sábado, 29 de janeiro de 2011

Semana do Consagrado

 Por decisão dos bispos portugueses, vão ser celebrados e vividos, pelo segundo ano consecutivo, de 30 de Janeiro a 6 de Fevereiro, a Semana do Consagrado. Trata-se de uma iniciativa para ser concretizada nas dioceses e paróquias, comunidades cristãs e religiosas, em todos os espaços eclesiais. A escolha do tema – “Vida Consagrada na Missão Igreja” – tem a ver em grande parte com a sintonia no processo sinodal em curso «Repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal».
«Os religiosos e religiosas de vida activa ou comtemplativa celebram a sua consagração a Deus. Seguem de perto a Cristo pobre, casto e obediente. E são felizes», pode ler-se no jornal Cavaleiro da Imaculada.

Seguir Cristo

Por sua vez o bispo de Aveiro e presidente da Comissão, D. António Francisco dos Santos, sublinhou que a semana é «um tempo de bênção em que a gratidão expressa a todos os consagrados(as) nos abre o coração para acolhermos o dom de Deus concedido à Igreja e ao Mundo em todos quantos se decidem a seguir Cristo na radicalidade da vida consagrada. No horizonte de uma iniciativa como esta (...) estão o desejo e o dever de proporcionar às pessoas e às comunidades uma oportunidade de interpelação que leve a descobrir a essência e a beleza da vida consagrada e aí faça nascer o sentido e a coragem da resposta por parte de quem hoje sente o apelo a seguir Cristo».

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Gesto simbólico no Vaticano

Papa apela à Paz

Neste domingo, 30, durante a oração mariana do Angelus, o Papa Bento XVI irá soltar duas pombas brancas da janela de seu escritório, na Praça São Pedro. O gesto do Pontífice simbolizará um pedido pela paz. A atitude do Santo Padre será vista ao vivo por centenas de crianças e estudantes italianos que estarão na Praça de São Pedro promovendo a Caravana da Paz, evento que tem participação activa da Acção Católica Romana (ACR).
De acordo com informações da agência italiana de notícias Ansa, a Caravana da Paz começará às 8h30 na Praça Navona, em Roma. Por volta das 12h, os participantes do movimento migrarão à Praça de São Pedro para assistirem à celebração presidida por Bento XVI, noticiou a agência Gaudium

Encontro nacional da Caritas

A Cáritas Portuguesa realiza no dia 29 de Janeiro de 2011, em Fátimaseu Encontro Nacional. Este encontro é promovido no âmbito de um projecto que se designa "Prioridade às Crianças", e tem como objectivos criar condições para prevenir situações que ponham as , e crianças em perigo e apoiar todas as que possam ser vítimas de qualquer tipo de maus tratos. Mais informações no sítio da Diocese do Porto.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Aparições da Virgem Santissima

Nossa Senhora de Medjugorje, Rainha da Paz



Mensagem de 25 de Janeiro de 2011

«Queridos filhos! Hoje também estou convosco, olho para vós e abençoo-vos, e não perco a esperança de que este mundo se transforme para o bem e a paz reine nos corações dos homens. A alegria reinará no mundo porque vos abristes ao meu apelo e ao amor de Deus. O Espírito Santo está transformando uma multidão que disse "sim". Por isso desejo dizer-vos: obrigada por terdes respondido ao meu apelo.»

Brevíssima história

Há 30 anos, Medjugorje era uma desconhecida vila rural no interior da extinta Jugoslávia. As famílias, na sua maioria pobres, trabalhavam nas suas plantações de tabaco e uva. As crianças e os jovens trrabalhavam na lavoura e estudavam. Muitos deixavam a região para procurarem melhores oportunidades noutros países da Europa. Ninguém, jamais, elegeria Medjugorje como destino de uma viagem de férias. As famílias, católicas, carregavam uma história heróica de resistência dos seus antepassados. E a geração daquela época, quando tudo começou, vivia oprimida pelo regime comunista.

Em Medjugorje não era costume falar-se das aparições de Nossa Senhora em Fátima ou Lurdes ou outra. Tanto assim que todos os videntes declaram que não sabiam que existiam aparições de Nossa Senhora.
O inicio das aparições deixou todos perplexos: os próprios jovens (eles viviam um misto de felicidade e perplexidade), seus pais e familiares, o povo da vila e redondezas, as autoridades da Igreja local e as autoridades administrativas e policiais da época, a medicina local e outras instâncias de autoridades científica.
No começo os próprios videntes tinham alguma dúvida. Vicka, orientada pela avó, levou água benta no terceiro dia, aspergiu a aparição e disse: «Se és Nossa Senhora fica.. senão vai embora!». Nossa Senhora apenas sorriu. Nos primeiros dias os seus pais procuraram o padre local sem saber o que fazer. Diziam: «Padre, eu não sei o que fazer... o meu filho diz que vê Nossa Senhora?". O padre alertava os jovens que não se devia brincar com coisa tão séria. A polícia levava-os para interrogar e para exames médicos psiquiátricos. Médicos e assistentes sociais subiram a colina para presenciar a aparição e sairam de lá perplexos. Todos os exames declaravam-nos sempres normais. No oitavo dia, fugindo da polícia, bateram na porta da Igreja e pediram protecção ao pároco, padre Jozo Zovko. Ele levou-os para dentro e lá Nossa Senhora apareceu-lhes e o padre Jozo começou a acreditar.
No dia 24 de Junho de 1981, quando primeiro se falou que Nossa Senhora tinha aparecido, foi uma quarta feira . No dia 27, Nossa Senhora apresentou-se com a Rainha da Paz. No quarto dia, após as aparições dos dias 25, 26 e 27, já se reuniram no domingo, dia 28, aproximadamente quinze mil pessoas de Medjugorje e redondezas para acompanharem o fenómeno. E a partir daí o fluxo de peregrinos nunca mais parou de crescer.
Exactamente 18 meses após o início das aparições, no Natal de 1982, Mirjana, numa aparição que durou 45 minutos, foi a primeira vidente a receber o décimo segredo e a deixar de ter aparições diárias. Nossa Senhora prometeulhe aparecer no dia 18 de maio anualmente. Naquele (dia) 25 de Dezembro, Nossa Senhora também lhe entregou o «pergaminho» onde todos os 10 segredos estão escritos com a data da sua realização. Um pouco mais tarde, orientada por Nossa Senhora, Mirjana escolhe um sacerdote que terá a missão de revelar os segredos três dias antes de eles acontecerem. Ela, que tinha a liberdade de escolher qualquer sacerdote, escolhe o padre franciscano Pedro Ljubicic. A escolha é aprovada por Nossa Senhora.
A notícia das aparições já se espalhara pelo mundo. Em 1983 o Governo da Jugoslávia autorizou peregrinações e multidões começam a afluir para Medjugorje. Também em 1983 e 1984, duas universidades de Itália e de França fazem uma profunda investigação científica médico-teológica sob a direção do Dr Henry Joieux (França), Dr Luigi Frigerio (Itália) e do grande teólogo, especialista em aparições marianas, René Laurentin, sobre os videntes e as aparições. As comissões científicas declaram a idoneidade dos videntes, a sua perfeita sanidade mental e a identificação positiva daqueles fenómenos, sob a óptica da teologia, com aquilo que a teologia mística conhece a respeito do assunto.
Apesar disso, o bispo da Diocese de Mostar, Dom Pavao Zanic, a qual pertence a paróquia de Medjugorje declara serem falsas as aparições. A Congregação para a Doutrina da Fé presidida pelo cardeal Joseph Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, não acata esta opinião e transfere para a Conferência Episcopal da Jugoslávia a responsabilidade das investigações.
Em Março de 1984, Nossa Senhora começa a dar as mensagens todas as quintas-feiras através da vidente Marija Pavlovic para a Paróquia de Medjugorje e consequentemente para o mundo .
Em Maio de 1985, Ivanka Ivankovic recebe o décimo segredo e deixa de ter as aparições diárias passando a tê-las a 25 de Junho anualmente. Em 1986, Ivanka, com 19 anos de idade, casa-se com Rajko Elez.
Em Janeiro de 1987, Nossa Senhora passa a dar as mensagens através de Marija Pavlovic, não mais todas as quintas-feiras, mas uma vez por mês nos dias 25 e estas permanecem até à actualidade.
Em 2 de Agosto deste mesmo ano de 1987 iniciam-se as aparições mensais para Mirjana Soldo todos os dias 2, quando Nossa Senhora vem para rezar com ela pelos incrédulos que, segundo Nossa Senhora, são os responsáveis pelos males que acontecem no mundo. Nossa Senhora sempre refere-se a estas pessoas como aqueles que ainda não conhecem o amor de Deus.
Em 1989, Slavko Barbaric reúne-se com 100 jovens de cinco países diferentes que queriam aprofundar o entendimento e a vivência da mensagem de Medjugorje e realiza o primeiro Festival da Juventude com canções, orações e testemunhos. A partir desta data, todos os anos, acontece em Medjugorje o Festival da Juventude com número crescente de jovens de muitos países diferentes.
Em 1989 ocorre a queda do comunismo, levando à desintegração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)...  Estremece-se a frágil unidade da Federação Jugoslava mantida desde o final da Segunda Guerra pela liderança do general Tito, que morrera em 1980, e pelo domínio imperialista da União Soviética. Em Setembro de 1989, Mirjana Dragicevic, com 24 anos, casa-se com Marko Soldo.
Em Abril de 1991 a Comissão Teológica definida pela Igreja como responsável por Medjugorje aceitou oficialmente Medjugorje como um lugar de oração e de adoração. E deu a autorização para peregrinações particulares (texto trabalhado a partir do original constante no sítio Queridos Filhos).

