quinta-feira, 14 de abril de 2016

13 de Abril de 2016


Ontem foi dia de ir à rua, ou melhor, noite. Uma noite que prometia chuva mas que, afinal, nos poupou.

Partimos com 115 merendas recheadas com bastantes doces e muitas amêndoas que faziam pesar exageradamente os sacos.

Divididos em dois grupos avançámos pelos bairros e pela cidade. Naqueles fomos surpreendidos pelo número dos que nos procuraram na "lavandaria" do Aleixo, e pelo diálogo com dois utentes da 1ª. Torre, que se confessaram adictos à droga, atribuindo a essa inclinação ou fraqueza as culpas das suas escolhas...

É evidente que, seja qual for a inclinação de cada um, creio que nunca se poderá desresponsabilizar totalmente cada qual pelo sentido das suas opções pondo de lado a capacidade de uso da liberdade que Deus nos concedeu. Daí que não pareça correcto “atirar para o lado" as culpas de se manter apegado ao vício.

Também aí tivemos outra surpresa: atendemos uma senhora já nossa conhecida de outras visitas ao Aleixo, relativamente jovem, e reservada. Saiu do “buraco” onde se refugiam os dependentes e veio ter connosco. Pouco depois chega um jovem de automóvel que se lhe dirige, cumprimenta-a, e, delicadamente, beija-lhe a mão…

Simplistamente, temos a ideia que o Aleixo, e outros “aleixos” que por aí há, só são frequentados por pessoas dos bairros onde o nível de educação não destoa do ambiente. Porém, o caso de ontem deixa-nos a pensar que também a gente “fina” pode acabar por fazer do Aleixo a sua casa onde vivem e pernoitam! Uns vão e vêm, outros estacionam.

Adictos ou não, o que é certo, é que é enorme o trambolhão das suas vidas e das suas pessoas subjugadas à dependência em que se deixaram mergulhar!

Esperemos que cada um, consciente do beco em que se meteu, se esforce e vá procurando saídas para uma vida melhor e digna.

Os recados vão ficando, deixados discretamente nestas visitas à espera que este e outros impulsos façam germinar a boa semente.

Demos um passo, esperamos os deles, e confiamo-los a Deus…
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