sábado, 23 de abril de 2011

Instituições sociais portuguesas reclamam competências

Em Portugal as instituições sociais reclamam junto das forças políticas a criação de condições legais, financeiras e estruturais que permitam ao sector solidário continuar a ser, cada vez mais, uma «mola amortecedora contra o desânimo».
Segundo o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), os portugueses começam agora a «tomar consciência do volume de serviço» que as instituições sociais prestam e «da necessidade de continuarem a prestar este serviço», depois de «bastantes anos» serem olhadas apenas como «um conjunto de boa gente que ia ocupando o seu tempo».
Numa altura em que os partidos políticos preparam os seus programas para o processo eleitoral que se realiza no próximo dia 5 de Junho , a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade pede, em carta aberta às diversas forças políticas, que esclareçam o rumo que pretendem traçar para o Sector Solidário nos próximos anos.
A organização reclama maior voz para uma força solidária que, a nível nacional, presta actualmente auxílio a mais de 600 mil utentes, tem intervenção decisiva em áreas como a saúde, a acção social e a educação, e emprega mais de 250 mil trabalhadores.
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade lamenta que «as instituições sociais não sejam ouvidas», em tempo de crise, quando a troika constituída pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia está a promover reuniões com vários organismos políticos, sociais e económicos.

Via-Sacra no Coliseu de Roma lembrou o sofrimento das crianças e as perseguições aos cristãos
Bento XVI apresentou a Cruz como «sinal luminoso» do amor















Bento XVI presidiu a noite passada à tradicional Via-Sacra de sexta-feira Santa, no Coliseu de Roma, lembrando o sofrimento das crianças e a «mentira» na sociedade de hoje.
Na oração inicial desta celebração, alertou-se para a «desordem do coração» que «desfigura a ingenuidade dos pequeninos e dos fracos».
O Papa falou ainda das «várias máscaras da mentira» que «ridicularizam a verdade» e «as lisonjas do sucesso» que sufocam o «apelo íntimo à honestidade», bem como de um «vazio de sentido e de valores» na educação.
Durante a cerimónia, aludiu-se ao «peso da perseguição contra a Igreja de ontem e de hoje, a perseguição que mata os cristãos em nome de um deus alheio ao amor e a que mina a sua dignidade com "lábios mentirosos e palavras arrogantes"».
«Jesus carregou o peso da perseguição contra Pedro, aquela contra a voz clara da "verdade que interpela e liberta o coração". Jesus, com a sua Cruz, carregou o peso da perseguição contra o seus servos e discípulos, contra aqueles que respondem ao ódio com o amor, à violência com a mansidão», assinalava a meditação.
No final da celebração, Bento XVI apresentou um convite a meditar sobre o
«silêncio da cruz, o silêncio do amor, que leva o peso da dor».A cruz, que parece uma «derrota», disse, «não é o sinal da vitória da morte, mas o sinal luminoso do amor».
«Fixemos bem aquele homem crucificado entre a terra e o céu, contemplemo-lo com um olhar mais profundo, e descobriremos que a Cruz não é o sinal da vitória da morte, do pecado, do mal, mas o sinal luminoso do amor, mais ainda, da imensidão do amor de Deus, daquilo que não teríamos jamais podido pedir, imaginar ou esperar: Deus debruçou-Se sobre nós, abaixou-Se até chegar ao ângulo mais escuro da nossa vida, para nos estender a mão e atrair-nos a Si, levar-nos até Ele.
A Cruz fala-nos do amor supremo de Deus e convida-nos a renovar, hoje, a nossa fé na força deste amor, a crer que em cada situação da nossa vida, da história, do mundo, Deus é capaz de vencer a morte, o pecado, o mal, e dar-nos uma vida nova, ressuscitada».
A autora dos textos lidos durante a Via-Sacra, Maria Rita Piccione, quis dar espaço «à voz da infância, por vezes insultada, magoada, explorada», não só devido aos abusos sexuais,
«pois o campo é muito amplo e diz respeito à toda a humanidade».A monja de clausura italiana referiu à Rádio Vaticano que a redacção dos textos foi inspirada pelos crentes e por «todas as pessoas», bem como pelo «coração humano», que descreveu «como um laboratório no qual se decidem o destino do que acontece em nível muito mais amplo».No início de cada estação, aparecia «uma frase muito breve que pretende oferecer a chave de leitura da respectiva estação».
«Podemos recebê-la como que vinda de uma criança, numa espécie de apelo à simplicidade dos pequeninos que sabem captar o coração da realidade e num espaço simbólico de acolhimento, na oração de Igreja, da voz da infância por vezes ofendida e explorada», pode ler-se na apresentação das reflexões.
Correspondendo a um desejo da autora das meditações deste ano, duas crianças leram as introduções a cada estação.
A cruz foi transportada ao longo do percurso, entre outros, pelo cardeal Agostino Vallini, vigário do Papa para a diocese de Roma; uma família romana e outra da Etiópia; duas monjas agostinhas; um franciscano e uma rapariga egípcia; um doente em cadeira de rodas e dois frades da custódia da Terra Santa.
O Papa pede todos os anos a um autor diferente para redigir as reflexões da celebração, seguida por dezenas de milhares de peregrinos com velas na mão que se concentram junto ao Coliseu, na capital italiana, e por milhões de pessoas em todo o mundo, através dos meios de comunicação social.
Bispo do Porto pede resposta de «esperança» aos católicos alertando para a «profunda crise social e económica» de Portugal
 