Para conhecer melhor as mensagens de Nossa Senhora recomendamos os seguintes sítios na internet: www.medjugorje.org, em inglês; www.queridosfilhos.org.br, em português-brasileiro e ainda www.ecodemaria.org.

Chamados ao ministério da reconciliação











«Unidos no ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fracção do pão e nas orações»

Realizou-se ontem na Igreja Anglicana de St. James, no Porto, a Celebração da Palavra que encerrou a Semana de Oração pela unidade dos cristãos. O evento reuniu neste Templo as confissões cristãs presentes no Grande Porto: Igreja Católica Romana (Diocese do Porto), Igreja Evangélica Alemã do Porto, Igreja Evangélica Metodista Portuguesa (Circuito do Porto), Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica - Comunhão Anglicana (Arciprestado do Norte). De referir que a celebração seguiu a proposta das Igrejas cristãs em Jerusalém


Na Igreja de St. James, repleta de fieis, foi pedida a Deus a restauração da unidade das Igrejas, sendo reconhecido por todos as limitações próprias do Homem que impedem ainda esta unidade fiel a um só Deus, na Majestade da Santíssima Trindade. Rezou-se também pela Cidade Santa, Jerusalém, para que a paz seja restabelecida.
 
(Mt. 5, 21-26) «Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar terá de responder em juízo. Eu, porém, digo-vos: quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal; quem lhe chamar 'imbecil' será réu diante do Conselho; e quem lhe chamar 'louco' será réu da Geena do fogo. Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta. Com o teu adversário mostra-te conciliador, enquanto caminhardes juntos, para não acontecer que ele te entregue ao juiz e este à guarda e te mandem para a prisão. Em verdade te digo: Não sairás de lá até que pagues o último centavo.»
 
Por último, refira-se que este encontro ecuménico de Oração foi promovido pela Comissão Ecuménica do Porto (C.E.P.), que tem para o corrente ano programada mais encontros de Oração, estando todos nós desde já convidados a participar. A C.E.P. disponibiliza um sítio na internet www.ecumenismoporto.org onde pode consultar o programa completo da Comissão ou colocar questões relacionadas com o assunto.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Festa da Conversão de São Paulo



O Papa Bento XVI preside hoje à tradicional celebração de vésperas na solenidade litúrgica da conversão de São Paulo, encerrando a semana de oração pela unidade dos cristãos. O momento de oração vai decorrer na basílica de São Paulo fora de muros, em Roma, com início marcado para as 16.30 horas de Lisboa. Segundo comunicado oficial divulgado pelo sítio do Vaticano na internet, nesta celebração vão participar “representantes das outras Igrejas e Comunidades eclesiais presentes em Roma”, noticia a Agência Ecclesia.
O tema escolhido para este ano – “Unidos no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fracção do pão e nas orações” – foi extraído do livro bíblico dos Actos dos Apóstolos, apelando ao regresso dos cristãos “aos aspectos essenciais da fé e à união”.

 As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja Copta, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igreja Ortodoxa); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Igreja Anglicana).

“Conscientes das suas próprias divisões e da sua própria necessidade de fazer mais pela unidade do corpo de Cristo, as Igrejas em Jerusalém fazem um apelo a todos os cristãos para a redescoberta conjunta dos valores que mantinham unida a comunidade primitiva”, pode ler-se. No hemisfério norte, o período tradicional para a semana de oração pela unidade dos cristãos é de 18 a 25 de Janeiro, datas propostas em 1908.


 Hoje, no Porto, a semana da Oração termina com a celebração da Eucarístia na Igreja de St. James, no Largo Júlio Dinis, às 21.30 horas, e contará com a presença das confissões religiosas presentes nesta região do País.


 As orações da semana de oração de 2011 foram preparadas por cristãos em Jerusalém e estão disponíveis na internet, no sítio do Vaticano

domingo, 23 de janeiro de 2011

Missa Ecuménica no Porto

Celebra-se no próximo dia 25 de Janeiro a Eucarístia ecuménica que encerrará a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A Missa, que contará com a presença das diferentes confissões cristãs na região do Porto, terá lugar na Igreja Anglicana de St. James, no Largo da Maternidade Júlio Dinis, às 21.30 horas.

O anúncio do Reino de Deus


















Pormenor do Tríptico de Aparecida, Arqudiocese de São Paulo, Brasil

Evangelho segundo São Mateus, 4,12-23

Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso, retirou-se para a Galileia. Deixou a Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer:

«Terra de Zabulão e terra de Neftali, estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos Gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou».

Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo».

Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.

Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens».

Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O.

Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.

Como proposta de reflexão da Escritura, propomos uma visita ao sítio dos Irmãos Dehonianos, que nos oferece, também, as outras leituras escolhidas para este terceiro Domingo do Tempo Comum.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Em Missão, 2011

A Diocese do Porto está a fazer a avaliação da Missão 2010, que no passado ano dinamizou o Espírito de Evangelização nesta região. D. Manuel Clemente, neste vídeo, aponta como necessária a continuação desta Missão, sempre com o objectivo de tornar o Evangelho uma realidade de vida, urgente e necessária nesta Diocese e, também, em toda a sociedade.

Entretanto, deixamos aqui parte do programa de Janeiro e as actividades pensadas para Fevereiro:

Janeiro

26 – Conselho Episcopal
30 – Inicio da Semana da Vida Consagrada (V)

Fevereiro


02 – Dia do Consagrado (V)
05 - Jornada Diocesana da Família (F)
06 – Encerramento da Semana da Vida Consagrada (V)
06 - Encontro com a Palavra (EC)
8/13 - Jornadas Diocesanas do Dia Mundial do Doente (S)
12 - Preparação dos tempos litúrgicos (L)
14/17 – Jornadas Pastorais do Clero
19 - Preparação dos tempos litúrgicos (L)
23 – Conselho Episcopal
26 - Preparação dos tempos litúrgicos (L)

Consulte o sítio da Diocese do Porto

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ao abrigo dos sem-abrigo

A Paróquia de Carregosa com os Sem-abrigo

No passado dia 8 de Dezembro, alguns jovens da paróquia de Carregosa juntaram-se a elementos de outras paróquias da zona do Porto e organizaram uma visita aos sem-abrigo. O objectivo era distribuir bens alimentares, escutá-los e conhecer um pouco mais a sua realidade. Foi muito gratificante viver esta experiência, porque temos a imagem de que os sem-abrigo são pessoas diferentes de nós, mas chegamos à conclusão de que qualquer um de nós pode chegar a essa situação.
Fomos recebidos por eles com carinho e alegria. Referiam-se a nós como “gente boa”, não só pelos alimentos que lhes dávamos, mas pela atenção que lhes prestávamos. O que mais nos sensibilizou foi sentir da parte deles a necessidade de serem escutados e de partilharem connosco as suas histórias de vida.
Estes momentos de partilha foram baseados na oração, porque foi assim que demos início e também como terminámos.
Na última paragem concluímos com um momento muito bonito em que todos nós, incluindo alguns sem-abrigo, demos as mãos e em círculo agradecemos a Deus.

Ler notícia completa no Blog da Paróquia de Carregosa

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Natal nas Igrejas do Oriente

«A Epifania pré-anuncia a abertura universal da Igreja chamada a evangelizar toda a gente». Disse do Papa durante a oração do Angelus, no passado dia 6, na qual recordou as Igrejas do Oriente - que entretanto celebraram o Natal sob um clima de grande tensão. «A bondade de Deus, revelada em Jesus, consola as comunidades nas provações», acrescentou Bento XVI.

