a aumentar. Segundo dados do Center of Diseases Control and Prevention (Centro de Controle e Prevenções de Doença), em 1990 havia um caso de autismo para 2500 crianças nascidas no mundo. Essa relação já é de uma para 110 crianças. O Cristo Rei, em Almada, e a Torre dos Clérigos, no Porto, juntaram-se à iniciativa internacional. A porta-voz da Vencer Autismo em Portugal lembrou que se estima que a doença afecte cerca de 70 mil pessoas em Portugal.

Em Portugal, as mais elementares obrigações de respeito e boa educação continuam a ser constantemente desprezadas pelos senhores ministros, deputados e outras «classes» de poder que continuam com a sua verborreia, arrogância e soberba a insultar as pessoas portadoras desta e de outras doenças (nota do editor).

Fonte: gaudiumpress.org / Foto: vencerautismo.org