O bispo do Porto deixou votos de que «cada comunidade cristã» consiga criar um «princípio de reposta» e a «fermentação da esperança» para a crise que atravessa Portugal.
Na homilia da Missa Crismal a que presidiu na catedral portuense, D. Manuel Clemente falou de uma sociedade «em profunda crise social e económica, que é também cultural e espiritual».
Aos católicos, acrescentou o prelado, compete «anunciar a boa nova aos pobres, aos pobres de todas as pobrezas, salutares e desejáveis, ou injustas e insuportáveis», mas devem partir para essa tarefa com a convicção de que «a evangelização é obra divina, passando através daqueles que, em Cristo e no Espírito, cumprem a vontade do Pai».
«Vinte séculos de cristianismo nos demonstram à sociedade que as únicas vitórias do Evangelho foram sempre protagonizadas pelo amor de Deus”, precisou.
O bispo do Porto dedicou parte da sua homilia à «Missão 2010», promovida pela diocese, destacando «o bom resultado de quanto foi ao encontro das pessoas» e as «urgências, em relação às famílias, aos jovens e à formação cristã em geral.
Manuel Clemente deixou votos de que sejam promovidas, agora, «acções concretas, especialmente comunitárias e intercomunitárias, vicariais ou outras», noticiou o sítio da Rádio Vaticano.

Mensagem de Jesus Cristo no Sábado Santo, dia 10 de Abril de 2004, a Myrna Nazzour, em Soufanieh

«O meu último mandamento:
Retornai cada um para a sua casa, mas carregando consigo o Oriente nos seus corações.
Daqui raiou a luz de novo. Vós sois a luz para um mundo seduzido pelo materialismo, a sensualidade e a celebridade, a ponto de quase perder os seus valores.
Quanto a vós, preservai as vossas raízes orientais. Não permitais que alienem a sua vontade, a sua liberdade e a sua fé neste Oriente».


Sítio oficial de Soufanieh

Sábado Santo

«Estava a mãe dolorosa... »

Estava a Mãe dolorosa, junto da cruz lacrimosa, enquanto Jesus sofria.

Uma longa e fria espada, nessa hora atribulada, o seu coração feria.

Oh quão triste e tão aflita padecia a Mãe bendita, entre blasfémias e pragas,

Ao olhar o Filho amado, de pés e braços pregado, sangrando das Cinco Chagas!

Quem é que não choraria, ao ver a Virgem Maria, rasgada em seu coração,

Sem poder em tal momento, conter as fúrias do vento e os ódios da multidão!

Firme e heróica no seu posto, viu Jesus pendendo o rosto, soltar o alento final.

Ó Cristo, por vossa Mãe, que é nossa Mãe também, dai-nos a palma imortal.

Maria, fonte de amor, fazei que na vossa dor convosco eu chore também.

Fazei que o meu coração seja todo gratidão a Cristo de quem sois Mãe.

Do vosso olhar vem a luz que me leva a ver Jesus na sua imensa agonia.

Convosco, ó Virgem, partilho das penas do vosso Filho, em quem minha alma confia.

Mãos postas, à vossa beira, saiba eu, a vida inteira, guiar por Vós os meus passos.


E quando a noite vier, eu me sinta adormecer no calor dos vossos braços.

Virgem das Virgens, Rainha, Mãe de Deus, Senhora minha, chorar convosco é rezar.

Cada lágrima chorada lembra uma estrela tombada do fundo do vosso olhar. 

No Calvário, entre martírios, fostes o Lírio dos lírios, todo orvalhado de pranto.

Sobre o ódio que O matava, fostes o amor que adorava o Filho três vezes santo.

A cruz do Senhor me guarde, de manhã até à tarde, a minha alma contrita.

E quando a morte chegar, que eu possa ir repousar à sua sombra bendita.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Santo Padre na televisão pública italiana
«A violência nunca vem de Deus... »