O Santo Padre afirmou também que a Epifania é a Jornada Missionária da Infância, proposta pela Obra Pontifícia para a Santa Infância. Também as crianças, organizadas nas paróquias e nas escolas, «formam uma rede espiritual e de solidariedade para ajudar os coetâneos que se encontram em dificuldade», disse Bento XVI.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Famílias de mãos dadas

Frade capuchinho desafia famílias a unirem esforços, para uma resposta de proximidade à pobreza envergonhada.

O religioso capuchinho Frei Fernando Ventura está a promover nas redes sociais a campanha “Famílias de Mãos Dadas”, desafiando as famílias portuguesas a entrar no combate à crise económica e social.
Num comunicado enviado à agência Ecclesia, o biblista considera urgente a “criação e reforço de redes de solidariedade, ao nível da base, capazes de responder localmente às situações sobretudo de pobreza envergonhada”. “Se cada família for capaz de adoptar outra família, não há crise que nos vença” sublinha ainda Frei Fernando Ventura.
A segunda ideia desta campanha, divulgada através do Facebook, é “disponibilizar um espaço de partilha de experiências positivas de Solidariedade e não só de caridadezinha”.
Num ano em que “vamos ser inundados por notícias fatalistas” diz o frade capuchinho, esta iniciativa pretende tocar sobretudo os “optimistas informados, conscientes das dificuldades mas empenhados em mudar o possível à sua volta”.
“Famílias de Mãos Dadas” é a segunda iniciativa promovida pelo Frei Fernando Ventura em 2011. Recorde-se que, no início do ano, o religioso católico tinha lançado o projecto “um segundo para Deus”, no qual pedia que o primeiro instante do ano novo fosse dedicado à comunhão espiritual com todas as pessoas do planeta, independentemente das suas convicções religiosas, num “abraço universal”.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Jantar da Natal...

Dando continuidade à tradição realizou-se ontem mais um Jantar de Natal com os Sem-abrigo da cidade do Porto, nas instalações da Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Marquês).
Ainda faltava muito para a hora marcada e já alguns se alinhavam junto ao portão de entrada para a cripta na ânsia de garantir um lugar à mesa, adivinhando a avalanche de gente que se apresentou em resposta à divulgação anteriormente feita na rua e junto dos utentes habituais da Porta Solidária.
Dizer que a resposta também dada pelo voluntariado foi linda acho que é pouco pois excedeu as expectativas: ao pessoal da Paróquia e voluntários do costume juntaram-se também outros voluntários dos Hospitais Privados de Portugal com elementos do Porto e dois que vieram expressamente de Lisboa, os escuteiros de Aldoar, duas irmãs de Coimbra e outro de Vila Nova de Famalicão que responderam ao pedido de voluntários feito no Facebook...
Gente grande e gente pequena, novos e menos novos, pequeninos mesmo alguns (dos três anos para cima...), cada qual à sua maneira e segundo as suas possibilidades ajudou a dar corpo a mais uma manifestação de vitalidade e presença cristã junto dos menos protegidos.
Sob a orientação do Sr. Pe. Rubens foi preparada a sala, colocadas as mesas, as cadeiras, os talheres, arrumados os pratos, tudo na devida ordem para acolher os esperados 300 comensais.
Um pouco antes da hora prevista já a fila dava a volta à igreja. Trezentos?!... comentava-se que seriam mais que isso àquela hora. E os atrasados? De facto, foi com certa dificuldade que se iniciou o escoamento daquela gente que se comprimia junto à entrada em direcção às mesas. As mesas estavam completas e ainda havia muitos à entrada. Recorreu-se à colocação de mesas extra para acomodar a todos, que foram mais uns oitenta!...
A sala não comportava mais ninguém, nem que se quisesse... Fechada a porta iniciou-se o serviço a que os voluntários para esse efeito destacados executaram na perfeição. Primeiro o arroz, o frango, o pão para todos, e as bebidas - sumos e água. Quem quis repetiu até acabar e se ver o fundo aos tachos que seguiram dali para a cozinha limpinhos até ao fundo!
Seguiram-se as sobremesas que este ano foram muito abundantes: maçãs, tangerinas, bananas, e, a estas, o Bolo-Rei e Vinho do Porto.
No palco, o grupo de cavaquinhos da Senhora da Conceição pôs muitos a dançar ao som das trovas que iam tocando.
Tudo servido, os voluntários subiram ao palco, que ficou totalmente preenchido, e, em coro afinado, entoaram as "Janeiras" com letra adaptada ao evento e ao local:
"Oh! Acordai!..., Oh! Acordai!..."
A hierarquia esteve ali presente na pessoa do Sr. Bispo Auxiliar, a Caritas na pessoa do seu Presidente diocesano, e a Igreja em todos os que responderam à chamada, de longe ou de perto, servidos ou servidores.
Dizer que correu bem é pouco porque o resultado final, sendo o corolário da conjugação do esforço de todos numa corrente de doação e entrega gratuitas, é o espelho do que deveria ser a sociedade e o mundo, construindo aquela sociedade em que o Amor está em todos e a todos se dá gratuitamente.
C.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

JANTAR DE NATAL

Franjas Sociais, abrangendo também voluntários das Paróquias de Carregosa e de Aldoar (escuteiros) e dos H.P.P. participam em mais uma organização do Jantar de Natal dos Sem-abrigo que a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição (ao Marquês, no Porto) tem por tradição oferecer nesta quadra.
Vai ter lugar nas instalações daquela Paróquia no próximo dia 29, às 20,00 horas.
Quem pretender poderá ajudar com a oferta de Vinho do Porto para o final pois que já há tudo o necessário.
Aceitam-se luvas e meias (preferentemente de homem) para o brinde a entregar no final.
As ofertas deverão ser entregues na Paróquia até às 10,00 horas da manhã de Quarta-Feira.
C.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Dezembro de 2010

5 Anos...


Com coroa de ouro se encerrou este 5º. ano da actividade de "Franjas Sociais" na rua. E o que fizemos para isso? NADA!... Só persistimos...
Com fartura desusada, de gente e de coisas, preparámos mais esta saída.
Desde o mês passado que contávamos com o pessoal da Paróquia de Carregosa e com o do Clã 50 do Agrupamento de escuteiros. Mais ainda outros voluntários do grupo original. O suficiente para encher as duas carrinhas de 9 lugares.

Juntámos pão, sandes, bolos, fruta, salgados variados, queques e pastéis e leite com chocolate. Juntámos a isto as sobras do jantar dos escuteiros por eles cuidadosamente guardadas, e bastantes termos com café com leite quente.

Com a agilidade própria dos jovens e, especialmente, dos que já desenvolveram competência organizativa, num abrir e fechar de olhos dispuseram e distribuiram tudo pelos 150 sacos individuais.

Perante aquele espectáculo houve alguém que, ao passar, quis saber do que se tratava. Quando soube que era para distribuir aos Sem-abrigo desabafou:

- Segundo disseram na Católica há dias, e deu na TV, já "há grupos a mais na rua; até se chegam a digladiar a disputar a distribuição; outros até deitam fora o que se acabou de se lhes entregar."

- Pois olhe que em tantos anos de rua nunca vimos tal; o que encontrámos mais que uma vez foi alguns a dizer-nos:

- Ai! Ainda bem que vieram... Se não fosse vocês aparecerem hoje não comíamos nada! E mesmo quando nos parece haver novos grupos, ou colaboramos com eles se a abundância não for suficiente, ou então deixamo-los nesse lugar e avançamos para outro de modo a que não haja atropelo na distribuição.

Quem foi que disse que a Caridade é cega?

Pelos vistos, quando às vezes pretendemos ver é que a Caridade deixa de o ser...

Sem comentários para o muito mau serviço prestado à própria causa da Igreja por quem, sem conhecimento preciso das coisas, e com muito pouco discernimento, dá publicidade negativa a um eventual facto isolado que, deste modo, se transforma em corrente e na verdade oficial!...

Pois bem: nessa mesma noite se confirmou uma vez mais o conteúdo da resposta quando, ao ver alojados dois nas arcadas do H. de Stº. António e nos dirigimos a eles nos disseram:

- Ah!... Estávamos a ver que esta noite não comíamos nada! Vimos passar aqui as carrinhas mas não pararam... Mas, graças a vocês podemos comer alguma coisa! E sabem que mais? Quando já se não espera e aparece é que sabe ainda melhor!...

Reunidos no átrio do Centro pedimos a bênção para aquela noite. Mais uma a arrostar com o pessimismo de tantos que se dizem cristãos mas que sem se dar conta vão mergulhando a sua sensibilidade em formalismos estéreis e práticas desertas de sentimento. Ao Pai Nosso seguiu-se a leitura de uma passagem do Novo Testamento, desta vez aberto pelo José Augusto, de Carregosa:

Actos dos Apóstolos, 3, 1-11.

"... Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho , isto te dou: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!".

É evidente que, além do material, o mais importante é o imaterial que no caso da leitura é a cura do paralítico. No nosso caso até levamos algo para a manutenção do corpo, mas não deveremos dar ainda mais atenção ao espírito, às coisas da alma?

Já no mês passado tivemos idêntica leitura, a da cura do cego de nascença, em que os discípulos inquirem de Jesus de quem é a culpa da sua cegueira.

Ora Jesus dá-nos a entender claramente que o importante não é o saber de quem é a culpa disto ou daquilo mas o partido que nós pudermos retirar desse facto, "para se manifestarem as obras de Deus".

É para a manifestação das obras de Deus que aqui estamos e assim pretendemos continuar sem esperarmos dividendos de qualquer natureza.

Dividimo-nos em dois grupos, seguindo um pela cidade (Boavista, Júlio Dinis, Câmara, Viaduto , Batalha, Urgência do H. de Stº. António), e rumando o outro directamente ao Aleixo, Pinheiro Torres, Pasteleira... Findo este percurso juntámo-nos na Urgência mas passando ainda pelas arcadas do Hospital, onde se passou a cena já descrita, e pelo Jardim do Carregal onde detectámos outra situação a requerer tratamento urgente e que já mereceu algumas diligências da nossa parte em contacto com os Médicos do Mundo.
A noite avançava e urgia dá-la por terminada para permitir o regresso pouco tardio dos grupos. Convidámos os que ainda permaneciam no local a rezar connosco um Pai-Nosso de agradecimento por aquela noite e de prece por todos as suas necessidades: e, de mãos dadas numa roda larga, ressoou no ar da Rua do Rosário, devota e pausadamente, o som daquela oração que ainda hoje une os corações de todos os cristãos.
C.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ainda Novembro de 2010...


Uma noite diferente
"No passado dia 10 de Novembro, à noite, alguns dos elementos do Clã 50 Egas Moniz e alguns membros das Equipas de Animação do Agrupamento 174 de Aldoar tiveram uma experiência diferente.
Juntaram-se a alguns membros da Paróquia de Aldoar do grupo "Franjas Sociais" e da Paróquia de Carregosa, de Oliveira de Azeméis, para irem pelas ruas do Porto distribuir comida e bebidas quentes aos sem-abrigo.
Juntámo-nos por volta das 20,00 horas no Centro Paroquial, onde se ultimaram os preparativos, como a distribuição da comida por sacos individuais e a preparação das bebidas quentes.
Depois de uma breve apresentação, a partilha de algumas dicas e de uma oração, por volta das 22,00 horas partimos ruma à Boavista, mais propriamente a zona do Bingo, e de seguida para Júlio Dinis. Fizemos mais algumas paragens nas Urgências do H. de Stº. António, na Câmara Municipal, na Batalha, no Bairro do Aleixo, terminando no Bairro Pinheiro Torres.
Foi uma experiência bastante importante para nós e a qual repetiremos uma vez por mês, juntamente com o Grupo.
Esta noite mais do que distribuir comida e bebida quente, levou.nos a contactar bem de perto com outras realidades, a dar uma palavra e um sorriso que no dia-a-dia aquelas pessoas quase não recebem.
O Escutismo é mais do que acampar e estar entre escuteiros, é também saber lidar com outras realidades, trabalharmos em conjunto com outras pessoas e crescermos como indivíduos da sociedade.."
Extraído da edição nº. 5 de "O PERIÓDICO", jornal do Clã 50 do Agrupamento 174, de Aldoar.


domingo, 14 de novembro de 2010

Quando Deus quer...

Novembro de 2010

Habituados a pouco e a poucos foi na hora menos esperada que começaram a surgir as surpresas. Primeiro foi um grupo de escuteiros do Agrupamento de Aldoar que manifestou vontade de alinhar na rua e, poucos dias depois, o Sr. Pe. Artur Monteiro, da Paróquia de Carregosa, que se dispôs a iniciar uma nova actividade junto dos Sem-abrigo. Viria lá de baixo, de fora do Porto, com um numeroso grupo de jovens da sua Paróquia acordar com esta sua iniciativa os que por cá ainda permanecem acomodados.
Ao longo dos meses fomos teimando na continuidade sem pensar nos resultados. Pensávamos apenas na nossa obrigação de descer da montada e de nos aproximarmos dos que carecem da nossa ajuda.
Deus é GRANDE! E tão generoso que apontou à rua não um mas dois maravilhosos e numerosos grupos de jovens dispostos a não virar a cara à miséria mas a enfrentá-la com Esperança, esperando que alguns venham ainda a beneficiar em resultado da sua atitude.
E também mandou quem, pela formação e pelo carisma, pode ajudar a levar à rua a Palavra de Deus na pureza da sua interpretação, e a Sua Bênção.
Depois da experiência só poderemos dizer: obrigado, Senhor! Nós pelo dom da continuidade certificada no número e qualidade dos enviados à Missão, eles pelo dom da participação.
Desta vez quase nem nos apercebemos da tarefa de completar os sacos. Eram 150 os previstos mas a amiga Maria de Lurdes apareceu com uma quantidade inusitada de mais uns tantos que até nos fez perder a conta! Tudo decorreu com rapidez e eficiência, fruto da organização e saber dos escuteiros - que bela escola!... - e dos paroquianos de Carregosa.
Porque era a primeira vez de 18 pessoas - 11 de Aldoar e 7 de Oliveira de Azeméis (espero não errar) - a maior parte do tempo de preparação foi gasto com informações e recomendações.
Eram cerca das 21,30 horas quando nos fizémos à rua pelo trajecto habitual. Logo no início encontrámos os Médicos do Mundo que davam apoio a um dos nossos amigos de longa data: o João (da bicicleta), que mudou de poiso.
Continuámos pela Avenida da Boavista, Júlio Dinis e Câmara. Por um estranho fenómeno que acontece às vezes (lá terá a sua explicação), havia menos gente. Na Batalha era próximo do habitual. Igualmente junto à Urgência do H. de Santo António.
A abundância de farnéis, tal como esperávamos, fez-nos avançar para o Aleixo. Também aqui a frequência era menor.
Seguimos até à Pasteleira onde o corropio dos frequentadores era notável e tristemente curioso o de automóveis que mal paravam logo arrancavam com inusitada pressa!...
Continuavam a sobrar sacos. Aconselharam-nos a ida ao Ferreira Torres. Lá fomos ao encontro de mais uns tantos...
Fome!... Fome!... Fome!... Droga e mais droga!... Uma arrasta a outra numa espiral de miséria e desgraça. Desgraça para os próprios e para os que os cercam...
Servia uma mulher dos seus quarenta anos e, ao mesmo tempo íamos conversando.
-Olhe, o melhor que podia fazer era pensar deixar esta vida, tentar mudar... Já pensou nisso?
- Às vezes penso e já temos falado nisso eu e o meu marido. Aquele homem que está ali à frente...
Olhei e vi-o. De aspecto maduro, na fila mais adiante, estendia a mão para recolher o saco. Não conseguiria já esconder as mazelas daquela vida de um só sentido e pensar: droga!...
- Filhos? - perguntei.
- Três, - respondeu.
- Onde estão?
- Com os meus sogros.
É assim: aqui um mal nunca vem só. Traz consigo um rosário de misérias e trabalhos que cava a desgraça de uns e enferniza a vida de outros. E os mais próximos são as maiores vítimas. Em primeiro lugar os filhos, depois os pais, os avós, outros parentes quando se não alheiam!
E ninguém está vacinado contra este mal. Apanha às vezes até os mais avisados. Foi talvez com certa surpresa que os escuteiros do grupo foram descobrir numa só paragem três antigos escuteiros que têm a rua por casa! Mas foi uma alegria para os antigos que não se cansavam de manifestar essa sua qualidade indicando o Agrupamento a que pertenciam e despedindo-se de todos com o conhecido aperto de mão com a mão esquerda.
Mas esta noite pareceu mesmo preparada para os mais novos pois não terminou sem o insólito: um frequentador do Pinheiro Torres que se deslocara de Aveiro para vir buscar veneno ao Porto, com a precipitação, fechou a carrinha deixando as chaves na ignição. Tenta dum modo, tenta do outro e nada! As equipas dos escuteiros e a de Carregosa uniram os seus saberes e talentos na tentativa de descobrirem forma de abrir a porta. E tanto porfiaram que até conseguiram, para alívio do condutor precipitado.
E foi ali, numa roda, que démos Graças por esta noite e pedimos por todos quantos tinham vindo ao nosso encontro. Grupos de rua oram na rua.
Encontrámos pessoas marcadas, sofridas, vidas em farrapos, idas sem regresso, mas na pessoa de cada uma está Jesus sofrido, espezinhado, abatido, crucificado.
- Quem pecou, foi ele ou foram os seus pais?
- Não foi ele nem os seus pais que pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele” (João 9.1-3).
A leitura deste dia aconselha-nos a não atribuir culpas a nenhum daqueles que encontrámos no nosso caminho pela desdita que os atingiu, mas a dar Glória a Deus e a agradecer-Lhe por nos ter permitido participar na Sua obra.
Quantos de entre eles não irão à nossa frente para o Reino dos Céus?