Bento XVI foi hoje um inédito convidado do programa «À Sua Imagem» da televisão pública italiana (RAI), para responder a sete questões de pessoas de todo o mundo, numa emissão especial de sexta-feira Santa.
A primeira questão, foi sobre o «sentido da dor» após uma tragédia como o tsunami que varreu o Japão em Março, refere o sítio do programa na internet.
Helena, menina japonesa de 7 anos, com pai italiano, diz que já não pode brincar no parque e perguntou ao Papa, «que fala com Deus», porque é que as crianças têm de sentir «tanta tristeza».
Bento XVI, a este respeito, diz não ter «respostas» para questões que ele próprio se coloca, mas sublinha que «mesmo quando permanece a tristeza» deve existir a certeza sobre a presença de Deus.
«Um dia, vou perceber que este sofrimento não era vazio, não era em vão, mas há um projecto bom, um projecto de amor», assinalou.
«Estamos contigo, com todas as crianças japonesas que sofrem, queremos ajudar-vos com a oração, com os nossos actos; tende a certeza de que Deus vos ajuda. Por isso, rezamos juntos para que tenham luz, quanto antes», acrescentou o Papa.
Entre as outras seis pessoas escolhidas para fazer uma pergunta - houve mais de 2000 propostas à redacção - está uma mãe italiana, que há dois anos se dedica a cuidar do filho em estado vegetativo permanente e quis saber o que acontece à alma de quem está nessa situação clínica irreversível.
«Com certeza que a alma está ainda presente no corpo», respondeu Bento XVI, acrescentando que «essa alma escondida sente em profundidade» o amor que lhe é dedicado pela mãe.
«A sua presença ao seu lado, horas e horas, todos os dias, é um verdadeiro acto de amor, de grande valor, porque esta presença entra na profundidade dessa alma escondida e, por isso, o seu acto é um testemunho da fé em Deus, da fé no homem», referiu.
O Papa fala um «grande serviço à humanidade», que mostra o «respeito pela vida humana, mesmo nas situações mais tristes».
Bento XVI seguiu a emissão do programa «À sua imagem – Perguntas sobre Jesus», na sua biblioteca, e as perguntas foram colocadas directamente pelas pessoas que as enviaram para a RAI.
A terceira pergunta veio da Costa do Marfim, país que acaba de passar por uma violenta crise após as eleições presidenciais: uma mulher africana e muçulmana questionou o Papa sobre a figura de Jesus, mestre de paz, tendo sido saudado como «embaixador de Jesus» e foi sobre a necessidade de «ouvir a voz de Jesus» que se pronunciou sobre este conflito: «A violência nunca vem de Deus, nunca ajuda a dar coisas boas, mas é um meio destruidor, não o caminho para sair das dificuldades. Convido todas as partes a renunciar à violência, a procurar o caminho da paz», prosseguiu.
A um grupo de jovens cristãos iraquianos, o Papa deixou palavras de esperança e assegurou a sua oração: «Rezo todos os dias pelos cristãos do Iraque», disse, convidando a «fazer os possíveis para que possam permanecer» na sua terra.
«Queremos fazer um trabalho de reconciliação, de compreensão, também com o governo, ajudá-lo neste difícil caminho de recomposição de uma sociedade lacerada», acrescentou.
No dia em que a Igreja Católica assinala o momento da morte de Jesus, Bento XVI recebeu duas perguntas sobre a ressurreição e falou de uma nova «condição de vida», na qual Cristo «já não morre», ou seja, «está acima das leis da biologia, da física», continuando a ser, no entanto, «um verdadeiro homem, não um fantasma».
A última questão foi sobre a figura de Maria, mãe de Jesus, com o Papa a admitir que um dia possa ser necessário «repetir» o acto de consagração do mundo à Virgem - deixando o exemplo do que viveu em Portugal, em Maio de 2010.
«Por exemplo, em Fátima vi como as milhares de pessoas presentes entraram verdadeiramente nesta entrega, se entregaram, concretizaram em si próprias, por si próprias esta consagração», recordou.
O actual Papa falou em 2005 para a televisão polaca e em 2006 para a televisão alemã, sua terra natal, além de ter respondido a várias dezenas de perguntas do jornalista alemão Peter Seewald, dando origem, em 2010, ao livro-entrevista «Luz do Mundo».

Sexta-feira Santa

Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.

O discípulo predilecto de Jesus foi aquele que, mais de perto, viveu a sua Paixão. No relato que dela nos transmitiu, deixa, sobretudo, transparecer a sua admiração pela maneira como Jesus enfrenta a morte. Não é, na verdade, como um vencido pelo sofrimento que avança para ela. Consciente de que chegara a Sua «Hora», encaminha-Se, livremente e como senhor dos acontecimentos, a cumprir a acção solene, que havia predito e constitui a sua missão. Acompanhando-O no Seu sofrimento, João vê n'Ele o Verbo Encarnado, O Verdadeiro Cordeiro de Deus, cujo Sacrifício redentor se prolongará, sacramentalmente, na Igreja, presente em Maria que junto da Cruz de Jesus e ao lado do Evangelista, se associava à geração da nova humanidade.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São João, 18, 1-19, 42