C.


franjassociais@hotmail.com

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Outubro 2010 - Nova Saída

Parecia que as dificuldades nunca mais nos deixavam. Desta vez voltámos a sair apenas dois pois a amiga Maria de Lurdes continua impedida agora por motivo diferente.
Falhou, e falhou toda a fartura que costumava vir de Leça. Assim, tivemos de fazer um pouco de ginástica para reforçar a ementa, e conseguimos mais de oitenta porções. É certo que não eram fartas como habitualmente mas… que fazer? A nossa intenção é IR e lá vamos com o que temos.
Estávamos a sair do Centro quando aparecem alguns amigos escuteiros que iam ter a sua reunião de chefias. Ao saber que íamos ao encontro dos Sem-abrigo demonstraram interesse em alinhar no mês que vem. Ficou a disposição deles e o nosso convite.
E arrancámos.
Boavista, Júlio Dinis… Os sacos desapareciam…
Seguiu-se a Câmara. Fomos ali os primeiros e aproveitámos para iniciar a distribuição a um grupo que aguardava os Samaritanos. Demos a volta pelo viaduto, seguimos à Batalha. O grupo habitual já lá aguardava. Voltámos a encontrar a Emília, com quem conversámos um pouco. Pareceu-nos melhor, e dispôs-se a ir até Guimarães um dia.
Minguava a merenda mas ainda devia dar para seguir até ao Santo António. Lá fomos, e deixámos tudo o resto. Reservámos apenas um farnel para o Sr. António que, vítima da sua teimosia e do vício, tem a rua como abrigo porque rejeitou o quarto que lhe tinham conseguido. Rejeitar não é bem o termo, deixou de o utilizar por preferir a tertúlia do Stº. António…
Voltámos a Aldoar. Mal tínhamos parado o carro quando demos de caras com o grupinho de escuteiros, agora acompanhado com o respectivo chefe. Este interessou-se também pela experiência e dispôs-se a acompanhar-nos em Novembro.
Fartura!!!...
Esperemos que venha para ficar e dar origem a um interessante programa de ajuda e partilha no âmbito da Paróquia.
Dois dias após, recebo uma mensagem de um Sr. Pe. da zona de Oliveira de Azeméis dispondo-se a vir mensalmente à rua com um grupo da sua paróquia… Já lhe respondi e ficou assente que irão connosco no próximo dia 10 de Novembro!...
Mais fartura!
Durante meses e meses quase que a fio minguámos de pessoal e de bens – sobras uns, aquisições outros.
Agora é o que se vê…
Mas não parou por aqui. Creio que no mesmo dia telefonam-me do Centro dizendo que têm lá uma encomenda para mim. Estranho e pergunto de quem e para quê. Respondem-me que foi um Senhor que deixou para Franjas Sociais.
Estranhei duplamente porque nem a designação é muito conhecida nem nós angariamos donativos. Fui lá. A carta vinha apenas assinada com um simples L. B. S.
Entendi…
Esteve connosco, saiu connosco, participou na feitura deste blog e sumiu… Para onde, sempre me perguntei sem obter resposta. Mau-grado as diversas tentativas de o reencontrar não consegui descobrir-lhe o rasto, e agora, sem que o esperasse, aparece na forma de um donativo chorudo, afloramento singelo de uma alma GRANDE!
Continuamos a ignorar o seu paradeiro mas este grupo e este correio não são a mesma coisa sem ele.

L.B.S., continuamos à sua espera!
Por este meio lhe deixamos um grande abraço e pedimos que Deus lhe dê o melhor de tudo quanto necessitar.

C.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

De volta...

Setembro.2010
Já não são as noites cálidas do nosso Verão aquelas que encontramos quando saímos ao encontro daqueles que dia-a-dia, semana-a-semana, mês-a-mês nos aguardam nas ruas do Porto.
Este blog tem estado em silêncio mas a nossa actividade não parou. Todos os meses temos saído, com exclusão de Maio. Ainda que não seja propriamente aliciante o tema nem agradável a miséria, congratulamo-nos com os leitores que nos vêm visitando com regularidade nos países onde residem, nomeadamente os mais assíduos, que são os que moram na Califórnia (USA), Rússia, Brasil (muitos), e em Portugal.
Os relatos também não têm em vista fazer propaganda (de quê?!...) mas apenas permitir tomar contacto com esta nossa realidade a quem noutras latitudes se dedica igualmente à tarefa de ir ao encontro "do outro" para que da experiência de uns e de outros resulte um melhor conhecimento de como deveremos actuar.
Ontem lá fomos uma vez mais, lutando com falta de voluntários mas esperando e confiando. E, se uns faltam, outros vêm.
Não são bons os tempos que atravessamos e a rua vai-no-lo lembrando: São muitas as caras novas que espelham amarguras e desaires da vida e que dia-a-dia aumentam o número dos que nos aguardam.
Era farta a mesa que levávamos ontem mas tudo acabou na Rua do Rosário. Há já três meses que não conseguimos descer ao Aleixo.
Não têm surgido casos que mereçam especial atenção a não ser as mães novitas que nos aparecem acompanhadas dos seus filhitos. Excepção foram no mês passado o caso de uma mãe de cinco filhos que luta por ganhar coragem para iniciar um programa de desintoxicação, outro o da "Emília" que deixou em casa três filhos entregues à mãe já lá vão uns vinte anos e que diz ter e não ter saudades deles, e mostra um ar abstracto cuja razão não conseguimos diagnosticar. Há dois meses foi uma catalã das Baleares que, saltitante, atravessou a rua no Pinheiro Torres cantarolando a Avé Maria, devoção que mantém bem arreigada mau grado a prisão da droga...
Mas positiva, positiva, é a alegria com que nos aguardam e agradecem, sinal de que a nossa visita produz efeitos. E é isso que queremos. É gratificante ver entre eles alguns que assumem já atitudes muito diferentes daquelas que lhes vimos nos primeiros contactos, e saber que outros encontraram outras formas de vida mais consentâneas com a dignidade própria de seres humanos.
- Quando voltam? - perguntavam alguns deles ontem.
Dando continuidade à "promessa" há muito feita, no próximo mês lá estaremos com eles novamente, rondando a cidade, as ruas, os becos, os portais...
Que Deus os proteja e lhes dê aquela "boa noite" que bem desejaríamos para cada um deles.
C.