Naquele tempo, Jesus saiu com os seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia lá um jardim, onde Ele entrou com os seus discípulos. Judas, que O ia entregar, conhecia também o local, porque Jesus Se reunira lá muitas vezes com os discípulos. Tomando consigo uma companhia de soldados e alguns guardas, enviados pelos príncipes dos sacerdotes e pelos fariseus, Judas chegou ali, com archotes, lanternas e armas. Sabendo Jesus tudo o que Lhe ia acontecer, adiantou-Se e perguntou-lhes:
J - «A quem buscais?».
Eles responderam-Lhe:
R - «A Jesus, o Nazareno». 
Jesus disse-lhes:
J - «Sou Eu». 
Judas, que O ia entregar, também estava com eles. Quando Jesus lhes disse: «Sou Eu», recuaram e caíram por terra. Jesus perguntou-lhes novamente: 
J - «A quem buscais?».
Eles responderam:
R - «A Jesus, o Nazareno».
Disse-lhes Jesus:
J - «Já vos disse que sou Eu. Por isso, se é a Mim que buscais, deixai que estes se retirem». 
Assim se cumpriam as palavras que Ele tinha dito:
«Daqueles que Me deste, não perdi nenhum». 
Então, Simão Pedro, que tinha uma espada, desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O servo chamava-se Malco. Mas Jesus disse a Pedro: 
J - «Mete a tua espada na bainha. Não hei-de beber o cálice que meu Pai Me deu?».



























Então, a companhia de soldados,  o oficial e os guardas dos judeus apoderaram-se de Jesus e manietaram-n’O. Levaram-n’O primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás,  que era o sumo sacerdote nesse ano. Caifás é que tinha dado o seguinte conselho aos judeus: «Convém que morra um só homem pelo povo». Entretanto, Simão Pedro seguia Jesus com outro discípulo. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote, enquanto Pedro ficava à porta, do lado de fora. Então o outro discípulo, conhecido do sumo sacerdote, falou à porteira e levou Pedro para dentro. A porteira disse a Pedro: 
R - «Tu não és dos discípulos desse homem?». 
Ele respondeu:
R - «Não sou».
Estavam ali presentes os servos e os guardas,que, por causa do frio, tinham acendido um braseiro  e se aqueciam. Pedro também se encontrava com eles a aquecer-se. Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. Jesus respondeu-lhe:
J - «Falei abertamente ao mundo. Sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem, e não disse nada em segredo. Porque Me interrogas? Pergunta aos que Me ouviram o que lhes disse: eles bem sabem aquilo de que lhes falei».
A estas palavras, um dos guardas que estava ali presente deu uma bofetada a Jesus e disse-Lhe: 
R - «É assim que respondes ao sumo sacerdote?». 
Jesus respondeu-lhe:
J - «Se falei mal, mostra-Me em quê. Mas, se falei bem, porque Me bates?». 
Então Anás mandou Jesus manietado ao sumo sacerdote Caifás. Simão Pedro continuava ali a aquecer-se. Disseram-lhe então: 
R - «Tu não és também um dos seus discípulos?».
Ele negou, dizendo:
R - «Não sou». 
Replicou um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: 
R - «Então eu não te vi com Ele no jardim?». 
Pedro negou novamente, e logo um galo cantou. Depois, levaram Jesus da residência de Caifás ao Pretório. Era de manhã cedo. Eles não entraram no pretório, para não se contaminarem e assim poderem comer a Páscoa. Pilatos veio cá fora ter com eles e perguntou-lhes: 
R - «Que acusação trazeis contra este homem?». 
Eles responderam-lhe: 
R - «Se não fosse malfeitor, não t’O entregávamos». 
Disse-lhes Pilatos:
R - «Tomai-O vós próprios, e julgai-O segundo a vossa lei». 
Os judeus responderam: 
R - «Não nos é permitido dar a morte a ninguém». 
Assim se cumpriam as palavras que Jesus tinha dito, ao indicar de que morte ia morrer. Entretanto, Pilatos entrou novamente no pretório, chamou Jesus e perguntou-Lhe:
R - «Tu és o Rei dos judeus?».
Jesus respondeu-lhe: 
J - «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?».





















Disse-Lhe Pilatos:
R - «Porventura sou eu judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a Mim. Que fizeste?».
Jesus respondeu:
J - «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui».
Disse-Lhe Pilatos:
R - «Então, Tu és Rei?».
Jesus respondeu-lhe:
J - «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».
Disse-Lhe Pilatos:
R - «Que é a verdade?».
Dito isto, saiu novamente para fora e declarou aos judeus:
R - «Não encontro neste homem culpa nenhuma. Mas vós estais habituados  a que eu vos solte alguém pela Páscoa. Quereis que vos solte o Rei dos judeus?».
Eles gritaram de novo:
R - «Esse não. Antes Barrabás».
Barrabás era um salteador. Então Pilatos mandou que levassem Jesus e O açoitassem. Os soldados teceram uma coroa de espinhos, colocaram-Lha na cabeça e envolveram Jesus num manto de púrpura. Depois aproximavam-se d’Ele e diziam:
R - «Salve, Rei dos judeus».
E davam-Lhe bofetadas. Pilatos saiu novamente para fora e disse:
R - «Eu vo-l’O trago aqui fora, para saberdes que não encontro n’Ele culpa nenhuma».
Jesus saiu, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse-lhes:




















«Eis o homem».
Quando viram Jesus, os príncipes dos sacerdotes e os guardas gritaram:
R - «Crucifica-O! Crucifica-O!».
Disse-lhes Pilatos:
R - «Tomai-O vós mesmos e crucificai-O, que eu não encontro n’Ele culpa alguma».
Responderam-lhe os judeus:
R - «Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque Se fez Filho de Deus».
Quando Pilatos ouviu estas palavras, ficou assustado. Voltou a entrar no pretório e perguntou a Jesus:
R - «Donde és Tu?».
Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-Lhe então Pilatos:
R - «Não me falas? Não sabes que tenho poder para Te soltar e para Te crucificar?».
Jesus respondeu-lhe:
J - «Nenhum poder terias sobre Mim,  se não te fosse dado do alto. Por isso, quem Me entregou a ti tem maior pecado».
A partir de então, Pilatos procurava libertar Jesus. Mas os judeus gritavam:
R - «Se O libertares, não és amigo de César: todo aquele que se faz rei é contra César».
Ao ouvir estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado «Lagedo», em hebraico «Gabatá». Era a Preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Disse então aos judeus:
R - «Eis o vosso Rei!».
Mas eles gritaram:
R - «À morte, à morte! Crucifica-O!».
Disse-lhes Pilatos:
R - «Hei-de crucificar o vosso Rei?».
Replicaram-lhe os príncipes dos sacerdotes:
R - «Não temos outro rei senão César».




















Entregou-lhes então Jesus, para ser crucificado. E eles apoderaram-se de Jesus. Levando a cruz, Jesus saiu para o chamado Lugar do Calvário, que em hebraico se diz Gólgota. Ali O crucificaram, e com Ele mais dois: um de cada lado e Jesus no meio. Pilatos escreveu ainda um letreiro e colocou-o no alto da cruz; nele estava escrito: «Jesus, o Nazareno, Rei dos judeus». Muitos judeus leram esse letreiro, porque o lugar onde Jesus tinha sido crucificado  era perto da cidade. Estava escrito em hebraico, grego e latim. Diziam então a Pilatos os príncipes dos sacerdotes dos judeus:
R - «Não escrevas: ‘Rei dos judeus’, mas que Ele afirmou: ‘Eu sou o Rei dos judeus’».
Pilatos retorquiu:
R - «O que escrevi está escrito».
Quando crucificaram Jesus, os soldados tomaram as suas vestes, das quais fizeram quatro lotes, um para cada soldado, e ficaram também com a túnica. A túnica não tinha costura: era tecida de alto a baixo como um todo. Disseram uns aos outros:
R - «Não a rasguemos, mas lancemos sortes, para ver de quem será».
Assim se cumpria a Escritura: «Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sortes sobre a minha túnica». Foi o que fizeram os soldados. Estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe:
J - «Mulher, eis o teu filho».
Depois disse ao discípulo:
J - «Eis a tua Mãe».
E a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa. Depois, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse:
J - «Tenho sede».
Estava ali um vaso cheio de vinagre.  Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-Lha à boca. Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou:
J - «Tudo está consumado».
E, inclinando a cabeça, expirou.
Por ser a Preparação, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado, – era um grande dia aquele sábado – os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com ele. Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade,  para que também vós acrediteis. Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso Lhe será quebrado». Diz ainda outra passagem da Escritura: «Hão-de olhar para Aquele que trespassaram». 




















Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, embora oculto por medo dos judeus, pediu licença a Pilatos para levar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu-lho. José veio então tirar o corpo de Jesus. Veio também Nicodemos, aquele que, antes, tinha ido de noite ao encontro de Jesus. Trazia uma mistura de quase cem libras de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em ligaduras juntamente com os perfumes, como é costume sepultar entre os judeus. No local em que Jesus tinha sido crucificado, havia um jardim e, no jardim, um sepulcro novo, no qual ainda ninguém fora sepultado. Foi aí que, por causa da Preparação dos judeus, porque o sepulcro ficava perto, depositaram Jesus.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quinta-feira da Semana Santa

«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu»





















 



É agora o próprio Senhor Jesus a afirma que n’Ele se cumpre a palavra do profeta que acabava de ler na celebração de Nazaré e onde se declarava que Ele é o Ungido Senhor, enviado a anunciar a boa nova. O mesmo continua a realizar agora nos membros do seu Corpo, para tal ungidos com o Óleo santo, que de Cristo tira o nome, o Crisma.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São Lucas, 4, 16-21

Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito:
«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos, a proclamar o ano da graça do Senhor».
Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes:
«Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».

Fonte: Secretariado Nacional da Liturgia
Mensagem de Jesus Cristo na Quinta-feira Santa, dia 8 de Abril de 2004, a Myrna Nazzour

Esta é a Fonte de onde toda alma se sacia.
A Chaga do Meu Coração é uma Fonte do amor.
Quantas das minhas Chagas são as causas de um crime que EU não cometi!