sexta-feira, 12 de março de 2010

E a rua continua... Março 2010

Reduzidos ao mínimo, teimosamente, cá continuamos! A Rua chama-nos. Tendo atravessado um deserto que nos obrigou a interrogarmo-nos, pelos sinais que nos iam chegando, concluímos que a acção teria de prosseguir. Uma sucessão continuada de impedimentos parecia indicar que Deus nos dispensava. Mas... lendo bem a mensagem que no Evangelho nos deixou, essa indicação parecia não ter cabimento. Não batia certo. Que um ou outro seja "desviado" para tarefas de outra natureza, entende-se, mas já se não entende que TODOS o sejam. Se assim fosse não haveria lugar para a Caridade e Deus não quer isso.
De muitos lados temos leitores destas páginas e destas crónicas. Vêm , uns do Brasil (sobretudo do Brasil), outros de norte a sul e ilhas de Portugal, mas também dos EUA, França, Espanha, Holanda, Timor e até da Rússia. O interesse que tem vindo a ser manifestado nas notícias destas páginas aconselha a que continuemos.
Por outro lado, sem encomenda de qualquer natureza, pessoas caridosas que não têm condições de nos acompanhar inquiriam das datas em que voltaríamos à rua pois queriam participar preparando sandes ou ajudando de outra forma.
Sentíamos isto como sinais que nos estavam a ser enviados para não parar por aqui.
Não parámos, e aqui estamos!
Estamos e estivemos também já em Janeiro, em Fevereiro e agora em Março.
Em Fevereiro saímos apenas dois. Sem temor mas crendo que Deus nos acompanharia demos a volta completa até ao Aleixo e a Pinheiro Torres. Tivemos muitas sobras nesse dia que entregámos no dia seguinte nas Irmãs dos Pobres, no Pinheiro Manso.
Este mês o número cresceu. regressou a Elvira, acompanhou-nos também o marido, e agregou-se ao grupo o Aníbal C. que também abraçou a causa com muita dedicação. Estávamos junto à Câmara quando se associou também a Sofia e a filha (de 13 anos) que promete continuar. Já a conhecíamos e integrava outro grupo que rebentava de voluntários. Por isso achou melhor destacar-se dele e iniciar nova caminhada connosco. Bem-vinda! Creio que vai ser uma experiência forte e abençoada.
Na oração de partida abriu a Palavra o neófito do grupo, Aníbal, que, nem de propósito leu a passagem em S. Marcos, 12, 41:
"...Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; porque todos deitaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto possuía, todo o seu sustento."
A mensagem vinha directamente para cada um de nós, que também estávamos ali para dar o que nos sobrava!... Era para estarmos atentos e não nos deixarmos iludir pelo orgulho de nos julgarmos mais do que aqueles que nada davam. Deus estava a colocar-nos no nosso lugar e a dizer-nos qual o tamanho da nossa caridade, do nosso amor.
Estranho o diálogo com uma mocita de 15 anos em Júlio Dinis na sequência da informação de que não falava com o pai e que nem o queria ver:
- Sabes o "Pai Nosso"?
- Não que isso é de "betinhos"!
Prosseguiu a nossa dialética com a menina alertando-a para o perigo daquela radicalidade ignorante dos valores, de experiência, da vida. Semeámos alertas e deixámos conselhos nomeadamente os que respeitam à necessidade de estudar. Mas a menina resolvia tudo em simples mudança: deixar a escola no 9º. ano e seguir um curso de representação - quer ser actriz - talvez num qualquer das "novas oportunidades" preparando para pouco, nada ou quase nada.
A nossa via sacra continuou ruas fora, parando nos locais habituais, encontrando rostos já amigos. Desviámos na Trindade ao encontro do Francisco. Mas que transformação!... Não parece o mesmo Francisco ensimesmado, que encontrávamos continuamente rabiscando quadradinhos de ponta a ponta das folhas A4 em linhas certinhas, como um exército de letras sem sentido. Ria, abriu os braços para nos acolher, falámos um pouco e lá o deixámos a caminho de um melhor lugar onde disse que agora estava. De facto estranhámos não o ter encontrado em Fevereiro no sítio do costume.
O nosso cabaz era abundante. Não regateámos distribuir sandes, fruta e o mais que levávamos. Por isso, do Carregal ainda fomos ao Aleixo e ao Bairro Pinheiro Torres, onde deixámos o resto. Ninguém ficou por servir a não ser o outro Francisco e companheiros no vão da escada de São Bento, por mero esquecimento.
E foi ali mesmo, numa roda de 6 (incluindo um amigo da rua que acabara de chegar) que rezámos a nossa oração de agradecimento por aquela noite, e pedimos por todos eles e pelas suas necessidades espirituais e materiais.
Deus, que tudo vê e provê segundo a nossa Fé, não os abandonará e, por isso, muitos franciscos se transformarão pela Sua Graça e viverão na Sua Paz.
É Quaresma, tempo de Oração, Sacrifício e Caridade. Ainda não o é de Aleluias, mas apetece gritar desde já e bem alto cantando Aleluia ao senhor pelas Suas maravilhas!
C.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

5º. Ano

Chuva e vento

Pois foi, a chuva e o vento não nos largavam...
Por isso a dúvida quanto à saída permaneceu até quase ao fim. Permaneceu para alguns porque interiormente estávamos decididos a ir fosse como fosse e qualquer que estivesse o tempo!
Havia muita gente impedida por motivos vários, e certos estavamos só três.
Combinámos alterar algumas coisas: o frio não convida tanto a sumos, por isso ensaiaríamos levar café com leite quente. A Margarida encarregou-se de levar os termos. O resto levaríamos nós. Mesmo assim apareceu com 30 sacos quase prontos. Adicionados ao que levávamos entre sandes, fruta, bolos diversos e leite com chocolate não foi nada mau.

Contra os nossos receios a noite nem foi fria nem chuvosa. Também não éramos só três mas cinco pois a Margarida apareceu com um casal jovem.
Foi um deles que abriu a Palavra: "David e Ciba":
" Tendo David descido um pouco a outra encosta do monte, viu Ciba, servo de Mefibosét, que vinha ao seu encontro com dois jumentos carregados com duzentos pães, cem cachos de uvas secas, cem peças de fruta da estação e um odre de vinho."

No decorrer da leitura recordei-me dos preparativos: "devem chegar cem maçãs... cem pacotes..."!
Por acaso não só chegou o que levávamos mas até sobrou porque a noite estava pouco convidativa a permanecer na rua e alguns decerto preferiram ficar sem ceia mas continuar resguardados, tanto quanto alguns puderam, do frio, do vento e da chuva.
Também contribuiu para isso a Chantal que, como vem sendo costume, se encarrega da Rua Júlio Dinis às Quartas-feiras e nos dispensou ali o serviço.
O certo é que, depois de termos corrido a cidade, descido ao Aleixo, ido ao Pinheiro Torres ainda tínhamos sacos completos, maçãs e sandes no carro, que tiveram como destino depois as Irmãzinhas dos Pobres.
Nada se perde se tudo se pode aproveitar.
Terminámos em Leça com a oração expontânea da amiga Mª. de Lurdes, cheia de inspiração e ternura.
Vão-se dissipando as dúvidas de como deveremos continuar na rua: é continuando... e Deus nos ajudará quanto ao mais.

Estar, querer estar e a determinação de continuar creio que é o fundamental. Será esse o objectivo principal. E, se pudermos fazer mais alguma coisa por eles, será o coroar da nossa dedicação.
Com a ajuda de Deus...

C.

sábado, 9 de janeiro de 2010

5º. ANO!!!


Jantar de Natal
Uma vez mais, desta vez no dia 2 de Janeiro, a Paróquia de Nª. Senhora da Conceição organizou e serviu o jantar de Natal aos Sem-abrigo da cidade do Porto.Para esse efeito contou com a disponibilidade de voluntários que, na sua maioria, são as pessoas da Porta Solidária que costumam servir as refeições diariamente aos Sem-abrigo, reforçadas por elementos de outros grupos da Paróquia, por anónimos que ajudam os Sem-abrigo, ou por pessoas que todos os anos acorrem ao pedido de apoio do Sr. Pe. Rubens. Ainda que não seja habitual destacar ninguém, não poderíamos deixar de mencionar a presença de 4 Irmãs do Instituto das Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento, vulgarmente conhecidas como da “Toca de Assis”.
Já o ano passado tinham dado o seu contributo e assim quiseram fazer também neste.
Tendo como carisma o acolhimento e a dedicação aos Sem-abrigo, a sua presença aqui deixa antever o possível início de uma nova missão…
“Entrada Livre!”, dizia o “convite” a tempo distribuído pelos cantos da cidade.
E a ele responderam mais de 300 pessoas, frequentadoras habituais da rua ou nela residentes, com interesse tal que, ainda faltava uma hora para a abertura das portas do salão onde ia ser servido e já a fila de espera se alongava por mais de meio perímetro do templo. Viam-se ali alguns nossos conhecidos que não deixam por nada deste mundo o lugar onde recolhem a moedinha, e que esperaram pacientemente a hora do jantar sem um lamento ou manifestação de contrariedade.
Que se passava no espírito de cada um deles? O que fez, por exemplo, com que o P., revoltado crónico, ali estivesse aquele tempo todo, prescindindo da sua fonte de receita, sem vislumbre de azedume ou revolta? E, como ele, tantos outros...
Nem a chuva os demoveu ou fez atrasar.
Aberta a porta pontualmente às 20,00 horas depressa ficaram preenchidos os 230 lugares previamente preparados. À porta continuavam a assomar rostos impacientes. Acrescentaram-se mais mesas extra. Também estas ficaram rapidamente ocupadas. Esticou-se o espaço para a lateral, e também encheu…
O Sr. Bispo do Porto brindou-os com a sua presença. Também é pastor deles e já vem sendo habitual a sua participação neste jantar.
Curiosamente, a primeira pessoa que contactou ao entrar foi precisamente a superiora das Irmãs Filhas da Pobreza com quem estabeleceu um curto diálogo. E, ao saber que pertenciam à diocese de Braga e não do Porto, não perdeu tempo a lançar-lhes o desafio:
- Se pensarem fixar-se no Porto, FALEM COMIGO!
As mesas estavam cuidadosamente preparadas: arranjos ao centro, velas acesas.
A semi-obscuridade do salão contribuía para criar uma atmosfera de solenidade e respeito.
Com o início do serviço acenderam-se as luzes e o espaço encheu-se de claridade, do ruído dos talheres, do lufa-lufa dos voluntários no afã de servirem, uns o pão, outros os sumos, outros ainda o arroz quentinho acabado de sair dos panelões…
Comeram e repetiram.
Seguiram-se as sobremesas, a fruta, os doces, as rabanadas, o Vinho Generoso.
Os voluntários reuniram-se no palco para cantar as janeiras. Juntou-se-lhes o Sr. Bispo. E pela sala ecoou então o som de dezenas de vozes todas bem afinadas pelo ritmo do coração:
“Oh!... Acordai!... Jesus nasceu: Cantai! Cantai! Cantai!..."
“Nasceu em Belém
Jesus O Redentor.
Chegou à Terra o Amor,
A Luz, a Luz e a Salvação…”
E assim por diante até ao fim das 11 quadras. Cantava-se no palco, cantava-se e dançava-se no salão.Via-se alegria nos seus rostos e alegria contida nos corações de cada um de nós.
São horas como estas que dão razão às nossas vidas!
Em boa hora o Sr. Pe. Rubens entendeu que a hora é de acção, arregaçou as mangas e disse:
- Se não fazem os outros fazemos nós!
Sim, não devemos estar à espera de que sejam sempre os outros a dar o primeiro passo. Basta olhar à nossa volta e ver o que é preciso e, como ele, arregaçar as mangas, e ir...
São iniciativas como esta que devem multiplicar-se!
C.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Uma história de humildade