Sítio oficial de Soufanieh
O sentido da gratuidade é uma resposta ao mundo secularizado, diz a Irmã Rita Piccione

Jesus, na sua humanidade, e todo o percurso até à Cruz, serão o ponto central das meditações da próxima Via Sacra no Coliseu, para cuja preparação foi convidada uma monja agostiniana do mosteiro romano dos Santos Quatro Coroados, Irmã Rita Piccione. O jornal vaticano «L'Osservatore Romano» apresentou uma longa entrevista com a religiosa. A Irmã Rita é a terceira monja, depois da beneditina Anna Maria Canopi, em 1993, e da monja da comunidade protestante de Grandchamp, na Suíça, Irmã Minke de Vries, em 1995, a escrever as meditações da Via Sacra.
«Foi justamente ao olhar para aquela coruja, a pensar na sua capacidade de ver no escuro que encontrei a chave, espero justa, para as meditações a propor. Se ela representa a noite, é necessário procurar o rosto de Deus que ilumina também as trevas mais fechadas», respondeu a freira na entrevista, citando a inspiração encontrada enquanto observava a noctívaga ave de rapina.
«Não conseguia acreditar no que estava a acontecer justamente a mim, uma pessoa tão simples, sem nenhum título particular além daquele de um duplo grande amor:  Deus e a sua Igreja. Confesso não ter conseguido aceitar logo de imediato que estava confusa. Foi a exortação do cardeal que me fez abandonar na confiança do desígnio divino e na graça para dissipar em mim qualquer resistência. Confiei-me totalmente ao Espírito», afirmou a religiosa, ao relatar a sua reacção ao pedido do Papa apresentado pelo Cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, para que preparasse as meditações da Via Sacra.
As meditações da próxima Via Sacra no Coliseu serão inspiradas também pela espiritualidade de Santo Agostinho, um teólogo tão importante para o Papa Bento XVI, explica Irmã Piccione.
«A presença de Agostinho - confessa a freira - antes dos textos, habita o comportamento interior que me guiou nesta experiência a partir do "sim" da aceitação. (...) Depois, a presença de Agostinho - este "bom companheiro de viagem" como o definiu o Papa na audiência do dia 25 de Agosto do ano passado - respira-se no olhar dirigido à humanidade do nosso Salvador, à sua humildade; respira-se no apelo, mais ou menos constante, da verdade e em algumas breves expressões do bispo de Ippona que aparecem aqui e ali no texto. Também o tema da verdade é um ponto de encontro, de sintonia, entre o Papa e Agostinho: a procura sincera da verdade levou Agostinho a Deus, o serviço da verdade foi sempre a alma do ministério de Joseph Ratzinger».
Ao escolher uma monja para preparar os textos para uma das mais famosas Vias Sacras, pode-se notar algum sinal particular do Santo Padre, que no ano passado criou o novo Dicastério para a Promoção da Nova Evangelização. Que contribuição pode dar a vida contemplativa a um mundo marcado pela profunda secularização, a agostiniana responde: «é a gratuidade, o sentido da gratuidade. A beleza e a alegria da gratuidade».
«Pelo facto de a gratuidade não se comprar, talvez justamente este bem tenha sido perdido pelo mundo secularizado, perdendo consequentemente a fonte da alegria genuína. A gratuidade do amor é a própria mensagem de Jesus na cruz: Deus demonstra o seu amor por nós no facto de que, enquanto eramos ainda pecadores, Cristo morresse por nós. O amor não é merecido: é um dom. E quando nos deixamos alcançar, tocar por este amor, não se pode senão amar».

Gaudium Press

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Quarta-feira da Semana Santa

«O Filho do homem vai partir, como está escrito.
Mas ai daquele por quem vai ser entregue!»


A traição de Judas é o inicio da Paixão. Esta traição é denunciada por Jesus durante a refeição em que celebra a Páscoa e institui a Eucaristia. Deste modo, a libertação é trazida por Jesus aos homens, ao mesmo tempo em que o homem O atraiçoa e lhe dá a morte. Esta leitura está dominada pela ideia das «entregas»: a «entrega» ou «traição» que Judas faz de Jesus, e a «entrega» que Jesus faz de Si mesmo na sua Páscoa, da qual já amanhã fará entrega aos seus discípulos na Eucaristia.
Giotto di Bondone (1267-1337), Cappella Scrovegni a Padova, A Vida de Cristo, Judas recebe o pagamento pela traição






























Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo S. Mateus, 26, 14-25

Naquele tempo, um dos Doze, chamado Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse-lhes: «Que estais dispostos a dar-me para vos entregar Jesus?» 
Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. A partir de então, Judas procurava uma oportunidade para O entregar. No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe:
«Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» 
Ele respondeu:
«Ide à cidade, a casa de tal pessoa, e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo. É em tua casa que Eu quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos’». 
Os discípulos fizeram como Jesus lhes tinha mandado e prepararam a Páscoa. Ao cair da tarde, sentou-Se à mesa com os Doze. Enquanto comiam, declarou:
«Em verdade, em verdade vos digo: Um de vós Me entregará». 
Profundamente entristecidos, começou cada um a perguntar-Lhe:
«Serei eu, Senhor?»
Jesus respondeu:
«Aquele que meteu comigo a mão no prato é que vai entregar-Me. O Filho do homem vai partir, como está escrito acerca d’Ele. Mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser entregue! Melhor seria para esse homem não ter nascido». 
Judas, que O ia entregar, tomou a palavra e perguntou:
«Serei eu, Mestre?»
Respondeu Jesus:
«Tu o disseste».

Via Sacra no Coliseu com meditações de monja italiana
Primeira escolha feminina no pontificado de Bento XVI
















O Vaticano anunciou que Bento XVI confiou à monja italiana Maria Rita Piccione a redacção das meditações da Via-Sacra de Sexta-Feira Santa deste ano, a 22 de Abril, no Coliseu de Roma.
A religiosa preside à Federação das Monjas Agostinianas e reside em Roma.
Segundo a sala de imprensa da Santa Sé, o esquema da celebração vai seguir as 14 estações «tradicionais», que percorrem os momentos do julgamento e da morte de Jesus. A publicação que é distribuída aos fiéis presentes na celebração vai ter imagens da irmão Elena Manganelli, igualmente monja agostiniana.
Como nos anos anteriores, Bento XVI presidirá à cerimónia, transmitida por canais de televisão do mundo inteiro a partir de Roma, às 21h15 (hora local, menos uma em Lisboa).
Todos os anos, o Papa pede a um autor diferente a redacção dos textos que servem de reflexão para cada uma das estações desta celebração, que é seguida por dezenas de milhares de peregrinos com velas na mão.
Nos últimos anos, as meditações foram confiadas por Bento XVI ao cardeal Angelo Comastri (2006), arcipreste da Basílica de São Pedro; cardeal Gianfranco Ravasi (2007), presidente do Conselho Pontifício para a Cultura; cardeal Joseph Zen Ze-Kiun, arcebispo de Hong Kong, (2008); Thomas Menamparampil, arcebispo de Guwahati, Índia (2009) e cardeal Camillo Ruini, antigo vigário do Papa para a diocese de Roma (2010).
A Rádio Vaticano recorda que esta não é a primeira vez que as meditações são escritas por uma mulher, o que aconteceu em 1993 (Madre Anna Maria Canopi, beneditina) e 1995 (Minke de Vries, monja de uma comunidade protestante suíça).
Em 2002, as meditações foram escritas por 14 jornalistas acreditados junto da sala de imprensa da Santa Sé, incluindo cinco mulheres: Marina Ricci, Sophie de Ravinel, Valentina Alazraki, Marie Czernin e a portuguesa Aura Miguel.

OC / Agência Ecclesia
Exposição do Santíssimo Sacramento






















Realiza-se hoje, na Igreja da Santíssima Trindade,  no Porto, a Adoração Eucarística ao Santíssimo Sacramento que estará exposto até por volta das 16 horas. Logo de manhã, às 10 horas, haverá celebração solene da Missa e de tarde, e pelas 15.30 horas novamente celebração eucarística, com benção do Santíssimo Sacramento.
A Exposição, reparação e adoração do Santíssimo Sacramento acontece todas as quartas-feiras nesta igreja situada na baixa da cidade do Porto.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Terça-feira da Semana Santa

«Um de vós há-de entregar-me... »









































Vão-se acumulando os antecedentes imediatos da Paixão. Jesus anuncia a traição de Judas e a negação de Pedro. Depois da rejeição dos meios oficiais, vem agora a traição e a negação dos seus. Estamos já na última Ceia. S. João vai interpretando os acontecimentos de maneira simbólica: atrás do pão, Satanás entra em Judas; já era noite; a morte de Jesus é a sua glorificação; Pedro segui-l’O-à depois; Jesus está cada vez mais abandonado dos homens, ao mesmo tempo que é o seu Salvador.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São João 13, 21-33.36-38

Naquele tempo, estando Jesus à mesa com os discípulos, sentiu-Se intimamente perturbado e declarou:
«Em verdade, em verdade vos digo: Um de vós Me entregará».
Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem de quem falava. Um dos discípulos,  predilecto de Jesus, estava à mesa, mesmo a seu lado. Simão Pedro fez-lhe sinal e disse:
«Pergunta-Lhe a quem Se refere». 
Ele inclinou-Se sobre o peito de Jesus e perguntou Lhe:
«Quem é, Senhor?» 
Jesus respondeu:
«É aquele a quem vou dar este bocado de pão molhado». 
E, molhando o pão, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão. Naquele momento, depois de engolir o pão, Satanás entrou nele. Disse- lhe Jesus:
«O que tens a fazer, fá-lo depressa».
Mas nenhum dos que estavam à mesa compreendeu porque lhe disse tal coisa. Como Judas era quem tinha a bolsa comum, alguns pensavam que Jesus lhe tinha dito:
«Vai comprar o que precisamos para a festa»; ou então, que desse alguma esmola aos pobres. Judas recebeu o bocado de pão e saiu imediatamente. Era noite. Depois de ele sair, Jesus disse:
«Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, também Deus O glorificará em Si mesmo e glorificá l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Haveis de procurar-Me e, assim como disse aos judeus, também agora vos digo: não podeis ir para onde Eu vou».
Perguntou-Lhe Simão Pedro:
«Para onde vais, Senhor?». 
Jesus respondeu:
«Para onde Eu vou, não podes tu seguir-Me por agora; seguir-Me-ás depois». 
Disse-Lhe Pedro:
«Senhor, por que motivo não posso seguir-Te agora? Eu darei a vida por Ti». 
Disse-Lhe Jesus:
«Darás a vida por Mim? Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo, sem que Me tenhas negado três vezes».