As "Irmazinhas dos Pobres" são uma instituição fundada por Santa Joana Jugan, santificada há poucos meses, uma francesa pobre que um dia levou para sua casa uma velhinha e a deitou na sua própria cama, passando a dormir no chão. Foi aí que nasceu o primeiro Lar de Terceira Idade orientada por estas irmãs.
Dá gosto ver como tratam dos velhinhos, com que amor falam com eles e aguentam alegremente as suas manias, tiques, teimosias, demencias. Vivem de andar a calcorrear as ruas no dia a dia batendo às portas a estender a mão a pedir, e da Providência Divina - daquilo que lhes aparece.
Têm critérios de aproveitamento fantásticos e a casa é de um arranjo, de uma limpeza, e de um bom gosto que só podem ser fruto de um grande amor. Invejável. E as irmãs na sua grande pobreza de vida estão muito asseadas mostrando que a pobreza não tem a ver com porcaria ou trapalhice, como tantas vezes acontece confundirmos.
Costumo ir lá à Missa e é muito bom ficar na capela depois a rezar - um silêncio, um ambiente acolhedor, um Cristo na Cruz lindíssimo ajudam a que possa fazer a minha "caminhada de silêncio" diária ali muitas vezes.

Há pouco tempo a Irmazinha Superiora da comunidade adoeceu e foi preciso substituí-la. Não sei como é feita a escolha da nova Madre só sei que a escolha caíu... espantem-se! ... sobre a "Irmazinha" da cozinha... O "mundo" habituou-me a pensar que normalmente o/a superior/a de uma comunidade se ía preparando percorrendo um caminho de "importância" dentro da ordem, até que um dia a escolha para superior/a recairía lógicamente sobre ele/a. Mas nunca viria da cozinha... Pois aqui não foi assim. De facto, todas as irmãs têm a mesma formação, e todas a renovam periodicamente. Depois, dentro da Instituição, cada uma ocupa lugares vários: ou vai para a rua pedir de porta em porta, ou tem a seu cargo a alimentação dos velhinhos acamados, ou é a sacristã, ou acompanha a Madre Superiora nas suas tarefas, ou está encarregue das partes lúdicas, ou está destinada á cozinha... não havendo, pois, razão nenhuma para que a irmã que vejo levar o lixo ao contentor na rua não venha a ser um dia a Madre Superiora da casa.
Ontem na Missa foi a apresentação da nova Irmazinha superiora. E com que humildade, simplicidade, e alegria todas a receberam! Este acontecimento alegrou-me muito e mostrou-me como há ainda quem viva a humildade e a simplicidade de Jesus. E a certeza de que o servir é que dá a importância e os "galões". Foi muito bom viver estas horas de fim de ano com as Irmazinhas dos Pobres.
Teresa Olazabal

sábado, 26 de dezembro de 2009


No meio da azáfama característica desta quadra, e com o senão de termos interrompido esses afazeres por causa imprevista, deixámos passar o dia de Natal sem que aqui o tivéssemos lembrado...
O Natal deve ser todos os dias, costuma ouvir-se. É verdade, mas embora o afirmemos sempre também sempre depressa o esquecemos...
De qualquer modo, e para que conste, desejamos a todos UM MUITO SANTO NATAL, e que o Deus-Menino permaneça e cresça sempre cada vez mais nos nossos corações.
E aproveitamos para desejar que o Ano de 2010, que brevemente se vai iniciar, preencha os desejos de cada um quanto à sua vida particular, e a todos traga a tão ansiada PAZ, Saúde, Pão, FELICIDADE!...
São os votos de franjas sociais.
C.

INÊS...

"Esta manhã (24/12) fui ao enterro da Inês às 11h em Vilar de Andorinho. Lindo. Já ontem à noite quando fui à capela mortuária com a Cuca e a Manela rezar um terço tive ocasião de perceber "aquele" sorriso tão misterioso nos olhos fechados dela. Foi um consolo.
Hoje houve uma cerimónia muito bonita - com a celebração da Palavra, uma homilia e a distribuição da Comunhão na Capela Matriz.
A Manela leu as leituras tão bonitas do Natal: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz. Para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar", e o Salvador - de que ela tanto gostava no que era correspondida, leu a oração dos fiéis pedindo "pelas famílias que nesta noite não têm casa, nem pão, nem amor...". Tudo girava à volta da vida da nossa querida Inês que, com a fotografia da entrega da caixa dos sonhos na Missa de Natal da Trindade ao lado dela no caixão, continuava a sorrir como se nos quisesse sossegar e dizer: "acabou-se a luta, estou em paz, mas... atenção! Continuo convosco".
O diácono que presidiu falou com uma sabedoria muito grande explicando que há filhos que estão mais perto e outros mais longe da família e da casa mas que nunca saem verdadeiramente dos corações dos seus pais. E se é assim no coração dos pais da terra, muito mais o é no coração do Pai do Céu - n'ELE nunca deixa de caber um filho. São nove irmãos e uma mãe de alguma idade.
Foram buscá-la ao Instituto de Medicina Legal logo que souberam que tinha morrido e levaram-na de volta à terra donde nasceu, enterraram-na com muita dignidade, e foi de lá que partiu para a sua definitiva morada. EM PAZ.Vai-nos custar esquecê-la... aquele jeito atolambado de ser, de se rir, aqueles passos gigantescos capazes de ultrapassar o tempo, aquele sorriso malandro e terno, os abaços sem fim... e, um segredo: a boneca...
Um dia contou-nos que foi mãe há perto de 7 anos. Entregou a filha ao médico que a assistiu no parto quando este lhe mostrou a evidência - que ela não teria nunca capacidades de educar uma criança no coreto do Jardim da Cordoaria. E era com uma boneca, a que vivia agarrada toda a noite, que ela compensava a dor e as saudades que tinha da Sofia.
A Cuca andou como louca de um lado para o outro nos sítios que sabemos terem sido os últimos momentos dela, à procura da boneca para hoje lha entregar. Em vão. Mas não importa porque agora, do Céu onde andará de um lado para o outro aos encontrões a tudo e a todos, ela pode olhar e gozar bem de perto a sua menina.Descansa em paz, Inês!"
(Texto da Teresa Olazabal)
Da minha parte quero-te dizer que não sabia nem imaginava que no passado dia 14, na Trindade, te estavas a despedir quando, à socapa, me vieste dar "aquele" abraço e me pespegaste dois sonoros beijos na face.
Ao pensar nisso sinto como que uma dívida para contigo: a de nunca te esquecer, e, especialmente, não deixar de rezar por ti. É o que vou procurar fazer. Que o que te faltou em vida em comodidades, atenção e carinho, te sobeje agora no Céu em Graça e Felicidade Eterna. E lembra-te também sempre de nós junto do ETERNO DEUS!

PNAM

Carlos

terça-feira, 22 de dezembro de 2009


"...A arma dos fortes foi destruida e os fracos revestidos de força.Os que viviam na abundancia andam em busca de pão e os que tinham fome foram saciados..."
(Do Salmo da Missa de hoje, 1Sm2, 1.4-5.6-7)
"A "nossa" Inês foi ontem para o Céu.
Dormindo na rua durante 25 anos, foi recolhida e reabilitada pelo nosso grupo.
Não sabia o que era uma cama.
Mas teve uma recaída há 15 dias.
Voltou para a rua e para o inferno da vida anterior.
Presa durante a noite, morreu não sabemos porquê.
No Ofertório da Missa de Natal fez questão de levar a "caixa dos sonhos". E fê-lo com uma convicção e uma dignidade total.
Agarrada com unhas e dentes à caixa, entregou no altar os seus sonhos: "- o de um dia poder viver dignamente: com emprego, casa e familia; - o de um dia poder ser olhada com respeito por todas as pessoas; - o de um dia poder ser livre, sem dependencias e sem precisar de estender a mão.

Como dizia há pouco uma amiga, agora vai realizá-los todos. Porque na verdade não era a "nossa" Inês mas sim a Inês "de Jesus" porque "a mais pequenina dos pequeninos" de tão mal amada, de tão maltratada, de tão despezada...

Inconsoláveis, acreditamos nas palavras deste Salmo:
"os que tinham fome foram saciados".
A Inês tinha uma fome insaciável de amor. E umas gargalhadas de menina. Abraçava toda a gente com a força de quem acredita que isso lhe minimizaria o sofrimento provocado pelas tantas feridas que tinha no coração e de que não se conseguia livrar...
"...Os fracos foram revestidos de força e os que tinham fome foram saciados...!"

(Teresa Olazabal)

Comentário:

Inês:
Quem disse que a Missa de Natal a 14 de Dezembro era prematura?
Pois foi a tua Missa de Natal!... Celebraste também este ano o teu Natal, o Natal de Jesus...
Tal como escreveu a amiga Teresa, abraçavas toda a gente, querias viver num momento o que não te era permitido usufruir ao longo da vida. Mas... naquele abraço que, por puro impulso teu, me vieste dar de surpresa na Igreja da Trindade, vejo agora o teu abraço de despedida!...
A vida foi muito madrasta para ti, mas que tudo quanto te deram em sofrimento te seja agora dado no Céu em recompensa por toda a eternidade!...
Elevamos ao Céu as nossas orações mas estou certo de que não precisarás delas, e, por isso te peço: Pede a Deus por nós!...
P.N.A.M.
Carlos

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Missa de Natal dos Sem-abrigo




"Mais do que comentários, deixo aqui os tres pontos altos da Missa:
Ofertório, Pai Nosso, Poema da Margarida
O OFERTÓRIO
Foram oferecidos ao Senhor presentes - dos Amigos da Rua e do nosso grupo - que eram mostrados ao povo de Deus ali reunido, enquanto a Joana lia pausadamente o sentido de cada entrega:
A Laura e o João, um casal da rua, aproximam-se do altar com uma caixa de cartão dobrada e um cobertor:
"Oferecemos-Te Senhor a nossa cama muitas vezes o único conforto na solidão e no frio das noites compridas de inverno. Tu, que também nasceste no desconforto da manjedoura, acolhe-nos e aquece os nossos corações com o Teu Amor".
A Sónia, mãe de três filhos, no desemprego, bem como o marido, aproxima-se do altar com um pão seco:
"Oferecemos-Te Senhor este pão, sinal da nossa carência e da nossa fome: fome de alimentos, fome de carinho, fome de companhia. Tu que mataste a fome aos famintos, sê o Pão, o alimento, e o amor das nossas vidas".
A Marta, do nosso grupo, aproxima-se do altar com um recipiente cheio de cacos, de várias cores:
Oferecemos-Te Senhor estes cacos, sinal das nossas vidas tantas vezes estragadas, fúteis, partidas e sem sentido. Dá-nos, Senhor, a Tua ajuda e refaz as nossas esperanças e alegrias tantas vezes quebradas e perdidas.
A Joana, do nosso grupo, aproxima-se do altar com um "saco-ternura":
Oferecemos-Te, Senhor, este saco de plástico a que chamamos "saco-ternura" onde todos os meses colocamos não só os alimentos para os Amigos da Rua, mas também o nosso amor, a nossa atenção, a nossa companhia e a nossa alegria em podermos partilhar com eles as nossas vidas. E nunca permitas que desanimemos de servir-Te nestes irmãos e irmãs.
A Inês, sem-abrigo, leva uma caixa "doirada" com tres papeis escritos:
Oferecemos-Te, Senhor, estes nossos sonhos: - de um dia podermos viver dignamente com emprego, casa e familia; - o de um dia podermos ser olhados com respeito por todas as pessoas; - o de um dia podermos ser livres, sem dependências e sem percisarmos que estender a mão para satisfazer as nossas necessidades essenciais. Senhor, alimenta e anima cada vez mais estes nossos sonhos.
A Rosa e o Armando, dois Amigos da Rua, aproximam-se do altar com as hóstias e as galhetas:
Oferecemos-Te, Senhor, o pão e o vinho que em breve se irão transformar em Jesus, o Alimento que vem do Céu. Com este pão e este vinho vão as nossas dores, trabalhos e solidões. Aceita-os, Senhor.
O PAI NOSSO

O Senhor Padre Fabião convidou-nos a dar as mãos de maneira a que não houvesse uma mão desgarrada, solta, sozinha. E a Igreja transformou-se como que por magia num imenso cordão que incluía o altar e ía até ao último banco. Pediu-nos um instante de silêncio que de tão calado pesou fundo nos corações e rezámos emocionadamente não só o Pai Nosso como as orações seguintes numa comunhão imensa, incrível.
O POEMA DA MARGARIDA:

O Poema da Margarida... é "simplesmente" este... que a Rosarinho nos fez chegar numa leitura feita directamente do coração:
"Irmão meu, filho do mesmo DeusQue nos criou num milagre de amorQuero hoje entregar-lhe as tuas mágoasEstar contigo, firme, a implorar com fervor:Que me livre do egoísmo que me cega,Das comodidades que tenho sem merecer,De não te dar a mão, peregrino das ruas,De não ser uma esperança para o teu viver.Quero ajudar-te , mas…sozinha não consigoDar-te pão, carinho, dar-te abrigo,Ser luz na tua noite, maná das tuas fomesQue por tantas que são, nem sei delas os nomes…Irmão meu, alegra-te, há ALGUÉM poderosoQue o nosso impossível pode realizarTe olha e te ampara com amor de PaiE, por amor nasceu para nos salvar.O Menino do Presépio é o mesmo DeusQue continua hoje a olhar-te com amorIrmão meu, testemunha de dolorosas horas,De noites gélidas, sem pão e sem calor.Levanta-te do chão e olha o Céu aberto!Olha Jesus a dar-te a mão e num abraçoElevar-te da terra ao infinito espaço!Para te fazer sentir toda a consolação,Toda a misericórdia, toda a redençãoO seu imenso amor, o seu total perdãoSua entrega total, sem nenhuma condição.Dá-lhe a tua mão irmão e sente o seu abraço,Agarra-a com força, e vais ver que és capazDe mudar pouco a pouco a tua vida,Sentir no coração o bálsamo da Sua Paz."
Margarida Martins Alves, Natal 2009
Depois, "O SOCIAL" cá fóra:
"Sacos-ternura"; presentes para homens, senhoras e crianças; perú "acompanhado"; bolo rei, chocolate quente, sumos, café e Vinho do Porto. Para além da generosidade de todos, não poderia deixar de agradecer à Zé Pinho que forneceu o perú e ao Luis Vieira de Castro que ofereceu o Bolo Rei.
O Largo da Trindade era um imenso sorriso... Os olhares eram estrelas cheias de Luz... As palavras que mais nos chegavam era um "obrigada, e que o Senhor vos acrescente".
É pois com estas mesmas palavras que termino esta "notícia":
"OBRIGADA, E QUE O SENHOR VOS ACRESCENTE!"
AMEN - ALELUIA"

(Relatado por Teresa Olazabal)