Fonte Secretariado Nacional de Liturgia

Beata Alexandrina de Balasar, festa no dia 25 de Abril

No dia 25 de Abril de 2011, Balasar estará em festa, para comemorar o 7º aniversário da beatificação de Alexandrina Maria da Costa.
Pelo que sabemos, muitas peregrinações se dirigirão nesse dia para a terra que viu nascer e morrer a «Santinha de Balasar», como a chamam uns, ou «Doentinha de Balasar», como a chamam outros. Outros ainda, como se torna cada vez mais frequente, tratam-na já de Santa, «Santa Alexandrina», não porque queiram ultrapassar as decisões da Igreja que ainda não lhe deu esse título de glória, mas simplesmente porque a amam ternamente, tendo para ela palavras de carinho, como pudemos já, numerosas vezes constatar no Facebook, nas mensagens que sobre ela escrevem aqueles que por lá passam e que são já mais de 3200.
Vejam-se a seguir alguns desses exemplos:
 
«A Santa Alexandrina foi o jardim de rosas mais perfumadas que o seu amado Jesus cultivou...»
«Santinha Alexandrina tu és um jardim perfumado, quero oferecer-te estas flores para sua maior alegria e amor a Jesus... Rogai por nós...»
«Tão lindo, tão puro seu amor por Jesus, e por nós. Santa Alexandrina rogai por Portugal e pelo mundo inteiro...»
«Bendito seja Deus que nos deu Alexandrina, obrigada... A Paz de Cristo...»
«Obrigada Alexandrina, por todo o sofri-mento que tiveste em vida, por amor a Jesus.»
«Beata Alexandrina roga para que em mim (em todos nós que ainda estamos a viver neste mundo) cresça esse amor sem limites a DEUS... Amor que nos transforma e santifica...»

Seria certamente fastidioso colocar aqui todos os testemunhos que sobre ela fazem as pessoas que visitam os sites, blogs e outras páginas que florescem cada vez mais na internet, mas isto chegará como demonstração do amor, do carinho e da devoção que ela suscita.
O programa aqui junto é aquele editado pela paróquia de Balasar. (...)
Sejamos numerosos em Balasar naquele dia 25 de Abril que é uma Segunda-Feira, mas feriado nacional.































segunda-feira, 18 de abril de 2011

Oração pela cristã condenada à morte no Paquistão e todas as vítimas da lei da blasfémia





















A organização católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) vai unir-se à corrente de oração por Asia Bibi, mulher cristã «injustamente condenada à morte por blasfémia» no Paquistão.
A iniciativa está marcada para o próximo dia 20 de Abril, quarta-feira da Semana Santa, lembrando ainda «todas as vítimas da lei sobre a blasfémia».
Em Portugal, a Fundação AIS convida a «acender uma vela» no seu sítio electrónico «Acenda Uma Vela» (por estas intenções, prometendo fazer chegar «uma lista de todos os portugueses» que respondam a este convite ao bispo paquistanês Sebastian Shaw, que visitou o nosso país em 2010.
Igualmente envolvidas neste dia de oração vão estar os «anjos da guarda de Asia Bibi», as irmãs de algumas ordens de clausura em Escalona (Toledo, Espanha), Rosano (perto de Florença, Itália), Roasio e Sarzana (norte da Itália).
Em Itália rezar-se-á por Asia Bibi e pelas vítimas da lei sobre a blasfémia também durante a missa que o Cardeal Jean Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, irá celebrar a 20 de abril, na capela do parlamento.

AIS/OC/Agência Ecclesia

Segunda-feira da Semana Santa

«Deixa-a em paz: ela tinha guardado o perfume para o dia da minha sepultura»













































A leitura situa-nos exactamente no dia de hoje, falando à maneira judaica: seis dias antes da Páscoa. O ambiente da casa dos três irmãos, amigos de Jesus, é todo de amizade, mas também de pressentimento da morte. No entanto, tudo respira imensa paz, a paz do Mistério Pascal. O gesto de Maria manifesta o amor pelo Mestre, que dá a vida pelos homens. Ao contrário, a interpretação de Judas é cheia de ódio mal disfarçado.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São João, 12, 1-11

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. Ofereceram-Lhe lá um jantar: Marta andava a servir e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Jesus. Então Maria tomou uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-Lhos com os cabelos; e a casa encheu-se com o perfume do bálsamo. Disse então Judas Iscariotes, um dos discípulos, aquele que havia de entregar Jesus:
«Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários, para dar aos pobres?»
Disse isto, não porque se importava com os pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa comum, tirava o que nela se lançava. Jesus respondeu-lhe:
«Deixa-a em paz: ela tinha guardado o perfume para o dia da minha sepultura. Pobres, sempre os tereis convosco; mas a Mim, nem sempre Me tereis». 
Soube então grande número de judeus que Jesus Se encontrava ali e vieram, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes resolveram matar também Lázaro, porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus.